|
Aproxima-se, a uma velocidade vertiginosa, há uma década inimaginável, a efetiva possibilidade de
fazer e refazer toda e qualquer materialidade composta por átomos. Aquilo que era uma história da ficção, e que jamais se tornaria possível, está a acontecer. A imaginação (e o
Impronuncialismo) antecederam a Realidade. Trata-se de ser possível fabricar todos os materiais e substâncias que constam da Tabela Periódica, e respetivas combinatórias e permutações (desde a água ao ouro; desde o gasoso ao líquido ao plasma e ao sólido;
das células aos tecidos e aos órgãos; e assim por diante, desde que sejam átomos e moléculas os tijolos da construção/reconstrução).
O valor patrimonial e económico daquilo que serve
Hoje de referência à Riqueza (e ao dinheiro/troca) alterar-se-á. Tal como ocorreu no
Passado em momentos de igual mudança Técnica. Os grandes cofres e edifícios que são
Hoje construídos, e custam milhões, para guardar os ditos “Grandes Tesouros” passarão, metaforicamente, a ser simples «armazéns de papiros ou de sacos de pimenta». Porque o que albergam serão coisas vulgares, repetidas, e não raras. Não apenas por causa
da proliferação vinda de outros planetas, mas também devido à reconstrução molecular e atómica.
Esta mudança civilizacional está a alterar, já no
Presente, os conceitos de Real (Realidade/Objeto), Património (Relevância),
Arte (o conceito de Fazer e de Obra) e Ser-humano (o corpo/suporte; aquilo que efetivamente se reproduz e transmite às gerações seguintes / a memória e a codificação artificial). Está a alterar os valores éticos e morais que sustentavam
o edifício da anterior Mentalidade.
Esta mudança (simultaneamente técnica e mental) exige uma nova Cartografia e reconceptualização. Uma necessidade idêntica, e exatamente pelo mesmo motivo, às que ocorreram com o
Organon de Aristóteles ou com o Iluminismo do séc. XVII.
É para esse Debate que este Encontro entre Colegas se destina.
|