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Estimada Maria Vlachou,
Estou totalmente de acordo com o que escreveu. De que (passo a citá-la) “Permita-me dizer-lhe que é neste último argumento que eu identifico sinais de racismo, xenofobia e mentalidade
neocolonialista”.
Estou de acordo. O argumento dos Signatários é tão «racista, xenófobo e neocolonialista» como o que escrevi.
Exatamente para mostrar o que
sentem as outras Pessoas daquilo que escreveram os Signatários. Porque, sem que
as Partes no Debate sintam o que causam umas às outras cairemos num impasse feito de ódio e de intransigência.
Proibir as palavras e os termos à outra
Parte é um acto racista, xenófobo e neocolonialista («neocolonialista» na parte da Memória que está nos seus cérebros e nos seus sentimentos; aquele eufemismo designado por «colonizar a Memória»). Seja cometido por um lado ou pelo outro é sempre
um acto desses.
O que fiz, foi cometê-lo pelo outro lado.
Pessoalmente, não pertenço a um lado, nem a outro. Pertenço ao meu lado, enquanto um lado
sempre não submetido a uma lógica dicotómica e binária de perspetivar as
coisas. Pertenço a esse lado porque escolho poder pertencer-lhe. Nem sequer tenho
género, e a Pessoa que me habita nem corpo tem. Apenas existo porque posso.
A minha opinião sobre o assunto é clara: Trata-se de construir dois Museus: o
Museu da História de Portugal e o Museu dos Descobrimentos Portugueses. Nesses dois projetos museológicos caberia tudo o que andamos a debater e a defender. Seria inequivocamente plural, inclusivo, e não-esquecido de tudo o que foi
feito. E permitiria uma Reforma da atual Política Pública de Património.
O Debate é isto. É ferirmo-nos a Nós Próprios enquanto Seres-humanos, para termos consciência dos limites que guiam a nossa
Acção, e nos impedem de transmitir aos presentes e vindouros aquilo que de facto é Relevante para ganharmos a aventura da Continuidade.
Mais do que a Razão, mais do que a
História, neste Debate trata-se de uma questão de Património. E só vejo historiadores a falarem. E vejo, como alertei, que já tudo foi decidido e cozinhado por um grupo endogâmico de peritos. Porquê?
Numa mensagem que troquei hoje com a Cláudia Sobral e com a Sofia Martins Santos a propósito do artigo que escreveram no jornal «I», intitulado «Afinal, o Museu das Descobertas vai chamar-se A Viagem»,
e que enviarei para a Lista Museum, tento provocar o Debate no mesmo sentido que fiz aqui. Mesmo que saiba que já tudo foi decidido, e distribuído pelos mesmos de sempre, para fazerem a Coisa.
Pedro Manuel-Cardoso |
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