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Uma coisa maior do que o nome – viagem por descobertas, cobrimentos e encobrimentos dos portugueses de Lisboa Notas em processo sobre o Debate do MINOM.PT de 26 maio[1] (A expressão que aqui uso "descobertas, cobrimentos encobrimentos" é da autoria de Isabel Vitor, que participou através de depoimento escrito, e que aqui agradeço a dádiva) Na sua interessante iniciativa da debater o novo museus da edilidade lisboeta, o MINOM promoveu um debate sobre a questão no Museu de História Natural. Uma iniciativa que se louva pelo seu carater de encontro, onde todos participaram num círculo de conversa, que permitiu a apresentação de diferentes pontos de vista, que no final resultam em processos de co construção coletiva, como ficará registado na declaração final que virá a público em breve. A reflexão teve como ponto de partida os textos e proposta para este novo museu, que tem vindo na impressa e nas redes sociais. São textos variados com diferentes posições de autores de diversas escolas e formações, onde muitas vezes o que é relevado são sobretudo opiniões pessoais, que certamente resultam de reflexões levada a cado em contextos profissionais e pessoais, o que acaba mais por marcar posições no debate, do que propriamente debater. Ainda que por vezes essas vozes assumam uma dimensão mais coletiva, como abaixo-assinados contra determinadas denominações, não ultrapassam as posições. Ora como muitos tem vindo a defender, sobretudo pelos que se posicionam no campo duma nova museologia, dialógica e participativa, o que é importante nestas questões é que as ideias sejam debatidas antes de se tornarem “projetos”. Cabe aqui relevar a generosa e entusiástica participação no debate, da nossa estimada colega Matilde de Sousa Franco, que sendo autora/“proponente” dum projeto (que para simplificar a questão dizemos) alternativo ao tal projeto dos museus dos “descobrimentos”. Na verdade, como ficou claro sobre a sua intervenção, a sua proposta de um Museu da Interculturalidade portuguesa, não é em rigor uma alternativa ao projeto da edilidade. Como ela diz, trata-se duma proposta em processo, que tem recolhido diferentes apoios, e que neste debate assume mais como um momento de oportunidade para reflexão. É certo que a edilidade lisboeta, que assume a proposta do novo museus no seu programa eleitoral, vinha discutindo desde à algum tempo a instalação dum equipamento “dito” museológico na área ribeirinha, em colaboração com a marinha e uma universidade. O novo museu tem á partida uma legitimidade sufragada pelos lisboetas, e de acordo com as regras democráticas, deverá incluí-lo na sua política cultural para a cidade. A questão, da política cultural para a cidade, ou se preferimos da “política museológica municipal” não pode contudo ser pensada numa ótica de mandato eleitoral. Será que é legítimo propor um “museu” para a cidade, como proposta leitoral. Certamente que sim. As eleições são isso mesmo. Propostas que são apresentadas e sufragadas ou não. A questão é saber, e isso cabe â comunidade como um todo, questionar sobre a necessidade do museu. Há uma necessidade deste museu para a cidade. Para a cidade de Lisboa? Quando olhamos para a questão em termos de planeamento urbano, o que verificamos. Se olharmos para o problema em termos de satisfação de capacidades (com fazemos para os hospitais ou escolas) temos necessidades dum novo museu. E se sim aonde. Em Belém, onde há vários equipamentos e monumentos (CCB – Marinha – Arqueologia – Etnologia – Coches – Padrão dos Descobrimentos –Torre de Belém – MAT/Eletricidade – Jardim Colonial). Usamos a Cordoaria, um edifício monumental, ou justifica-se um novo edifício, para um novo museu, onde a arquitetura dialogue com os conteúdos. Na Baixa Pombalina, a Oriente … Se olharmos para a questão do ponte de vista de um museu para quem? Para os turistas ou para os lisboetas. Para a comunidade local ou para a comunidade visitante. Uma questão que tem a var com a projeção do museu, se o queremos “cosmopolita” ou “local” (por assim dizer), ou um museu tradicional onde se conta uma “história” dita nacional, mais ou menos dialógica com os outros. E finalmente a questão que falta: um museu para quê? Isto leva-nos de volta à questão da política cultural para a cidade. Qual é o papel do museu na cidade? (a completar) --
Pedro Pereira Leite
(Ph.D) MINOM Board (http://www.minom-icom.net) Resaercher at CES.UC (http://www.ces.uc.pt/en/ces/pessoas/investigadoras-es-em-pos-doutoramento/pedro-pereira-leite) UNESCO Chair on Global Education and Cultural Diversity at Lusofona University Lisbon (http://www.museologia-portugal.net/docentes/docentes-investigadores) http://www.museologia-portugal.net/apresentacao/catedra-educacao-cidadania-diversidade-cultural ICOM Portugal- (Board 2014-2020) (http://icom-portugal.org/) |
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