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Re: [Museum] Uma coisa maior do que o nome – notas sobre o debate do MINOM a 26 de maio (I)

Subject :   Re: [Museum] Uma coisa maior do que o nome – notas sobre o debate do MINOM a 26 de maio (I)
From :   Matilde Sousa Franco <matildesousafranco@gmail.com>
Date :   Wed, 30 May 2018 12:12:29 +0100

Prezado Pedro Pereira Leite e Bom dia a todos!

Começo por felicitar o MINOM pela iniciativa do debate,  pela condução deste e pelas participações, que permitiram o êxito do conjunto.

Obrigada, Caríssimo Pedro, pelo seu valioso contributo no debate do dia 26 e por estas Notas.

Devo esclarecer melhor a minha posição, que pensava já ter sido melhor clarificada no mail que a todos enviei no passado dia 25, e no debate do dia 26.

Como tenho repetido, penso há cerca de 40 anos que  devia ser  prioritário em Portugal um museu que explicasse o único momento da nossa História em que, na expressão de Camões, demos novos mundos ao Mundo, ideia que remonta ao séc. XIX. 

Tendo entretanto sido gastos largos milhões de dinheiros públicos em centenas de museus (muitas vezes inúteis ou mal pensados), pergunta-se porquê ter medo deste museu que lembra a única ocasião em que Portugal foi pioneiro da globalização e foi global?
Deve ser um Museu actualíssimo,voltado para o presente/futuro, sem saudosismos e com absoluto rigor histórico/científico, de que a Academia Portuguesa da História é garante de não haver qualquer mitificação / eufemismos. 

Quando no início deste ano me lembrei de retomar este tema, não sabia que a C.M.L. tinha felizmente esse projecto desde 2015, do qual eu só soube recentemente através da polémica veiculada pela Comunicação Social, tendo então verificado que o meu projecto poderia substancialmente melhorar o já então tão polémico projecto camarário, não sendo portanto alternativo o meu projecto, mas podendo ser aperfeiçoador do que, pelos vistos, nasceu torto. 
Curiosamente, não vejo referência ao apoio da Academia Portuguesa da História “com o maior entusiasmo” ao meu projecto, nos muitos textos recentemente publicados a propósito deste museu camarário.

Posso para já indicar 6 hipóteses de nomes para o museu, mas o mais importante é o conceito da interculturalidade. A interculturalidade encontra-se em processo de evolução, e nem os portugueses dos séculos XV/XVI, nem os actuais, nem no Mundo actual ainda vislumbro povos paladinos do diálogo intercultural.

O conceito de Museologia Intercultural e os museus e o património cultural terem como objectivo a paz, que defendo há cerca de 25 anos, são agora (11 de Maio passado) novos paradigmas do ICOM, desde a Declaração do Funchal, assinada pelo meu colega e amigo Luís Raposo.

No debate MINOM, do passado dia 26, insisti em que em Lisboa a exposição deveria ser feita num edifício uno, para haver uma explicação mais coesa (e ser mais barata a manutenção), devendo haver chamadas de atenção para peças contidas em diferentes museus, em Lisboa, no País e até no estrangeiro. 
Chamei a atenção para núcleos espalhados pelo País, ideia que  já apresentei nos  artigos publicados no “Observador”(24 de Março, 9 de Abril, 3 de Maio).
Dei a nova sugestão de se criarem, ou serem considerados, núcleos do museu também no estrangeiro, onde haja memórias portuguesas, por exemplo Brasil, Moçambique, Índia, Malásia, China, Japão, etc. 
Lembro-me agora de que o Museu Bartolomeu Dias, na África do Sul, em Mossel Bay, e na Indonésia a parte do Museu de Jakarta dedicada a Portugal, poderiam já associar-se, etc.
 Quanto ao nome e localização do museu, lembro que no debate ninguém apoiou o nome de Museu da Viagem e a localização próxima do Terminal de Cruzeiros, conforme a Comunicação Social por esses dias veiculou a C.M.L. teria decidido.

Atenciosos cumprimentos para todos
Matilde Sousa Franco
.







No dia 28/05/2018, às 14:52, Pedro Pereira Leite <pedropereiraleite@ces.uc.pt> escreveu:

Uma coisa maior do que o nome – viagem por descobertas, cobrimentos e encobrimentos dos portugueses de Lisboa

Notas em processo sobre o Debate do MINOM.PT de 26 maio[1]

(A expressão que aqui uso "descobertas, cobrimentos encobrimentos" é da autoria de Isabel Vitor, que participou através de depoimento escrito, e que aqui agradeço a dádiva)

Na sua interessante iniciativa da debater o novo museus da edilidade lisboeta, o MINOM promoveu um debate sobre a questão no Museu de História Natural.

Uma iniciativa que se louva pelo seu carater de encontro, onde todos participaram num círculo de conversa, que permitiu a apresentação de diferentes pontos de vista, que no final resultam em processos de co construção coletiva, como ficará registado na declaração final que virá a público em breve.

A reflexão teve como ponto de partida os textos e proposta para este novo museu, que tem vindo na impressa e nas redes sociais. São textos variados com diferentes posições de autores de diversas escolas e formações, onde muitas vezes o que é relevado são sobretudo opiniões pessoais, que certamente resultam de reflexões levada a cado em contextos profissionais e pessoais, o que acaba mais por marcar posições no debate, do que propriamente debater. Ainda que por vezes essas vozes assumam uma dimensão mais coletiva, como abaixo-assinados contra determinadas denominações, não ultrapassam as posições.

Ora como muitos tem vindo a defender, sobretudo pelos que se posicionam no campo duma nova museologia, dialógica e participativa, o que é importante nestas questões é que as ideias sejam debatidas antes de se tornarem “projetos”.

Cabe aqui relevar a generosa e entusiástica participação no debate, da nossa estimada colega Matilde de Sousa Franco, que sendo autora/“proponente” dum projeto (que para simplificar a questão dizemos) alternativo ao tal projeto dos museus dos “descobrimentos”.

Na verdade, como ficou claro sobre a sua intervenção, a sua proposta de um Museu da Interculturalidade portuguesa, não é em rigor uma alternativa ao projeto da edilidade. Como ela diz, trata-se duma proposta em processo, que tem recolhido diferentes apoios, e que neste debate assume mais como um momento de oportunidade para reflexão.

É certo que a edilidade lisboeta, que assume a proposta do novo museus no seu programa eleitoral, vinha discutindo desde à algum tempo a instalação dum equipamento “dito” museológico na área ribeirinha, em colaboração com a marinha e uma universidade. O novo museu tem á partida uma legitimidade sufragada pelos lisboetas, e de acordo com as regras democráticas, deverá incluí-lo na sua política cultural para a cidade.

A questão, da política cultural para a cidade, ou se preferimos da “política museológica municipal” não pode contudo ser pensada numa ótica de mandato eleitoral.

Será que é legítimo propor um “museu” para a cidade, como proposta leitoral. Certamente que sim. As eleições são isso mesmo. Propostas que são apresentadas e sufragadas ou não. A questão é saber, e isso cabe â comunidade como um todo, questionar sobre a necessidade do museu.

Há uma necessidade deste museu para a cidade. Para a cidade de Lisboa? Quando olhamos para a questão em termos de planeamento urbano, o que verificamos. Se olharmos para o problema em termos de satisfação de capacidades (com fazemos para os hospitais ou escolas) temos necessidades dum novo museu. E se sim aonde. Em Belém, onde há vários equipamentos e monumentos (CCB – Marinha – Arqueologia – Etnologia – Coches – Padrão dos Descobrimentos –Torre de Belém – MAT/Eletricidade – Jardim Colonial). Usamos a Cordoaria, um edifício monumental, ou justifica-se um novo edifício, para um novo museu, onde a arquitetura dialogue com os conteúdos. Na Baixa Pombalina, a Oriente …

Se olharmos para a questão do ponte de vista de um museu para quem? Para os turistas ou para os lisboetas. Para a comunidade local ou para a comunidade visitante. Uma questão que tem a var com a projeção do museu, se o queremos “cosmopolita” ou “local” (por assim dizer), ou um museu tradicional onde se conta uma “história” dita nacional, mais ou menos dialógica com os outros.

E finalmente a questão que falta: um museu para quê? Isto leva-nos de volta à questão da política cultural para a cidade. Qual é o papel do museu na cidade?

(a completar)





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