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Um importante contributo de Luís Raposo.
Refiro-me ao artigo publicado na
Património.Pt, que generosamente partilhou nesta Lista Museum com o mesmo título.
O Debate que propõe é crucial para o futuro dos ditos “profissionais de Museus”, e para o futuro
não apenas dos ditos “Museus”.
Ao ler e analisar com minucia os argumentos e o texto torna-se nítido o impasse a que se chegou. Que está a demorar tempo demais a ser ultrapassado.
A maioria dos problemas e indefinições (como tenho vindo a referir desde há uns anos) radica na incapacidade do ICOM (e da generalidade das outras instituições e entidades públicas e privadas, sobretudo das universidades
e dos Estados) de definir o território (as fronteiras) epistemológico e técnico daquilo onde se intervém (e se quer intervir). Essa é a razão pela qual, perante essa indefinição, todos se aproveitam para se autointitularem “profissionais de Museus”.
Infelizmente o “Léxico do ICOFOM” é incapaz de responder a estes desafios, razão pela qual a procura da “definição de Museu” e do “âmbito profissional que o especifica” continua a ser uma
necessidade. Infelizmente o ICOFOM produziu um documento medíocre e falho de rigor científico e técnico, até, prejudicial aos “Museus”.
O problema só se conseguirá resolver (em termos epistemológicos, científicos, metodológicos e práticos) se se substituir “Museu” por “Património”. Se se substituir “museologia” por
Patrimologia.
Isto é, se o objeto da responsabilidade e da acção humana for o «Estudo e a Gestão do Património», independentemente das
infraestruturas onde está sedeado, e independentemente dos suportes em que se expressam os seus Objetos (coleções, acervos).
E se por «Gestão do Património» quisermos dizer: a convergência científica e técnica da museologia, curadoria, arquivologia, biblioteconomia e documentação através do
Índice de Patrimonização [IP=Fx(iP+iD+iC/cT+cR)].
E se por «Património» quisermos dizer: a responsabilidade humana (profissional, científica, técnica) pela transmissão (e acessibilidade física, social, e cultural) daquilo que é Relevante para a
Continuidade (Adaptação) da espécie decidido por cada Geração.
Sem esta ruptura de paradigma, sem esta mudança de caminho, sem a coragem para substituir o acrónimo «ICOM» por «Conselho Internacional do Património» … os impasses e problemas, que Luís Raposo menciona
no artigo, continuarão sem fim à vista.
É necessário um Léxico de Patrimologia que estabeleça o quadro conceptual e a terminologia da
Ciência do Património. Para que possa dar estabilidade à «profissão responsável pelo Património». A construção desse
Léxico deveria ser, até, a tarefa prática onde se deveriam focar os atuais esforços.
Pedro Manuel-Cardoso |
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