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Por me ter sido pedido um esclarecimento sobre esta mensagem, junto envio o acrescento
que pode elucidar: quer, a questão da «anterioridade» («exterioridade», «incompletude» e «indecidibilidade» no sentido do teorema de K. Gödel); quer, a diferença entre o
Impronuncialismo e os «outros Métodos» (por exemplo, a «escrita automática», os «arquétipos», ou o «instinto») que também propõem um regresso a um patamar da Realidade anterior às «codificações».
[….]
A Exposição «Olhares sobre a Livraria do Convento da Arrábida», inaugurada recentemente no Museu da Fundação Oriente, corroborou, mais uma vez, como tenho vindo
a propor, a necessidade de uma nova cartografia do Real, do Património, da Arte e do Ser-humano. E, do benefício que o Método
Impronuncialismo poderia trazer.
A juntar a este recente acontecimento, recebi, de um prestigiado «Investigador», uma mensagem importante, onde perguntava se no final de tudo não seria (passo a citar)
«deus, a ser um candidato a si mesmo».
Respondi que, de certo modo, estava de acordo.
É essa fronteira que o «nosso» Raciocínio (imaginação, intuição, instinto, inconsciente, sentimento, subjetividade, etc.) não consegue ultrapassar, senão «forjando uma
premissa exterior a si próprio». Ora, para isso seria necessário deixarmos de ser totalmente o que somos (ou o que imaginamos que somos; ou o que inconscientemente julgamos existir). Mas isso levaria à condição paradoxal de, simultaneamente, termos que «ser
e não ser». A única possibilidade é demorarmos a Continuidade desse «candidato a si mesmo» (de nós próprios) até que seja capaz de resolver o problema/paradoxo. Ter paciência para esperar por muitos mais anos de esforço e de trabalho (trabalharmos para que
não morra). Neste processo de auto-Conhecimento e de auto-Discernimento estamos habituados a usar a «palavra» (ícone, índice, símbolo, signo, letra, número, etc.) mas essa «codificação» é já, em si própria, a prisão a uma determinada Lógica (é por isso que
discordo de C.S.Peirce, Wittgenstein, Jung, Freud, Lacan, Lévi-Strauss, T.Ingold, Ph.Descola, B.Latour, e de todos os que propõem a «palavra/linguagem» para
Método; ou de que «no Início tenha sido o verbo»). Daí, ter proposto o
Impronuncialismo, enquanto um território de reflexão e de acção anterior à Linguagem e à Palavra Como o território estaminal e seminal anterior a qualquer «codificação» (logo, a qualquer «fazer» ou «dizer»). Regressar e explorar esse Sítio. Que,
para o Impronuncialismo, é também anterior ao “instinto”, aos “automatismos genéticos”, ou ao “sistema perceptivo-sensorial
humano”, etc. Por duas razões: Primeiro, porque tudo isso é já herdado de uma «lógica da Vida adaptada à Terra» (ARN/ADN,
Tabela CronoEstratigráfica Internacional 2017, Lyell-Lineu-Darwin, «definição e conceito de Vida e de Evolução formulados pela atual Ciência em 2016», etc.), portanto, é já uma «coisa codificada»; Segundo, porque é óbvio que tem que existir uma «realidade
Física» (um Real) anterior ao designado «Big Bang» para que ele possa ter ocorrido; ou seja, uma realidade anterior aquela que fragmentou o Universo/Realidade em
Partículas/Partes (Tabela Periódica, Sistema Internacional de Unidades, teorias e modelos atuais da Física, etc.).
Perante este desafio, e perante o que a atual
Exposição «Olhares sobre a Livraria do Convento da Arrábida» do Museu da Fundação Oriente nos permitiu «ver», talvez
a Antropo-logia (tal como a arqueologia, biologia, física, matemática, religião, e outros ramos do Conhecimento e da Ciência) beneficiassem com o
Impronuncialismo. Por exemplo, num Encontro no Convento da Arrábida, sob os auspícios da Fundação Oriente.
Talvez fosse uma boa ideia…
Pedro Manuel-Cardoso |
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