Lista museum

Mensagem

[Museum] Matemática e Património

Subject :   [Museum] Matemática e Património
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Thu, 2 Aug 2018 14:55:47 +0000

 

A atribuição dos prémios Fields (matemática) são sempre um importante acontecimento para o Património (e para a Patrimologia, enquanto ciência que o estuda e gere). Este ano (2018) não foi excepção. Importante, porque esses prémios Fields permitem atualizar o conceito de Real e de Objeto, logo, aquilo que constitui a substância/coisalidade/materialidade de que é «feito» o Património.

 

Em termos lógicos e dedutivos, permitem clarificar a fronteira que separa a Ficção (narrativa) da Realidade (coisa/objeto), ou, com mais rigor «a ficção que a realidade e o objeto são» para a mentalidade e ideologia de cada época. E essa clarificação é essencial para se saber de que Património «se está a falar», «a gerir», e a «escolher/selecionar/classificar-desclassificar» em cada Política Patrimonial. Sem essa clarificação, a intencionalidade e a definição dos objetivos em Gestão do Património (planos e orçamentos) tornam-se actos inconsistentes, relativistas, arbitrários e fenomenológicos. Quase sempre um pretexto para mediatizar «quem fala», «quem dirige/tutela», ou «manipular politicamente assuntos sociais», em vez de se falar e trabalhar em Património.

 

Neste ano, dos quatro prémios atribuídos, merece destaque (nessa relação entre a matemática e o Património) o contributo de Peter Sholze. A tentativa de unificar a aritmética (número) e a geometria (forma/espaço) é, afinal, a tentativa de unificar o Ponto e a Coisa. Ou seja, a tentativa de Compreender (numeralizar, localizar e codificar) como a Coisa (objeto) e o Espaço/Forma são uma única Realidade, em vez de duas diferentes. Este contributo remete para o conteúdo de várias mensagens que apresentámos aqui na Lista Museum, por exemplo, a proposta que fizemos na Mensagem nº 18592 de 21abril2018, e pelo Modelo aí proposto:

 

→

 

OBJETO →

↓

USO

↓

VALOR

↓

 

COISA →

nome/identidade

(ponto)

NARRATIVA

sentido/orientação/sintagma

(linha)

CONTEXTO

paradigma/estrutura/ideologia

(plano)

 

 

CONSTRUÇÃO →

acção

CORRUPÇÃO

interpretação

ANIQUILAMENTO

Memória

↑

 

 

←

CODIFICAÇÃO

 

A presunção de que, por sabermos que o «Património é a escolha da Relevância a transmitir às gerações seguintes», sabemos automaticamente aquilo que a Relevância e o Objeto são, é um erro. Até, uma ingenuidade.

 

No dia 31Julho2018, na reunião e debate que o Impronuncialismo promoveu a pretexto dos «Olhares sobre a Livraria do Convento da Arrábida» (exposição no Museu da Fundação Oriente), e no contexto do tema «Transdisciplinaridade», foi debatido o processo pelo qual a «realidade dita Física» (isto é, os electrões que giram à volta do protão/neutrão no núcleo do «átomo», e as partículas de escala menor que interferem com esse «objeto») se transforma em «realidade dita Vida, ou química e biológica» (isto é, se transforma num agregado de átomos e de moléculas). Isto é, o processo como as órbitas dos electrões permitem que os núcleos dos átomos se agreguem e, desse modo, formem a Matéria (qualquer que ela seja, e qualquer que seja o nome que lhe atribuamos na Linguagem). É assim, também, que é criada a materialidade/coisalidade daquilo que designamos por Objeto Patrimonial.

 

É aqui, na compreensão e descrição deste processo (desta Transdisciplinaridade) que a Matemática (e o referido contributo de Peter Sholze) serve de mediador imprescindível. E que permite estudar e investigar a coisalidade do Objeto Patrimonial e a respetiva Relevância.

 

A Relevância do Património não se compadece com o erro e a ingenuidade dos raciocínios (e da ideologia) que julgavam que eram Objetos Diferentes por estarem em estados diferentes (sólido, líquido, gasoso, plasma), em escalas diferentes (material, imaterial, digital, informação-bit), ou em níveis de organização diferentes (física, química, biológica, social, cultural-simbólica). Esse conceito de Objeto e de Património morreu. Porém, ainda estão bem vivos os que perfilham e vivem nesse mundo antigo.  

 

Um exemplo, ilustra bem essa inércia e ingenuidade; mas também permite perceber as lacunas nos conceitos de Património e Museus (por exemplo, do ICOM/ICOFOM ou do MINOM): … Há dias, um especialista, afirmou que (passo a citar) «80% dos Museus estão vazios» (Miguel Falomir Faus, diretor do Museu do Prado, entrevista em «La Vanguardia», 10/07/2018). Ora, afirmar que os museus estão vazios é não Compreender, de todo, o que é um Museu e o que é o Património. Mas também é a prova de que o que escrevi nesta Mensagem é necessário (inclusive para os critérios que definem uma Política Patrimonial de um país ou Cultura).

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 


Mensagem anterior por data: [Museum] AMANHÃ (3 agosto) | Recital de Música de Câmara com JVNY | MUSEU NOGUEIRA DA SILVA Próxima mensagem por data: [Museum] PROGRAMAÇÃO | AGOSTO | MUSEU NOGUEIRA DA SILVA
Mensagem anterior por assunto: [Museum] Marca em aguarela // Oficina criativa com Isa Silva // 10 FEV // 10 às 13 horas Próxima mensagem por assunto: [Museum] Matemática e Património II