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[Museum] Re A opinião de Luís Reis Torgal sobre … Descobrimentos

Subject :   [Museum] Re A opinião de Luís Reis Torgal sobre … Descobrimentos
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Tue, 14 Aug 2018 23:07:15 +0000

 

Em boa hora o Professor José d’Encarnação trouxe novamente «aquele assunto que todxs tanto receiam», ao partilhar a opinião do Professor Luís Reis Torgal.

 

Reitero, do ponto de vista profissional e técnico, que a especificidade e o melindre ideológico deste «Museu» exigem, no método de o fazer, que se separem com muito rigor duas etapas: A do «contributo orientador da Patrimologia (museologia)»; e a seguinte, relativa à feitura do Programa Preliminar (historiadores e demais especialistas). Razão pela qual, em 20 de Abril de 2018, aqui na Lista Museum, propus que se constituísse um: “um grupo de trabalho, constituído formalmente em termos legais, com o objectivo de apresentar um Documento orientador do Programa Preliminar de Concepção desse museu. Constituído pela Professora Matilde Sousa Franco e pelo Professor Luís Raposo”. A opinião de Luís Reis Torgal vem corroborar ainda mais essa necessidade.

 

Em segundo lugar, nota-se que começam a aparecer vozes que atacam a necessidade de um «Museu», com o argumento que (passo a citar) «os museus só servem para fazer propaganda». Percebe-se a razão: é o receio de estarem a perder terreno junto da opinião pública e dos investigadores/estudiosos/especialistas. Tornou-se evidente o intuito ideológico de usarem o tema dos «Descobrimentos Portugueses» para uma propaganda contra Portugal e a sua História, através da mistificação desmesurada da escravatura e do colonialismo. E isso fá-los agora tentar que não haja «museu».

 

Ora um «Museu» não serve para fazer propaganda. Não é esse o objetivo que o define e o justifica. Um «Museu» serve para gerir o «Património»; e o «Património» é «aquilo que é considerado Relevante para transmitir às gerações seguintes, prolongando a estratégia de Vida iniciada nos Eucariotes, e que deu origem à codificação ARN/ADN». É isso que distingue as Espécies «eucariotes» (que inclui os Humanos) das «procariotes» (as que não têm nos núcleos das células um local específico para guardar as informações vitais a transmitir à descendência). Acresce, ao contrário do que afirmam, um «Museu» não trabalha apenas com o «Passado» (memória), trabalha com o «Presente» e o «Futuro».

 

O Estado, e os responsáveis pelo Património, deviam construir os dois Museus que faltam a Portugal: o «Museu da História de Portugal» e o «Museu dos Descobrimentos Portugueses». Porque esses Museus servem para ensinar aos Presentes e Vindouros … a serem «Descobridores», e a «continuarem Portugal». Não são para propagandear nada, são para colectivamente evoluirmos e sermos melhores. É por isso que quanto mais os Países/Culturas são Desenvolvidos, mais «Museus» têem.

 

No passado 21 de julho 2018 assistimos a mais um episódio elucidativo dessa disputa (passo a citar):

 

“O historiador Miguel Cardina afirmou no dia 19 julho em entrevista ao DN que Portugal foi "a maior potência esclavagista da modernidade" e que isso não tem sido devidamente considerado no país. Devo dizer ao meu colega que está enganado [….] A sua população escrava cresceu continuamente: em 1800 os Estados Unidos tinham quase 900 mil escravos; mas em 1820 esse número já subira para mais de 1,5 milhões; viria a atingir os 3,2 milhões em 1850; e quase 4 milhões em 1865, convertendo o país no maior reservatório escravista no hemisfério ocidental. O Brasil da época da independência teria cerca de 1,2 milhões. E friso que estou apenas a falar do hemisfério ocidental porque havia outras grandes concentrações de escravos na Ásia e em África onde, por exemplo, e segundo Paul E. Lovejoy, o califado de Sokoto, cujo território englobava o norte da Nigéria e dos Camarões e o sul do Níger, teria provavelmente perto de 4 milhões de escravos, isto é, tantos como os Estados Unidos e mais do que Brasil e todas as colónias das Caraíbas no seu conjunto.

 

Ou seja, Portugal não foi nem de longe nem de perto "a maior potência esclavagista".

 

De qualquer modo, a questão mais interessante no actual contexto não é a de saber quem teve mais ou menos escravos e quando e em que circunstâncias, mas a de saber por que razão se assiste presentemente em Portugal a esta sanha acusatória. Por que razão há este afã em apontar o dedo e em agravar e tornar artificialmente mais pesado o que já pesa na história do país. Por que razão, como perguntava Eduardo Lourenço, há esta necessidade de crucificar o passado português. A razão é ideológica e política. Por isso, e ainda que o que escrevi atrás sejam verdades facilmente comprováveis, não tenho ilusões acerca da capacidade de penetração dessas verdades em certos sectores onde, como tem sido manifesto, a informação não entra nem passa. Há pessoas, dentro e fora da academia, que são impenetráveis a um conhecimento actualizado sobre história da escravatura porque usam uma couraça chamada ideologia. Ideologicamente falando, e no que se reporta especificamente a esta área da História, essas pessoas habitam um edifício rígido, estanque, feito de dogmas e de certezas absolutas. Se se lhes mostra, com conhecimento apoiado num conjunto ponderado de documentos e numa bibliografia extensa, que estão enganadas e que o seu rei vai nu, o edifício pura e simplesmente desmorona-se. Daí que prefiram não ver, não ouvir nem reconhecer. Há, ainda assim, que continuar a tentar mostrar o que aconteceu e como aconteceu, mais para esclarecer a opinião pública do que para tentar convencer quem não quer ser convencido. É inútil mostrar a história a quem está barricado na ideologia.

 

No tempo de Salazar a propaganda do regime fazia dos antigos portugueses os melhores do mundo, heróis sem defeito nem mácula. Agora, os combates ideológicos da extrema esquerda politicamente correcta empurraram-nos para o lado oposto e os nossos antepassados passaram a ser os piores do mundo, os facínoras por excelência, os inventores da pior das escravaturas. As criaturas que, seguindo o terrível exemplo de Afonso de Albuquerque, queimaram metade da terra e capitanearam metade dos tumbeiros (navios negreiros). Será possível termos uma visão equilibrada e sobretudo contextualizada do passado” (João Pedro Marques, 21/07/2018).

 

 

 

Entretanto, sem qualquer preconceito ou estigma, a Etiópia, 500 anos depois do contacto com os Portugueses, veio cá celebrar esses «Descobrimentos» com palavras de (passo a citar) «Amizade e Fraternidade», tal como podemos ver na atual Exposição que o Museu da Fundação Oriente intitulou «Das Terras do Preste João» (Lista Museum, mensagem n.º 19048). E mais recentemente foi a Índia, através da sua atual Embaixadora em Portugal. No Festival que assinala os 71 anos da independência da Índia (proclamada em 15 de agosto de 1947), afirmou (passo a citar): "Todos os alunos na Índia conhecem Portugal e o seu intrépido marinheiro Vasco da Gama" (K. Nandini Singla, 2018, Embaixadora da Índia em Portugal).

 

Não será tempo de descolonizar esse ódio ideológico a Portugal? Será isso que está a impedir o «Museu»?

 

Para esses/essas, que continuam cegos pela sua ideologia contra Portugal, até apetecia dizer que o «Museu da História de Portugal» devia ter na fachada, a letras que todos lessem: “Tenho em mim todos os sonhos do Mundo” (Fernando Pessoa). E o «Museu dos Descobrimentos Portugueses» também na fachada, a letras que todos lessem: “Por mares nunca antes navegados, mais do que prometia a força humana” (Luís Vaz de Camões).

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 

 





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