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Em boa hora o Professor José d’Encarnação trouxe novamente «aquele assunto que todxs tanto receiam», ao partilhar a opinião do Professor Luís Reis Torgal.
Reitero, do ponto de vista profissional e técnico, que a especificidade e o melindre ideológico deste «Museu» exigem, no método de o fazer, que se separem com muito rigor duas etapas: A do «contributo orientador
da Patrimologia (museologia)»; e a seguinte, relativa à feitura do Programa Preliminar (historiadores e demais especialistas). Razão pela qual, em 20 de Abril de 2018, aqui na Lista Museum, propus
que se constituísse um: “um grupo de trabalho, constituído formalmente em termos legais, com o objectivo de apresentar um Documento orientador do Programa Preliminar de Concepção desse museu.
Constituído pela Professora Matilde Sousa Franco e pelo Professor Luís Raposo”. A opinião de Luís Reis Torgal vem corroborar ainda mais essa necessidade.
Em segundo lugar, nota-se que começam a aparecer vozes que atacam a necessidade de um «Museu», com o argumento que (passo a citar) «os museus só servem para fazer propaganda». Percebe-se a razão: é o receio de
estarem a perder terreno junto da opinião pública e dos investigadores/estudiosos/especialistas. Tornou-se evidente o intuito ideológico de usarem o tema dos «Descobrimentos Portugueses» para uma propaganda contra Portugal e a sua História, através da mistificação
desmesurada da escravatura e do colonialismo. E isso fá-los agora tentar que não haja «museu».
Ora um «Museu» não serve para fazer propaganda. Não é esse o objetivo que o define e o justifica.
Um «Museu» serve para gerir o «Património»; e o «Património» é «aquilo que é considerado Relevante para transmitir às gerações seguintes, prolongando a estratégia de Vida iniciada nos
Eucariotes, e que deu origem à codificação ARN/ADN». É isso que distingue as Espécies «eucariotes» (que inclui os Humanos) das «procariotes» (as que não têm nos núcleos das células um local específico para guardar as informações vitais a transmitir à descendência).
Acresce, ao contrário do que afirmam, um «Museu» não trabalha apenas com o «Passado» (memória), trabalha com o «Presente» e o «Futuro».
O Estado, e os responsáveis pelo Património, deviam
construir os dois Museus que faltam a Portugal: o «Museu da História de Portugal» e o «Museu dos Descobrimentos Portugueses». Porque esses Museus servem para ensinar aos Presentes e Vindouros
… a serem «Descobridores», e a «continuarem Portugal». Não são para propagandear nada, são para colectivamente evoluirmos e sermos melhores. É por isso que quanto mais os Países/Culturas são Desenvolvidos, mais «Museus» têem.
No passado 21 de julho 2018 assistimos a mais um episódio elucidativo dessa disputa (passo a citar):
Entretanto, sem qualquer preconceito ou estigma, a Etiópia, 500 anos depois do contacto com os Portugueses, veio cá celebrar esses «Descobrimentos» com palavras de (passo a citar) «Amizade e Fraternidade»,
tal como podemos ver na atual Exposição que o Museu da Fundação Oriente intitulou «Das Terras do Preste João» (Lista Museum, mensagem n.º 19048). E mais recentemente foi a Índia, através da sua atual Embaixadora em Portugal. No Festival que assinala
os 71 anos da independência da Índia (proclamada em 15 de agosto de 1947), afirmou (passo a citar): "Todos os alunos na Índia conhecem Portugal e o seu intrépido marinheiro Vasco da Gama" (K. Nandini Singla, 2018, Embaixadora da Índia em Portugal).
Não será tempo de descolonizar esse ódio ideológico a Portugal? Será isso que está a impedir o «Museu»?
Para esses/essas, que continuam cegos pela sua ideologia contra Portugal, até apetecia dizer que o «Museu da História de Portugal» devia ter na fachada, a letras que todos lessem: “Tenho em mim todos
os sonhos do Mundo” (Fernando Pessoa). E o «Museu dos Descobrimentos Portugueses» também na fachada, a letras que todos lessem: “Por mares nunca antes navegados, mais do que prometia a força humana” (Luís Vaz de Camões).
Pedro Manuel-Cardoso
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