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[Museum] Re «Modelo Antropológico da Inteligibilidade e da Condição Humana» na sua relação com o Património e museus.

Subject :   [Museum] Re «Modelo Antropológico da Inteligibilidade e da Condição Humana» na sua relação com o Património e museus.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 18 Nov 2018 15:08:35 +0000

 

Um Colega, a propósito do «esquema do Património» apresentado na página 2 na 5.ª coluna do Modelo Antropológico da Inteligibilidade e da Condição Humana, pediu um exemplo de aniquilamento e reconceptualização de um «Objecto».

Ora, na maioria dos museus, nas coleções que preservam, esse facto é evidente, até é quase sempre a norma. O Objecto perde o Uso e o Valor/Finalidade que tinha antes de ser incorporado. Passa a ser Património. E essa memória é codificada e transmitida aos presentes e vindouros. É aliás esse trabalho que justifica a pertinência dos museus e de outras infraestruturas patrimoniais.

Outro exemplo, desta mudança de paradigma e de reconceptualização do «Objecto», pode ser observada nas mudanças ocorridas no Sistema de Unidades de Medida Legais (Sistema Internacional de Unidades/SI) definidos pelas sucessivas Conferências Gerais de Pesos e Medidas. Que em Portugal remontam à Lei de Almeirim de 26 janeiro de 1575, sucessivamente modificadas pelos: Decreto de 13 dezembro 1852; Lei de 19 abril 1876; Lei n.º 1850 de 5 março 1926; Decreto-Lei 427/83 de 7 dezembro; Decreto-Lei 320/84 de 1 outubro; Decretos-Lei 222/88 e 223/88 de 28 junho; e Decreto-Lei 238/94 de 19 setembro.

A mudança nas Unidades de Base (comprimento, massa, tempo, intensidade de corrente eléctrica, temperatura termodinâmica, quantidade de matéria, intensidade luminosa) reflectem com nitidez a reconceptualização do conceito de Objecto e de Real.

Recentemente, em 16 de novembro 2018, na 26.ª Conferência Geral de Pesos e Medidas realizada em Versalhes (França), os Estados membros votaram a redefinição da Unidade de Medida do Quilograma, que passará a ser calculado com base na “constante de Planck” em vez do cilindro de platina e irídio guardado em Saint-Cloud (Paris) na cave da sede do Comité Internacional de Pesos e Medidas. E foi proposto para breve a mudança noutras Unidades de Medida Básicas, concretamente o ampere (medida da corrente elétrica), o kelvin (medida da temperatura) e o mole (medida da quantidade de substância).

Em Portugal, e de acordo com o actual Sistema Internacional de Unidades (SI), o Tempo é calculado com base na “duração de 9192631770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133”; e o (Espaço) Comprimento é calculado com base no metro concebido como “o comprimento do trajecto percorrido no vazio pela luz durante 1/299792458 s.” (Decreto-Lei n.º 238/94, de 19 setembro, Anexo, alínea 1.1).

Ora as mudanças agora propostas nas outras Unidades de Medida vão no sentido de alterar o conceito de «Objecto» baseado no paradigma da Física Clássica em direção ao paradigma Quântico (Planck e outros), tal como está referido na 1.ª coluna nas páginas 3 e 4 do Modelo Antropológico da Inteligibilidade e da Condição Humana. Esta passagem de um conceito mimético e sensorial para um conceito de medida «derivada», mostra uma mudança de nível de complexidade humana baseada na logaritmicidade, tal como está referido no último quadro na 2.ª coluna na página 5 do Modelo.

A consequência não é de desprezar. Porque muitos dos «Objectos» a que se chamava «imateriais» (ou aqueles a que chamei «Sensíveis») passam a poder ser medidos, pesados e calculados. Ou seja, mudam do estatuto de «imateriais» para «materiais». Por exemplo, uma «Imagem», passa a pode ser medida, pesada e calculada através da «constante de Planck», pois estamos a falar de unidades de medida que medem os átomos, as sub-partículas e os fotões. A Escala do Real (Realidade) muda de paradigma, faz com que parte da imaterialidade se transforme em Objectos formais, medíveis e quantificáveis.

Assim sendo, estamos a assistir ao nascimento de «novos Objectos», que em breve substituirão os anteriores (nas tais 3 a 4 gerações como afirma P. Descola). E cuja escolha depende do Valor/Finalidade que se passa a perseguir, tendo em consideração o objectivo de Sobrevivência/Continuidade no universo/existência. Não é um mero arbítrio filosófico ou cultural, é uma escolha entre a maior ou menor probabilidade de a espécie sobreviver perante o entrecruzamento com a galáxia de Andromeda (da qual nos aproximamos à velocidade de 300 quilómetros por segundo) e de outros fenómenos naturais do mesmo tipo.

Uns escolherão um caminho, outros outro. Mas essas escolhas (Cognição) provavelmente serão relevantes para quem desaparecerá ou permanecerá.

Mas também para acentuar as assimetrias entre os países, as culturas, e os seres actualmente designados por «humanos». Portanto, quando se aborda este «Modelo Antropológico da Inteligibilidade e da Condição Humana, na sua relação com o Património e museus» não se está a falar de coisas sem importância para o presente e futuro da «acessibilidade ao Património e aos museus», ou para a necessária reforma das políticas públicas de Património.

Este Modelo, tal como ficou bem evidenciado durante o Debate, é muito mais uma ferramenta para usar no trabalho prático, que nasceu do trabalho prático diário e quotidiano em museus, do que uma teoria. Embora também o possa a vir a ser.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 




Attachment: ANEXO Modelo Antropológico da Inteligibilidade e da Condição Humana por Pedro Manuel Cardoso 1986 2018.pdf
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