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[Museum] ENC: O livro mais antigo da língua portuguesa tem 530 anos

To :   "histport" <histport@uc.pt>, "museum" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] ENC: O livro mais antigo da língua portuguesa tem 530 anos
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Sat, 23 Feb 2019 16:51:53 -0000

         Agradecendo ao Amigo e Confrade Cervaens a informação, que partilho.

 

                   J. d’E.

 


De: José António [mailto:cervaens73@gmail.com]
Enviada em: quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019 00:03
Para: José d'Encarnação
Assunto: Re: [Museum] O livro mais antigo da língua portuguesa tem 530 anos

 

Caro Professor e Amigo

 

Tanto quanto sei não foi posta em causa a prioridade do Tratado de Confissom descoberto por Tarcísio Trindade e depois objecto deestudo e  comunicação pelo Prof. Pina Martins. 

De qualquer modo Chaves está sempre em primeiro lugar !

 

"O Tratado de Confissom, impresso em Chaves em Agosto de 1489, foi descoberto em 1965 por Tarcísio Trindade, alfarrabista natural de Alcobaça. Pina Martins publicou-o em edição diplomática em 1973 com um estudo introdutório. Em 2003 foi objecto de uma edição semi-diplomática e de um estudo linguístico, a cargo de José Barbosa Machado.

O Tratado de Confissom, o primeiro livro impresso em língua portuguesa que se conhece, é uma obra de cariz pastoral dirigida aos sacerdotes com a responsabilidade de ministrar o sacramento da penitência, ou seja, a confissão.

Desconhece-se o seu autor, talvez pelo facto de ao único exemplar existente (Biblioteca Nacional de Lisboa) faltar a página de rosto.

A presença de diversos castelhanismos no texto faz suspeitar de que a obra seja a tradução de uma obra castelhana até ao momento não identificada."

Abraço

José A. Rodrigues

 

On Tue, Feb 19, 2019 at 8:16 PM José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt> wrote:

 

 

É o livro impresso mais antigo escrito em português e foi produzido em Chaves, no Norte de Portugal. Uma verdadeira joia da língua portuguesa..

Por

 VxMag

Ao contrário do que muitos possam pensar, o primeiro livro impresso em Portugal na língua portuguesa não foi produzido em grandes cidades como Lisboa, Porto, Braga ou Coimbra. O livro impresso mais antigo em português foi produzido em Chaves, uma pequena cidade no norte de Portugal.

Para quem desconhece a história desta pequena cidade, será difícil perceber as razões pelas quais terá sido aqui que o primeiro livro português foi impresso. Mas Chaves, na altura, era um centro cultural de relevo, muito por causa de ser uma cidade por onde passavam muitos dos peregrinos que faziam o Caminho de Santiago. Chaves possuía, também, uma escola de cirurgia (uma das primeiras de Portugal), o que atesta a dimensão e a importância desta pequena cidade transmontana.

Chaves

A impressora inventada por Gutemberg trouxe o surgimento da técnica conhecida como “tipografia”. O primeiro livro impresso tipograficamente foi a Bíblia, em latim. A confiabilidade no texto e a capacidade do livro atender à demanda de um público cada vez maior tornou-se dependente da tipografia. Em Portugal, a novidade chegou no início do reinado de D. João II, que governo o país de 1481 até sua morte em 1495. O primeiro livro impresso em Portugal foi o Pentateuco (os cinco primeiros livros do Velho Testamento, da Bíblia), na cidade de Faro, mas com caracteres hebraicos.  Não se sabe com exatidão qual foi o primeiro livro realmente publicado em língua portuguesa, mas muitos estudiosos consideram que tal livro tenha sido “O Sacramental”, de Clemente Sánchez de Vercial.

Ponte de Trajano

Ponte de Trajano (Chaves) – Fernando Ribeiro

O que se tem como informações concretas sobre “O Sacramental” é que sua primeira edição foi impressa em 1488 na cidade de Chaves, mas o autor não era português. Ele era um padre de León, uma província da Espanha. O Sacramental foi escrito por Clemente Sánchez de Vercial. um clérigo leonês que viveu entre o século XIV e o XV e que escreveu várias obras religiosas e moralizantes. A primeira impressão portuguesa terá ocorrido em Chaves em 1488. O Sacramental foi um dos livros mais lidos durante o século XV, tendo sido proibido pela Inquisição no século XVI e consequentemente queimado. Teve várias edições impressas em língua castelhana e portuguesa. Descubra o livro mais antigo da língua portuguesa.

Chaves

Chaves

O Sacramental de Clemente Sánchez de Vercial, obra pastoral redigida entre 1421 e 1425 em língua castelhana, depois dos livros destinados ao ofício religioso, foi o livro mais impresso na Península Ibérica, desde a introdução da imprensa até meados do século XVI. A primeira impressão portuguesa terá ocorrido em Chaves em 1488, mas não existem provas concretas que suportem esta tese. O incunábulo d'O Sacramental impresso em Chaves é considerado por alguns «o primeiro livro em língua portuguesa impresso em Portugal».

Sacramental

Segundo Vindel, teria sido o primeiro livro impresso em Espanha; cerca de 1470 em Sevilha. Foi traduzido para o catalão – Lo sagramental – em Lérida, 1495. Conhecem-se treze edições em castelhano, uma em catalão e quatro em português. Das edições em português, duas foram impressas no século XV (Chaves, 1488 (?); e Braga (?), ca. 1494-1500 e duas no século XVI (Lisboa, 1502; e Braga, 1539).

Sacramental

O Sacramental é um depositário da forma como deve viver o homem medieval, tratando a alimentação, as relações familiares, as relações sociais, a relação com Deus, o trabalho, o descanso, a saúde, a doença e a sexualidade, o que faz dele um documento indispensável para o estudo da sociedade medieval portuguesa.

Assim começa o livro:

«E por quanto por nossos pecados no tempo de agora muitos sacerdotes que hão curas de almas não somente são ignorantes para instruir e ensinar a fé e crença e as outras cousas que pertencem à nossa salvação, mas ainda não sabem o que todo bom cristão deve saber nem são instruídos nem ensinados em a fé cristã segundo deviam, e o que é mais perigoso e danoso, alguns não sabem nem entendem as Escrituras que cada dia hão-de ler e trautar.

E porende, eu Clemente Sánchez de Vercial, bacharel em leis, arcediago de Valdeiras em a igreja de León, ainda que pecador e indigno, propus de trabalhar de fazer uma breve compilação das cousas que necessárias são aos sacerdotes que hão curas de almas, confiando da misericórdia de Deus.»

 

 

 

 

 

 



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