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A nossa proposta foi bem acolhida.
Antecedeu-a o encontro histórico que promovemos na Pastelaria «Benard» na rua Garrett 104 (Chiado, Lisboa) em 17jan2019.
No dia 27 de fevereiro de 2019 iniciou-se na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa a
Patrimologia da Motricidade Humana. Isto é, a “Museologia das Atividades Físicas Humanas”, tendo por horizonte um eventual “Museu das Atividades Físicas Humanas”. Iniciaremos esse projeto científico, patrimonial e museológico com
um primeiro Curso de Pós-graduação em Gestão do Património no âmbito da recente
Resolução da Assembleia da República n.º 54/2017, de 29 de março, resultante da
Conferência Parlamentar que proferirmos em 19abril2016 e da proposta fizemos em 20abril2016 à
Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.
Trata-se do início da “Gestão do Património das Atividades Físicas Humanas”. Do
património do Corpo que realiza e age. Em vez do «património daquilo que é apresentado na abstração dele». O
património do Corpo que realiza as obras, a linguagem, os objetos, e todas as outras Coisas-humanas-do-Mundo.
Uma separação sem sentido. Que nos obrigou a iniciar esta parte humana que degeneraram e delapidaram com a insana rutura entre
material vs imaterial. Até fizeram fichas documentais para uma e para a outra parte; e outras maldades ainda piores.
As corporações e instituições no domínio da arte, arquitectura, etnologia, arqueologia, gestão, turismo, e outras, não permitem que haja uma
Museologia fora dos territórios das suas jurisdições académicas e profissionais. Exigem que a
Museologia exercida nos seus domínios (reinos) seja feita apenas por elas. Um pouco como nas
Ordens Profissionais em que é necessário um segundo exame fora da Universidade para se ter licença para exercer a «profissão» na Sociedade. Uma herança que vem da época medieval.
Basta consultar os sítios da internet da DGPC ou da DGLAB relativos à oferta de cursos e formações em museologia para se constatar essa realidade.
Em Portugal, salvo erro, há apenas uma universidade que confere o grau académico de «3.º ciclo» especificamente em
Museologia (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias). As outras
museologias ficaram sempre limitadas à realidade particular de aplicação a cada um desses vários domínios particulares em que se decidiram acantonar.
Tal como temos vindo a referir, apenas com a substituição da Museologia pela
Patrimologia se conseguiria um novo avanço científico e metodológico na
Gestão do Património. Mas nem o ICOM, o ICOFOM, ou as outras organizações responsáveis pelo Património, estão disponíveis para essa (necessária)
mudança.
Nessa perspetiva, e perante este atual status quo (que não mudará nas próximas décadas) há um domínio da atividade humana que há muito exigia também uma museologia específica e especializada. Refiro-me ao domínio do Património das
Atividades Físicas Humanas --- o uso biomecânico do corpo, da anatomia e da fisiologia humana na construção e produção das obras, factos, objetos, e bens móveis, imóveis, imateriais e digitais --- que integram a ergonomia, reabilitação, performance,
gestualidade dos ofícios e dos artefactos, escrita, linguagem verbal e não-verbal, rituais, música, dança, teatro, drama, jogo, desporto, e todas as outras motricidades relativas às dez heteronimidades humanas.
A necessidade desta Patrimologia da Motricidade Humana (museologia) justifica-se pelo atual processo antropológico de «mutação do Corpo» (vejam-se os avanços na biologia sintética,
crispr-iCas, regeneração celular de tecidos e órgãos, robots e próteses nanomoleculares, e outras mudanças no corpo até há pouco considerado «natural») e pelas obras, personagens, avatares e outros objetos digitais que foram criados com fotões e electrões
na física quântica da rede (www). É essa mudança que exige que captemos a historicidade dessas
formas e desses processos comportamentais biomecânicos (anteriormente «herdados» e «codificados», e tidos por «naturais») que se estão a transformar.
Um Projeto que, finalmente, liga o Património às ciências da Vida e do comportamento humano, em vez de continuar a ser estudado como um mero atributo cultural, histórico, económico, político, curatorial, decorativo ou estético. Abrindo-se a um novo paradigma
interdisciplinar que liga as ciências naturais e exatas às ciências sociais e humanas. Um estimulante caminho, que se iniciará pela primeira vez no âmbito do Ensino Universitário de modo consistente, integrado e sistemático. E que se espera que forneça ferramentas teóricas e metodológicas para a investigação científica e para a gestão desse Património. Os professores e formadores serão um conhecido professor catedrático, um conhecido escritor e professor, um conhecido investigador, um conhecido jornalista e professor universitário, e um conhecido antropólogo e museólogo. Pessoas que há muito se preocupam com esse Património, e têm prémios e obra publicada.
Pedro Manuel-Cardoso |