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Gonçalo de Carvalho Amaro escreveu, um muito oportuno e pertinente artigo no jornal
Público (Ípsilon) em 19out2019. Intitulado, “Museus, as narrativas sobre o passado e a falta de meios”. Relaciona o caso dos atuais museus em Portugal com a problemática de “o
papel do historiador nas democracias contemporâneas e (….) as narrativas e a difusão da história”.
Os problemas que aponta e as soluções que propõe para as lacunas nos museus portugueses são pertinentes; e (felizmente) colhem a concordância de um cada vez maior número de responsáveis e especialistas em museologia
e património. A sua atitude conciliatória, prudente, não disruptiva (tentando estabelecer uma ponte entre o
possível e o desejável) é compreensível.
O “problema narrativo” que muito bem refere, tem efetivamente consequências no modo como o
Visitante pode levar a ter a tal “ideia de medievalismo dos museus portugueses”.
Mas há uma parte, talvez a mais difícil de aceitar, que é também a causa do problema. Do qual o artigo, paradoxalmente, é um exemplo. Refiro-me à insistência,
sempre nos mesmos autores e referências bibliográficas que as atuais faculdades usam para formar os especialistas em museologia e património. De que são exemplos o “Summer School do Instituto de História
Contemporânea” ou o “Words Matter” de Wayne Modest que referiu. A insistência desmesurada e radical no Relativismo Cultural, como opção
epistemológica, é também uma das causas do “modo como se constrói a narrativa sobre o passado”. E é também, em parte, uma das causas do “problema narrativo” no caso português.
Porque as duas coisas que referiu não estão desligadas. A que se refere ao problema de “refletir e descobrir fundamentos gerais a respeito do histórico
e, além disso, sobre o alcance explicativo do seu próprio trabalho” (como referiu a propósito de Julio Aróstegui); e a que se refere à possibilidade de “atrair técnicos capacitados” e “novas
pessoas para os museus (também para reescrever conteúdos)”. A questão teórica e metodológica provoca a questão prática, e vice-versa. São duas faces do mesmo problema narrativo e expográfico (problema linguístico e comunicacional) que afeta os
museus portugueses (e as instituições patrimoniais congéneres, a que o ICOM os equipara).
Alargar o estudo e a reflexão sobre o Património e “museus” a outros paradigmas de conhecimento e a outros autores seria, porventura, tão importante como pedir financiamento e investimento ao Estado. Porque um
novo modo e pedir, e uma nova justificação epistemológica, poderiam ter mais sucesso. Inclusive para estabelecer uma nova parceria entre a iniciativa privada e a responsabilidade pública, com consequências diretas no vínculo laboral e remuneração dos
atuais e potenciais candidatos (pessoas e empresas) a protagonistas da Mudança.
Pedro Manuel-Cardoso
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