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O artigo de Sophie Chao (professora da Universidade de Sydney) publicado na
Sapiens.org em 2019 começa assim: “In West Papua, Indonesia, both conventional and «green» palm oil projects dispossess and exclude Indigenous people from their lands (….)”.
Intitulou-o de: “The Truth About «Sustainable» Palm Oil”.
Percebemos que as palavras são manipuladas pelos perpetradores. E isso dói e entristece. Mas há algo pior.
Nas palavras de lamento e impotência dos que sofrem o esbulho há um sofrimento ainda mais pungente e doloroso do que a perda e a expropriação forçada a que estão habituados.
Do que mais se queixam é de… nem sequer puderem trocar
as suas HISTÓRIAS com os exploradores.
Nem sequer isso. Essa tristeza é pior do que a dor sentida pelo roubo dos bens materiais e dos recursos endógenos.
Trocar e partilhar «histórias».
Esta dimensão patrimonial da vida humana é a lição etnográfica que Sophie Chao nos oferece no artigo, e que ajuda a compreender a essência do Património.
Talvez até pudéssemos formular a hipótese de uma «Filogenia do Património». Iniciando-a no fenómeno físico da
Histerese (reminiscência), passando pelo fenómeno biológico da Memória (codificação ADN), até à fase sociocultural do
Património (gestão da Relevância a transmitir aos presentes e vindouros).
Pedro Manuel-Cardoso
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