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O ser-humano (definido como cada qual desejar) ao ter conseguido inventar uma máquina que superou as que herdou --- concretamente, as da Histerese (herança física) e as da Memória (herança biológica e bioquímica) --- à qual chama «Museu» (arquivo, biblioteca, base-de-dados, etc.), não passa a ser obrigado a dar-lhe a missão de ser, pelo menos em parte, uma máquina para a instabilidade humana?
Porque, se com os «Museus»
(com essa máquina, que continua a ser capaz de prosseguir a estratégia de
vida eucariote inscrita no programa bioquímico codificado no núcleo da célula)
evita a perda do valor e relevância daquilo que criou e conquistou, então, em termos lógicos e antropo-lógicos, a invenção dessa máquina
(museu) permite-lhe a viagem pela descoberta, pela experimentação e pela mudança sem receio da perda, do aniquilamento, ou do esquecimento.
Assim sendo, talvez os Museus que não forem para a Instabilidade jamais possam ser verdadeiramente
Museus? Porque, sem esse trabalho para o instável e para a transformação talvez seja legitima a interrogação sobre se, de facto, estarão a cumprir a sua missão, função e ética?
Pedro Manuel-Cardoso |
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