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Como habitual, antes da horda desenfreada de turistas assaltar (assassinar) a Brasileira, lá tomei o café. Naquele sítio do balcão onde se consegue ver uma nesga do Tejo.
A “Menina da Brasileira” (como a própria insiste em dizer) tinha regressado de um longo calvário de problemas de saúde, com origem na tiroide. Ficámos à conversa, apenas interrompida por outro habitual,
que também lhe deu as boas-vindas. “Já somos dois”, dissemos.
São cinquenta e seis anos de Brasileira. O filho e o neto vão-lhe sucedendo, nos intervalos que as maleitas de saúde a impedem. Três gerações de olhares, de uma história de Lisboa que está prestes a perder-se.
Um tesouro, ali, escondido na pressa quotidiana da troca de sorrisos e afetos.
Quantas cigarrilhas não fumei, no banco do largo de São Carlos, de costas para o Belcanto, compradas no seu quiosque, enquanto escrevia milhares de textos?
Hoje, 23 de julho de 2019, contou-me mais uma “história da Brasileira” (uma história de Lisboa);
E tantas outras histórias.
Talvez alguém da DGPC pudesse recolher este
Património.
Mas, por favor não cometam a ofensa de chamar-lhe
Património Imaterial. Isso seria uma ignomínia que fariam às Pessoas, à Memória e ao Património.
Pedro Manuel-Cardoso |
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