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Carlos Carreiro, o insubmisso
“Ele faz assim uma pintura política, mas não partidária, não obedecendo às palavras de ordem contingentes.”
Em “Lirismo e Sarcasmo”, de Egídio Álvaro para o catálogo da exposição de Carlos Carreiro na Galerie Diagonale, Paris, em 1977.
“Um quadro é um quadro, antes de tudo. (…) Mas se há um antes de tudo, há, com certeza, um depois disso. Isto é: tudo. Aí navega, com todo o direito e principalmente, Carlos Carreiro.”
Em “Encenações Ilustradas da Comédia da Vida”, de Rocha de Sousa para o livro de 1992 “Carlos Carreiro: Pinturas”.
Quando me debruço sobre a extensa obra de Carlos Carreiro, a primeira ideia que me assalta é a de que comece eu a analisá-la pelo momento que começar, a sua pintura é, simultaneamente, sucessora e antecessora relativamente ao que foi e ao que virá a ser a sua produção artística. Esta continuidade só é possível, porque os pressupostos artísticos de Carlos Carreiro são de uma inequívoca coerência.
O processo de Carlos Carreiro é revelador desta continuidade na medida em que a sua pintura, tendencialmente narrativa dentro de cada obra e de obra para obra, muitas vezes se desenvolve por séries que atravessam várias décadas. Assim, num vai e vem prodigioso, vamos detetando nas suas composições a utilização regular de alguns elementos e personagens: o ovo, os doces, o limpa-metais Coração, o carro, os animais fantásticos, as arquiteturas labirínticas, a flora luxuriante, o príncipe, a dona de casa, o homem de negócios.
(…)
Raquel Guerra
Setembro de 2019
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