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Luís Raposo bem se esforça. Muitos de nós também. É por isso que vou fazer a exposição
Out-In em outubro. Exatamente para enfrentar essa imprescinbilidade, ou não, do “atual Museu”. Para tentar obter
o que lhe pode continuar a dar Vida.
Mas podemos colocar a questão ao contrário:
Museus: o que lhes vão fazer agora?
Para que necessitamos, doravante, dos Museus? Não
vemos e compreendemos melhor o Objeto e a Exposição num ecran ligado às informações de uma base-de-dados na Internet? Não vemos, até, pormenores que o nosso sistema perceptivo não consegue detectar no
original? Nem temos de pagar bilhete, ficar em filas, nem nos deslocarmos.
Um edifício tão grande para quê? Não bastava uma Reserva Visitável, num sítio central, que conservasse o acervo de vários museus, e permitisse o carregamento de conteúdos digitais para esses
ecrans, e a investigação e documentação feita pelos especialistas?
O que vão doravante fazer a esse desperdício e excesso infraestrutural e arquitectural? Irão transformá-los em cafés e salas de espectáculo? Provavelmente.
Depois de poderem ter sido apenas
digitais e informativos em tempo de Covid-19, alguma vez o poder político os deixará de obrigar a ser assim, por causa da poupança em recursos humanos e financeiros?
Na referida exposição do Impronuncialismo é isso que pergunto: «De todos os objetos, artefactos, imagens ou documentos existentes nas coleções
e acervos de todos os museus, quais os que não permitem ser digitalizados, robotizados, copiados, automatizados, algoritmizados, impressos e ensinados?
Pedro Manuel-Cardoso
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