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1. As imagens dos corpos entubados, que os colegas da Universidade de Yale enviaram, são pungentes. Demolidoras. O nosso debate prolongou-se com os colegas do Max Planck Institute,
e outros. São imagens icónicas de um tempo histórico que perdurará na nossa Memória colectiva.
2. Por causa dessa sua dimensão patrimonial talvez valha a pena partilhar o debate no domínio dos “Museus”.
3. Trata-se de O FIM DO CORPO… Tal como o Impronuncialismo o vinha há muito dizendo. E repeti na conferência na SPAE em 3dez2016.
4. O
Covid-19, tal como mostram aquelas imagens dos corpos entubados no hospital enviadas pelos médicos de Yale, marca o fim deste corpo anatómico e molecular que herdámos do
homo sapiens sapiens.
Não porque ainda não se mantenha por algum tempo (apesar de, doravante, cada vez mais manipulado e transformado artificialmente). Mas porque o
Covid-19 nos fez definitivamente afastar dele em termos filosóficos e emocionais. A procura de «um novo corpo», de «uma nova casa» (suporte), é, de todas as causas da mudança neste
século 21, a que mais será responsável pela nova transformação da Sociedade e dos seres humanos. A que guiará os investimentos dos países mais poderosos.
5. Um novo tempo Político se institucionará. Não haverá nenhum sítio em que não sejamos vigiados, ouvidos e vistos.
6. Perante este controlo e vigilância digital, perante esta omnipresença cruel, anti-democrática e xenófoba, que, doravante, no pós-Covid, o poder político e económico nos condenará,
o que fazer?
7. Não há nenhum sítio físico onde possamos escapar.
8. A única maneira de escapar a esta ditadura anti-democrática será, conceptualmente,
matar o corpo.
9. Matá-lo pela transfiguração imagética e pela transformação bioquímica. Ou seja, dar a nossa evidência (a evidência daquilo que as máquinas conseguem vigiar) como uma personagem
construída artificialmente. Dar-lhes isso para consumirem enquanto equivalente ao «Nós». Sermos um Outro de Nós Mesmos.
10. Espera-se que no pós-Covid os “Museus” saibam (e possam) fazê-lo. Embora duvide que, sobretudo o poder político que apadrinhará este novo regime panóptico e censório
pós-Covid, o permitam.
11. Os colegas do
JRAI (Journal of the royal Anthropological Institute) anunciaram recentemente a tradução do texto de Ludwig Wittgenstein (“The Mythology in our Language, remarques on Frazer’s Golden Bough”) e colocaram na capa “The Wicker Image” (https://haubooks.org/the-mythology-in-our-language/).
No debate que se proporcionou a seguir, voltei a referir:
12. Perante este desafio (que Iser, Plessner e outros, tinham alertado após a
1.ª Grande Guerra) qual deve ser o fazer Cultural e Patrimonial? Quais as Relevâncias (isto é, os critérios que classificam os
objetos e as coisas de «património») que doravante substituirão as anteriores? Quando o ICOM-PT ou Europeu propõe ao ICOM-Internacional a substituição da designação «museus» por «Património»?
13. A necessidade do «Léxico de Patrimologia» torna-se cada vez mais urgente. Para se saber guiar a gestão do património perante a era digital e quântica que sujeitará a Sociedade
neste século 21. Os novos sete objetos em que o Objeto se vai metamorfosear (a realidade heptadimensional do objeto patrimonial) exigem uma nova competência teórica e metodológica.
14. Que Exposição deviam, os responsáveis pelo Património, propor à DGPC para o início da nova era na gestão do património e museus em Portugal?
Pedro Manuel-Cardoso
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