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[Museum] O FIM DO CORPO? O tempo do Impronuncialismo no Património.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] O FIM DO CORPO? O tempo do Impronuncialismo no Património.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Tue, 14 Apr 2020 12:10:34 +0000

 

1. As imagens dos corpos entubados, que os colegas da Universidade de Yale enviaram, são pungentes. Demolidoras. O nosso debate prolongou-se com os colegas do Max Planck Institute, e outros. São imagens icónicas de um tempo histórico que perdurará na nossa Memória colectiva.

2. Por causa dessa sua dimensão patrimonial talvez valha a pena partilhar o debate no domínio dos “Museus”.

3. Trata-se de O FIM DO CORPO… Tal como o Impronuncialismo o vinha há muito dizendo. E repeti na conferência na SPAE em 3dez2016.

4. O Covid-19, tal como mostram aquelas imagens dos corpos entubados no hospital enviadas pelos médicos de Yale, marca o fim deste corpo anatómico e molecular que herdámos do homo sapiens sapiens.

Não porque ainda não se mantenha por algum tempo (apesar de, doravante, cada vez mais manipulado e transformado artificialmente). Mas porque o Covid-19 nos fez definitivamente afastar dele em termos filosóficos e emocionais. A procura de «um novo corpo», de «uma nova casa» (suporte), é, de todas as causas da mudança neste século 21, a que mais será responsável pela nova transformação da Sociedade e dos seres humanos. A que guiará os investimentos dos países mais poderosos.

5. Um novo tempo Político se institucionará. Não haverá nenhum sítio em que não sejamos vigiados, ouvidos e vistos.

6. Perante este controlo e vigilância digital, perante esta omnipresença cruel, anti-democrática e xenófoba, que, doravante, no pós-Covid, o poder político e económico nos condenará, o que fazer?

7. Não há nenhum sítio físico onde possamos escapar.

8. A única maneira de escapar a esta ditadura anti-democrática será, conceptualmente, matar o corpo.

9. Matá-lo pela transfiguração imagética e pela transformação bioquímica. Ou seja, dar a nossa evidência (a evidência daquilo que as máquinas conseguem vigiar) como uma personagem construída artificialmente. Dar-lhes isso para consumirem enquanto equivalente ao «Nós». Sermos um Outro de Nós Mesmos.

10. Espera-se que no pós-Covid os “Museus” saibam (e possam) fazê-lo. Embora duvide que, sobretudo o poder político que apadrinhará este novo regime panóptico e censório pós-Covid, o permitam.

11. Os colegas do JRAI (Journal of the royal Anthropological Institute) anunciaram recentemente a tradução do texto de Ludwig Wittgenstein (“The Mythology in our Language, remarques on Frazer’s Golden Bough”) e colocaram na capa “The Wicker Image” (https://haubooks.org/the-mythology-in-our-language/). No debate que se proporcionou a seguir, voltei a referir:

Against the "silence" (to which Wittgenstein and other accomplices of the erudite European Culture, they wanted to condemn us) the Impronuncialismo says: «What we cannot pronounce, does not mean that it does not exist and we cannot communicate it except by number and word». Impronuncialism is also a manifesto of rebellion against this slavery of Logic, Reason and all programs (natural or cultural) codified a priori in cognition. Impronuncialism says: «Either they let us be Other one of Ourselves, or it will be revolt. If we do not allow ourselves to be "the Being we want to be beyond what we have been so far», then we will turn the streets and museums into a place of rebellion. The «Same»... will not pass.

 

12. Perante este desafio (que Iser, Plessner e outros, tinham alertado após a 1.ª Grande Guerra) qual deve ser o fazer Cultural e Patrimonial? Quais as Relevâncias (isto é, os critérios que classificam os objetos e as coisas de «património») que doravante substituirão as anteriores? Quando o ICOM-PT ou Europeu propõe ao ICOM-Internacional a substituição da designação «museus» por «Património»?

13. A necessidade do «Léxico de Patrimologia» torna-se cada vez mais urgente. Para se saber guiar a gestão do património perante a era digital e quântica que sujeitará a Sociedade neste século 21. Os novos sete objetos em que o Objeto se vai metamorfosear (a realidade heptadimensional do objeto patrimonial) exigem uma nova competência teórica e metodológica.

14. Que Exposição deviam, os responsáveis pelo Património, propor à DGPC para o início da nova era na gestão do património e museus em Portugal?

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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