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[Museum] O Espaço nos Museus

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] O Espaço nos Museus
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Wed, 18 Dec 2019 13:49:50 +0000

 

Há alguns dias, num recente projecto, em Portugal, para uma das universidades públicas, discutíamos qual o «Espaço» necessário para construirmos um museu (neste caso, um “centro de interpretação” equiparado a «museu» pelos critérios definidos pelo ICOM).

De que Espaço precisaríamos? Quantos metros quadrados? Qual a forma do polígono que permitirá a melhor compreensão/interpretação por parte dxs Visitantes? Etc.

O que releva aqui partilhar, em termos da Patrimologia (Museologia), é a mudança que está a ocorrer (já ocorreu) sobre essa questão do «Espaço nos Museus». Porque ela afecta as decisões que se vão tomar em relação às “especificações técnicas do caderno de encargos“, “programa preliminar”, “ante-projecto”, e depois ao “projecto de execução” e a “construção da obra”.

Quando o «Museu» era (sobretudo) um “espaço de fruição e contemplação”, em que a interpretação e a compreensão se adquiriam por um processo cognitivo baseado principalmente na algoritmicidade (encadeado, sintagma, “história”, texto) era necessário um Espaço mais amplo. Isto é, um “itinerário” sensorial e experiencial onde se desse Tempo aos «receptores dos sentidos»  para captarem o “conteúdo” através do “percurso”.

Porém, quando, por causa da actual mudança tecnológica, xs Visitantes passaram a olhar para «écrans», quando grande parte da sua Vida comunicativa se passou a reger pelas “imagens” mediadas pelos aparelhos portáteis que transportam no bolso, então, ocorreu uma mudança no processo cognitivo. Ocorreu não apenas uma mudança de suporte (mediação), ou na aceleração da obtenção do “resultado” a obter com a comunicação (conteúdo). Essa mudança também afectou a necessidade de Espaço, a seleção dos Sentidos (percepção, experienciação), e o tipo lógico de cognição. A algoritmicidade passou a exigir mais logaritmicidade (paradigma, equação, síntese, imagem).

O Espaço exigido pode diminuir drasticamente, sem afectar (em 80%) o resultado da interpretação/compreensão (tal como ocorre com a mediação feita actualmente através dos «écrans»). Perde-se o “marcador emocional” dado pela relação humana de proximidade e pela necessidade de identificar um local da experiência com cada história de vida particular. Sim, mas, em termos cognitivos perde-se muito pouco. Ora, esta mudança tem implicações enormes no custo, no orçamento e na sustentabilidade (gestão) das infra-estruturas designadas por «Museus» (com base na definição do ICOM).

Para não prolongar muito aqui a questão, o que importa debater é: «Se as exigências de «Espaço dentro do Museu» (que implicam necessariamente também o tempo da Visita) não mudaram em relação ao que se faz até ao momento nos actuais museus».

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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