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Novos dados, deveras importantes, justificam regressar à
definição de Museu e Património que apresentámos nas mensagens nº21129 e nº21133 de 17abril2020.
Nessas mensagens formulámos uma definição logarítmica. Concretamente, que o Museu (um modo de gerir o património, mais do que um edifício) e o Património (a relevância a transmitir aos vindouros, mais do que objetos
e coisas em si mesmas) deviam ser concebidos não como «coisas» mas mais como «relações».
Ora, em 22 de abril de 2020, Antony M. Jose publicou um importante artigo (Jose, A. M., 2020, “A framework for parsing heritable information”, Journal of Royal Society Interface,
doi.org/10.1098/rsif.2020.0154). A propósito do qual Kimbra Cutlip, também da Universidade de Maryland, publicou outro, intitulado “DNA may not be life’s instruction book – just a jumbled list of ingredients”.
Apraz constatar que estes dois artigos, na mudança de paradigma que propõem, vão no mesmo sentido do que andávamos a dizer desde 2008, quando formulámos o
conceito de Objeto em antropologia e património. E quando em 2011 proferimos o “Manifesto Contra a Antropologia Silenciada”. De que se devia separar «Objeto» de «Uso» de «Valor». E que o museu e o património não são as «coisas/objetos», mas a «relação»
de que elas são o pretexto, em cada época e contexto.
Agora, nestes dois artigos de 22abril2020, diz-se “entidade-sensor-propriedade”. Que a hereditariedade, afinal, não é a «coisa/objeto ADN», mas uma «relação» provocada por “ambientes-forças-configurações”.
Ou seja, não advém das moléculas enquanto «coisas», mas do “arranjo/forma/coreografia” que resulta das suas interações.
Em suma, não se trata de uma «COISA» mas de uma «RELAÇÃO».
Apetece dizer que, afinal, como Impronuncialismo constata, e ao contrário do “silêncio” a que Wittgenstein no
Tractatus nos quis condenar, a mente vai sempre à frente da Lógica, do Fazer e do Dizer. É sempre uma entidade impronunciável, por discernir antes de haver palavras para pronunciar o que (as diferenças) se descobre ou intui.
E que um debate sobre os museus e o património, hoje, justifica-se ainda mais.
Pedro Manuel-Cardoso
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