| Resumo(s): | O passado colonial ainda pesa na atualidade, quer nos países ex-colonizadores, quer nos que foram colonizados, vincando um olhar ocidental e unilateral sobre uma narrativa que é diversa, mas que subalterniza os países que estão há anos autodeterminados. Trata-se de um processo que se reporta às mentalidades, consequentemente difícil e longo, pelo que, mesmo que a descolonização tenha sido concretizada em termos administrativos, não teve correspondência ao nível mental, provocando constrangimentos e clivagens evidentes entre as partes. Neste caso concreto, encontram-se os museus nacionais que narram os feitos heroicos ocidentais, branqueando a dinâmica dos ex-colonizados, cujo papel é remetido para o “outro” do processo. É dessa forma que surge o debate sobre a necessidade de se descolonizarem os museus, num processo que está em pleno desenvolvimento e que se faz sentir, desde logo, em relação ao próprio conceito de museu, na tentativa de o tornar mais inclusivo, aberto à sociedade e promovendo a cidadania, sublinhando o seu recorte intercultural. O que passa pela aposta na diversidade e na reformulação dos caminhos da memória e das identidades forjadas numa época que está desfasada da realidade. E, por se tratar de um processo moroso, a crítica pós-colonial ainda hoje luta por uma visão que se distancie do etnocentrismo europeu. Este artigo propõe uma abordagem da lusofonia como possibilidade intercultural, transcultural, crítica e inclusiva, em oposição à globalização cosmopolita, sublinhando o Museu Virtual da Lusofonia enquanto espaço nascido de raiz, já descolonizado, e tendente ao desenvolvimento intercultural. |