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A “Inclusão e Diversidade” foi o tema escolhido em 2020 por diversas instituições responsáveis pelos Museu e Património.
Esta mensagem é apenas um contributo para esse debate.
1. Há uma evidente relação entre «Diversidade» e «Inclusão» nas sociedades humanas.
2. Porém, as ciências sociais e humanas ainda não estabeleceram os padrões dessa regularidade com objetividade científica. O que deixa os Museus e o Património numa situação de fragilidade nesse debate.
3. Para se avaliar essa relação de interdependência mútua, as seguintes perguntas talvez possam ser úteis:
4. Território e Hierarquia (sociedades territoriais vs. sociedades hierárquicas) são o CONTEXTO anterior à discussão da Diversidade e da Inclusão. Que remonta à vida social antes do aparecimento da espécie
H. sapiens sapiens, existindo abundante bibliografia.
5. Sem esse debate prévio, a questão entre Inclusão e Diversidade será sempre uma discussão falhada e não-útil.
6. Talvez os Museus e os responsáveis pelo Património, juntamente com as universidades, pudessem estabelecer uma parceria para se ajudarem mutuamente nesse debate.
7. Julgo que se poderia avançar na procura de uma
formulação matemática dessa relação entre Diversidade e Inclusão, com base nos padrões observados empiricamente. Que pudesse predizer os acontecimentos, avaliar as consequências, e gerir a proporção em cada contexto/época/circunstância.
8. Nessa equação (que seria o resumo e a matriz de todas as perspetivas diferentes possíveis) seria necessário estabelecer as seguintes diferenças de significado/valor/interpretação:
8.1. Há um intervalo de valores para a INCLUSÃO, possível de calcular num sistema de ordenadas e abcissas, entre a «Inclusão de tipo A» (Ia) e a «Inclusão de tipo B» (Ib):
8.1.1. Sendo a «Inclusão de tipo A», a que
não altera a Diversidade-de-acolhimento. Inclusão com aceitação de integração
na Diversidade de acolhimento sem exigir um estatuto autónomo ou reconhecimento especial em termos legais.
8.1.2. Sendo a «Inclusão de tipo B» a que
altera a Diversidade-de-acolhimento. Inclusão com rejeição da integração na Diversidade-de-acolhimento exigindo um estatuto autónomo e um reconhecimento especial em termos legais, fazendo disso um objetivo político e social.
8.2. Há um intervalo de valores para o TERRITÓRIO, possível de calcular num sistema de ordenadas e abcissas, entre «Território de nascença-etnia-país-cultura» (Tn) e «Território diferente do da nascença-etnia-país-cultura»
(Td).
Em conclusão,
Os Museus e o Património, tal como referi na mensagem “O Próximo Museu”, irão ser desafiados a uma nova exigência.
Os desafios que a sociedade global e digitalizada lhes irá colocar, obrigarão a uma concepção logarítmica de si próprios e do processo de gestão do Património.
Esta questão da Inclusão e Diversidade, assim como outras, mostra que os Museus não podem continuar a basear-se em opiniões pessoais de peritos; ou em opções ideológicas ao sabor das narrativas de cada facção
partidária; ou subordinadas ao poder dos grupos com mais mediatismo.
O trabalho a fazer exige um campo aberto a toda a sociedade, baseado na cooperação e partilha permanentes.
A Museum Lista que o Professor José d’Encarnação criou, é um bom exemplo dessa potencialidade.
Pedro Manuel-Cardoso
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