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[Museum] Re: Viriato e a Lusitânia: Debate sobre Inclusão e Diversidade proposto pelo ICOM em 2020 (corrigido)

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Re: Viriato e a Lusitânia: Debate sobre Inclusão e Diversidade proposto pelo ICOM em 2020 (corrigido)
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 19 Jul 2020 15:54:24 +0000

 

“INCLUSÃO e DIVERSIDADE” foi o tema escolhido pelo ICOM em 2020. Mas depressa esquecido pela maior parte das instituições responsáveis pelo património e museus perante o Covid-19.

 

Nas mensagens n.º 21200 e n.º 21234 abordámos a questão. E voltamos ao assunto devido a uma curiosa coincidência, relativa a um acréscimo recente de referências, entrevistas e artigos sobre Viriato e a Lusitânia.

 

O contributo para o debate sobre a “inclusão e diversidade no património e museus”, que apresentámos nessas duas mensagens, encontram neste recrudescimento do interesse pela Lusitânia um excelente exemplo.

 

De facto, com o aumento do poder político, económico e militar dos países do norte da Europa que dominam a dita “União Europeia” (que a crise de 2008, e agora o Covid-19, puseram a nu) --- expresso na capacidade de definirem os Orçamentos dos outros países, as cotas de exploração dos seus recursos endógenos, e o tipo de defesa das suas fronteiras --- assistimos a um regresso às antigas identidades e nações que os atuais Países (Estados), onde elas foram unificadas, já não conseguem defender nem preservar.

 

De facto, para que servem os atuais Países, se a defesa, as leis, a economia e as decisões políticas têm de ser as da “União Europeia”? Não faz sentido. E as Pessoas sentem-se desprotegidas e perdidas na sua Identidade e Cultura. O tema proposto pelo ICOM em 2020 (Inclusão e Diversidade) devia servir para os museus e os responsáveis pelo Património refletirem nisso.

 

Até que ponto vale a pena continuar a pertencer a Portugal, se quem manda e quem vai mandar é a “União Europeia”?  Esse interesse pela Lusitânia e por Viriato insere-se nesse regresso às Identidades que foram unificadas pelos Países (Estados).

 

Ora, no caso de Portugal, percebemos com clareza que existem duas grandes Identidades. Os Galaico-Portucalenses (a norte do Mondego) e a Lusitânia (a sul do Douro, incluindo a bacia do Tejo, parte da Extremadura espanhola até à Comunidade de Madrid). Ou seja, a antiga e natural divisão da Península Ibérica definida pelo designado “Sistema Central” (700 km, que vão das serras de Guadarrama e de Gredos até às serras da Malcata e Estrela).

 

Os Portucalenses (Galécios), desde o séc. IX (Vimara) a XIII (1139/1143), à conta da designada “reconquista dos mouros” (que tinham chegado apenas em 711 d.C., e não antes) aproveitaram também para “conquistar” os Lusitanos. Isto é, expulsando todos os vestígios e memória da Lusitânia da narrativa e do nome que deram ao País (Portugal / Portu Cale). Mas essa diferença, nas dinâmicas do viver quotidiano e nas falas entre as Pessoas reais permaneceram e não desapareceram, como os dados da etnografia demonstram.

 

Porém, quanto mais o conhecimento científico e histórico se aprofunda; e quanto mais a identidade e legitimidade desse Estado Português é posto em causa por uma nova Unificação (“União Europeia”), mais essa história escondida e esquecida emerge.

 

Esta questão da Inclusão e Diversidade é evitada. Mas não deixa de ser a mesma questão dos temas que estão na moda, e são tão caros à ideologia do Relativismo Cultural em ciências sociais (colonialismo, pós-colonialismo, descolonização, esclavagismo, resistência, liberdade, hibridação, multiculturalismo, etnicismo, etc.).

 

Vai ser impossível tapar o sol com uma peneira, no que se refere às duas grandes identidades portuguesas: Portucalenses e Lusitanos. Porque a Identidade não é apenas um «objeto» do Passado, é sempre uma «coisa» (concretamente, uma «estrutura e codificação inscritas no programa de sobrevivência do ser-humano») que, em todos os Presentes, se vai construindo como uma meta a alcançar no Futuro, sobretudo quando a situação contextual ameaça a Continuidade. A Identidade (i.e, aquela coisa que está sujeita à tal Inclusão e Diversidade), como o Impronuncialismo refere, é sempre o projeto que Há-de Vir, e que assola e convoca toda a energia dos de agora.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

ANTECEDENTE (mensagens nº 21200 e 21234):

  

“INCLUSÃO e DIVERSIDADE” foi o tema escolhido em 2020 pelo ICOM, e por diversas instituições responsáveis pelos Museus e Património. Na mensagem n.º 21200 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg21200.html) partilhámos um primeiro contributo.

Nesta mensagem, analisando a imagem adiante, vemos a DIVERSIDADE da Península Ibérica forjada na passagem do Mesolítico para o Neolítico (13.000 a.C. a 3000 a.C.) e antes da INCLUSÃO da influência Fenícia, Cartaginesa e Grega. A pergunta útil que os Museus e os responsáveis pelo Património poderiam fazer é: Onde está esta Diversidade?

 

1. Qual é o tamanho de TERRITÓRIO (próprio-autónomo-independente) necessário, no qual não seja permitida a Inclusão de Outros, para que haja Diversidade?

2. Qual é a quantidade e a proporção da força coerciva à submissão a uma HIERARQUIA é necessária para que a Inclusão possa ocorrer?

3. TERRITÓRIO e HIERARQUIA (sistemas e dinâmicas territoriais vs. sistemas e dinâmicas hierárquicas) são o Contexto anterior à discussão sobre “Diversidade e Inclusão”.

4. Sem esse debate prévio será sempre uma discussão não-útil.

 

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 





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