[…] Ontem, publicámos também dois artigos relacionados com arqueologia: um deles fala sobre uma investigação feita em 673 sítios arqueológicos de mais de 40 países da Europa Ocidental e da bacia do Mediterrâneo, que indica que, nos últimos 10 mil anos, os homens comeram muito mais carne que as mulheres… Uma desigualdade de género mesmo ao nível alimentar, desde o Paleolítico Superior até ao século XVIII, um período de aproximadamente 10.000 anos… uma desigualdade que explicará muita coisa… Leiam aqui. ![]()
Legenda da foto: Louise, com os seus pais Richard e Meave Leakey O segundo artigo tem a ver com a conferência que a paleoantropóloga queniana Louise Leakey vai dar no Algarve, sobre as origens da Humanidade, a convite do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve. Louise pertence a uma das linhagens mais famosas da ciência, sendo a terceira geração da família Leakey a dedicar-se ao estudo da evolução humana na África Oriental: os seus avós, Louis e Mary Leakey, foram pioneiros neste âmbito de investigação, tendo feito descobertas fundamentais na Garganta de Olduvai, na Tanzânia. Descobriram fósseis cruciais, como o Paranthropus boisei e Homo habilis, provando que a humanidade evoluiu em África. Os seus pais foram Richard e Meave Leakey, também paleontólogos de renome. Richard destacou-se por encontrar fósseis cruciais, como o Homo erectus (conhecido como "Turkana Boy"). Por seu lado, Meave foi reconhecida por descobrir uma nova espécie de hominídeo, o Kenyanthropus platyops, com cerca de 3,5 milhões de anos, desafiando conceções anteriores sobre a árvore genealógica do ser humano. A palestra de Louise Leakey é aberta ao público…e eu tenciono ir assistir. É que este tema da evolução humana e da paleoantropologia apaixona-me, desde criança. Não poderia perder uma tal oportunidade, rara, que nos é trazida pelo algarvio ICArEHB, que tanto e tão bom trabalho tem desenvolvido, inclusive em África. Leia aqui tudo sobre o seminário. A propósito de Arqueologia, e apesar de desconfiar que quem lê esta newsletter não é tão apaixonado pelo tema como eu, gostaria de sugerir a escuta do podcast «Comunicar Arqueologia», de Sara Cura, que pode ser seguido aqui. «Cozinhar Tartarugas no Paleolítico» ou «Muda a dieta, muda a linguagem?» são alguns dos temas mais recentes. Sou subscritora do podcast da Sara Cura já há algum tempo e divirto-me sempre a ouvir aquilo que ela – ou os seus convidados - têm para dizer. O que a Sara faz é boa comunicação de ciência, algo que nos faz muita falta, até para eliminarmos ideias preconcebidas, noções erradas e teorias da conspiração que proliferam como nunca neste nosso mundo meio louco. Tenha uma boa quinta-feira! |