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[Archport] Boletim Digital Junho

To :   "histport" <histport@uc.pt>, "museum" <museum@ci.uc.pt>, "archport" <archport@ci.uc.pt>
Subject :   [Archport] Boletim Digital Junho
From :   José D´Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Thu, 4 Jun 2026 11:58:57 +0100

junho 2026

Museu Nacional de Arqueologia

03

 

EDITORIAL

 

Dia Internacional dos Museus: Unidos por um Mundo Dividido

 

Todas as efemérides que celebramos no Museu Nacional de Arqueologia, desde que encerrámos ao público, em abril de 2022, têm uma camada especial de significado. O tempo começou logo a fazer-se sentir com a responsabilidade acrescida de honrar a tarefa de remodelar o Museu e de garantir a sua reabertura, mantendo, ao mesmo tempo, o diálogo com uma comunidade cada vez mais exigente e multicultural.

Datas como o Dia Internacional dos Museus (DIM) são, assim, pontes de ligação direta entre o MNA e o público, em que a cumplicidade ultrapassa o digital e se reforça no encontro presencial. São momentos em que, por um lado, pesa a cadência do tempo - estamos encerrados já há quatro anos - mas, por outro, demonstram que estamos quase a terminar a 1.ª fase da obra, em fase de preparação da 2.ª fase e, por isso, também mais perto do tão desejado resultado. 

Ao mesmo tempo, o Museu, como instituição orgânica e permeável ao seu contexto, também se altera e se renova, em que a remodelação ultrapassa os limites físicos e chega ao domínio do conceptual. Por isso, neste DIM, assistimos à estreia do novo serviço de Mediação, Acessibilidade e Inclusão, e de uma abordagem mais comunitária e participativa, como se espera de um Museu comprometido com a coesão social e equidade cultural.

Em cada ação que programamos, celebraremos sempre os Museus como espaços de humanidade, mas também o progresso das empreitadas de remodelação do MNA e, especialmente, a confiança com que o público tem acompanhado o caminho que temos feito em direção ao Futuro. 

António Carvalho, Diretor

AGENDA

 

JORNADAS EUROPEIAS DA ARQUEOLOGIA 2026

 

 

Fotografia Dryas / Octopetala 2026

 

1)

 

O QUE ACONTECE DENTRO DE UM MUSEU EM OBRAS? | VISITA ORIENTADA

 

António Carvalho, Diretor do MNA, convida a redescobrir o Museu Nacional de Arqueologia na atmosfera única da sua remodelação. Participam Marco Costa, conservador restaurador, para apresentar os trabalhos de limpeza e conservação das fachadas, interpretando as diferenças entre as marcas do tempo e os danos causados pela poluição e infestação por espécies vegetais; e Miguel Almeida, arqueólogo e diretor científico das escavações que acompanham a obra, para revelar muitos dos segredos que têm sido desenterrados.

 

Museu Nacional de Arqueologia
12 de Junho 10h30

Inscrição gratuita para mediacao@museuarqueologia.pt

2)

 

ARQUEOLOGIA JOVEM | OFICINA

 

Juntem-se à equipa de conservação e restauro do Museu e descubram como é que um objeto se torna num artefacto com valor museológico. Através do contato direto com peças de diversos materiais e tempos históricos, vamos sensibilizar para o trabalho do Museu, dando a conhecer as técnicas de preservação do património e as boas práticas de manuseamento e conservação dos bens culturais.

 

Museu Nacional de Arqueologia
15 junho 10h30

Público alvo +15 anos

Inscrição gratuita para mediacao@museuarqueologia.pt

 

3)

 

MNA E A ARQUEOLOGIA PREVENTIVA | CONFERÊNCIA

 

Que segredos se escondem nas paredes e debaixo do chão que pisamos?
Miguel Almeida, diretor científico das escavações que decorrem no interior do Museu desde o início da obra, partilha as metodologias de trabalho utilizadas, destacando a importância das novas tecnologias para a obtenção de resultados ainda mais rigorosos. Numa linguagem científica, mas acessível, esta é a oportunidade de conhecer “por dentro” o museu que é de todos.

 

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (sala a confirmar)

15 junho 17H00

Entrada livre

EM VIAGEM

 

LA TIERRA DEL ORO BLANCO

 

O MNA participa na exposição “La Tierra del Oro Blanco”, no Museo Centro Gaiás, em Santiago de Compostela (Espanha), comissariada por Xosé-Lois Armada. Pela primeira vez, variadísimas peças de ourivesaria arcaica vão ser apresentadas num enquadramento europeu, destacando as suas ligações aos contextos atlântico, mediterrânico e continental. Para esta mostra, vamos ceder temporariamente 16 Bens de Interesse Cultural tais como torques, braceletes e arrecadas.

 

outubro 2026 - abril 2027

Museo Centro Gaiás (Santiago de Compostela, Espanha)

 

+ info

 

 

Bracelete de ouro / Idade do Bronze Final / Adquirida por Manuel Heleno em 1934 / Au 193

 

 

Matriz em bronze / Castro da Azougada, Moura / Finais 1ª Idade do Ferro - Inícios 2ª Idade do Ferro / 995.30.7

ENTRE NÓS

 

A escolha de Rita Matos

 

A conservadora-restauradora integra a equipa do Laboratório de Conservação e Restauro do MNA desde 2006. Todos os dias, as suas mãos recuperam objetos marcados pelo tempo, devolvendo memória a peças que atravessaram séculos de história.

Elegeu como peça preferida esta matriz (um carimbo) em liga de cobre, proveniente do sítio arqueológico do Castro da Azougada, escavado em 1943. A sua escolha prende-se com o fato de esta peça testemunhar uma técnica artesanal de estampagem utilizada, na época, para criar padrões decorativos, neste caso, de um bovídeo. Rita Matos foi a responsável pela limpeza, estabilização e conservação deste bem cultural.

SEM RESERVAS

 

Vinte e oito anos depois, voltamos a olhar para esta lápide. Conservada na reserva desde a exposição “Portugal Islâmico. Os últimos sinais do Mediterrâneo” (1998), revela-se, novamente, trazendo consigo ecos de uma utilização plena de significado.

Trata-se de um fragmento de uma lápide funerária que contém um versículo do Corão: “Que a vida deste mundo não vos perturbe e que o sedutor não vos seduza a respeito de Deus”. Seria dedicada a um Vizir, cujo o nome se desconhece, pois subsistem apenas algumas letras do nome. A sua proveniência surpreende. Foi recolhida em 1905 em S. Tomé de Aguiã, onde se encontrava no sacrário da igreja paroquial, servindo de base a uma píxide (vaso sagrado). Poderá ter sido trazida do Sul, possivelmente como saque de guerra, no contexto da conquista cristã. A sua colocação nesta igreja pode simbolizar a vitória dos cristãos sobre os muçulmanos.

 

Inscrição Funerária em mármore / Arcos de Valdevez (Braga) / Séc. XIII / E 6569

 

 

NO LABORATÓRIO: ANTES E DEPOIS

 

Esta balança romana é composta por uma estrutura em liga de cobre. A intervenção incidiu em procedimentos mecânicos e químicos: remoção de reintegrações cromáticas, estabilização da corrosão do busto, inibição da corrosão da balança, proteção final da superfície e reforço da corrente que sustenta o contrapeso com fio de nylon.

 

Este artefacto é um dos que integra o conjunto de 15 bens, dos quais 4 estão classificados como Bens de Interesse Nacional, selecionados para integrar a exposição internacional “A la sombra de Vulcano. Bronce Romano en Hispania”, organizada pelo Museo Nacional de Arte Romano, em Mérida, e patente de 20 de novembro de 2026 e 31 de março de 2027.

 

Balança / Mértola, Beja / Sécs. I – III d. C / 16054

INVESTIGADOR DO MÊS

 

Joana Gonçalves, doutoranda em História – Especialidade Arqueologia (NOVA FCSH – IAP/HTC), bolseira FCT no programa “Ciência no Património Cultural”

 

De que trata a tua investigação?

O projeto de tese doutoral que estou a desenvolver tem como título A Ilustração Científica Gráfica no Museu Nacional de Arqueologia (MNA) – Enquadramento técnico, socioeconómico e ideológico e visa não só o estudo da coleção de desenhos arqueológicos do MNA, datados desde o século XIX, no que respeita à sua evolução técnica, autoria, entre outros aspetos, mas também assegurar o seu registo sistemático através da digitalização. Pretende-se utilizar esta coleção de desenhos arqueológicos e etnológicos como ponto de partida para contribuir para a história do próprio Museu, a par da análise do desenvolvimento do Desenho Arqueológico em Portugal.

 

Qual será o maior contributo do teu estudo?

O primeiro seria indicar a compilação digital da coleção de desenhos de forma a permitir o seu acesso e utilização, tanto à comunidade científica como à sociedade em geral. Este novo repositório terá também um papel essencial na nova museografia do Museu, em que o desenho, a par do bem arqueológico, é considerado fonte primária e, por isso, fundamental na estruturação dos novos guiões expositivos.

Para além disto, estudar a coleção de desenhos e os indivíduos que os fizeram revela-se, igualmente, essencial para potenciar o reconhecimento e a valorização do papel do Ilustrador em Arqueologia, figura tantas vezes remetida para plano secundário, ou mesmo votada ao esquecimento nas publicações, apesar de a prática arqueológica não ser possível sem o seu contributo. Apesar destes desenhos serem essencialmente técnicos e de natureza científica, verificamos que os diversos desenhadores que passaram pelo MNA, desde 1902, foram artistas conceituados e conhecidos. Uns, mantiveram-se diversos anos no cargo, outros foram apenas passagens fugazes. Em qualquer dos casos, a história do Museu, da Arqueologia, e da ilustração, escreve-se com cada um deles. 

 

1. Nas antigas instalações da Biblioteca do MNA, com álbum de desenho de Guilherme Gameiro.

2. Recolha de imagens de grandes formatos. Mosaico romano de Póvoa de Cós.

 

MUSEU EM COMUM

 

Foi por entre canetas, peças de puzzle, curiosidade e muitos sorrisos, que o renovado departamento de Mediação, Acessibilidade e Inclusão, organizou diversas oficinas pedagógicas para o ensino pré-escolar e visitas orientadas, inseridas na programação do Dia Internacional dos Museus 2026.


As atividades contaram com a colaboração do Museu de Marinha e participaram instituições como a Fundação Alegria de Viver. Demos a conhecer o Museu na sua atual fase de remodelação, mas também através de ações orientadas para o público escolar, transformando a obra numa metáfora e proporcionando leituras plásticas. Foram dias criativos para um público diverso que quer continuar vizinho do museu.

 

CADERNO DE CAMPO

 

Há muito a acontecer dentro do Museu, tal como a imprescindível substituição do pavimento da galeria superior, devidamente reforçado para suportar o peso dos bens culturais a expor. Depois da demolição faseada da laje e da remoção dos detritos, está a ser colocada a estrutura metálica de sustentação do novo pavimento, que atua também como um reforço estrutural do edifício.

Em cada uma das duas naves existem 24 perfis metálicos encastrados nas paredes, envolvendo completamente os 187 metros de comprimento, num total de 48 peças. Estas são unidas por 38 vigas perpendiculares em cada galeria, perfazendo um total de 76 perfis metálicos. Esta estrutura, tratada com pintura intumescente (não inflamável), serve, assim, para "agarrar" as paredes entre si ao pavimento e vice-versa. 


Enquanto escrevemos, a chapa colaborante está a ser instalada. Segue-se o preenchimento com betão armado.

 

 

Piso superior, maio 2026.

 

FICHA TÉCNICA

 

Direção
ANTÓNIO CARVALHO

Comunicação
ANDRÉ MURRAÇAS, LÚCIA VALDEVINO   

Colaboram neste número
ANDRÉ MURRAÇAS, ANTÓNIO CARVALHO, JOANA GONÇALVES, JOÃO PIMENTA, LÚCIA VALDEVINO, RAQUEL CUNHA, RITA MATOS, TERESA COSTA


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CONTATOS

 

Telefone
+351 213 620 000

geral.mnarqueologia@museuarqueologia.pt

MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA
Praça do Império, 1400-026 Lisboa

 

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