Museu Nacional de Arqueologia
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A cidade dispersa quando chega o Verão. Mas no Museu, pelo contrário, a concentração só tem aumentado. Não só a 1.ª fase da obra se aproxima do fim, com todas as exigências que um processo desta envergadura acarreta e se adensam, como o compromisso da equipa com o público se comprova, sucessivamente, em cada vez mais iniciativas de programação cultural. O mês de junho foi paradigmático do que significa «Um Museu aberto para obras», o leitmotiv que tem enquadrado a programação do MNA durante a execução do PRR.
O Museu nunca diminuiu a sua presença na vida científica e cultural, tendo consciência do esforço acrescido da equipa: - Mantém-se nas instalações a monitorizar as coleções, e a acompanhar
a obra e o respetivo impacto no edifício. - Está a preparar o novo Museu, com tudo o que isso significa: conferência de inventários, documentação, investigação, revisão de fontes, diagnóstico e conservação e restauro do acervo.
- Renovou o acesso a bases de dados e arquivos históricos: O Arqueólogo Português, Arquivo Manuel Heleno, exposição MNA: 130 anos em viagem.
- Aceitou seis doutorandos bolseiros «Ciência no Património» e um em «Ambiente Não Académico».
- Realiza exposições e colabora com a cedência de bens culturais em muitas outras.
- Orienta visitas aos espaços da obra a grupos variados de estudantes, profissionais do sector e instituições patrimoniais,
de âmbito nacional e estrangeiro. - Promove debates e conferências abertos a todo o tipo de públicos
para que possam acompanhar e participar na construção do novo Museu. - Participa em conferências e debates, por todo o país e estrangeiro, sobre Arqueologia, Museologia, Públicos, Educação, Mediação e Acessibilidade, entre outros.
- Investe num novo serviço de Mediação, Acessibilidade e Inclusão, porque a remodelação é também conceptual, e comunicação, participação ativa e cidadania estão interligadas.
Tudo isto porque o Museu Nacional de Arqueologia também se vê como um cidadão. Com direitos e deveres dos quais não abdica.
António Carvalho, Diretor
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130 ANOS EM VIAGEM | EXPOSIÇÃO VIRTUAL
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Está novamente disponível, e com um design atualizado, a exposição digital que recorda o que faz do Museu Nacional de Arqueologia um lugar incontornável na História da Arqueologia em Portugal: as escavações que os diretores e as equipas dinamizaram, as coleções que constituíram um acervo referência, as publicações editadas com a chancela do Museu e que se tornaram fontes de consulta obrigatória, as exposições memoráveis que ultrapassaram fronteiras e o contributo para a evolução da Arqueologia enquanto ciência. Tudo pontos de paragem obrigatória que pode visitar AQUI.
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PRIMITIVA BUENO RAMÍREZ E RODRIGO BALBÍN BEHRMANN EM PORTUGAL
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Junho terminou com a visita de Primitiva Bueno Ramírez, Catedrática de Pré-História da Universidad de Alcalá, e de Rodrigo Balbín Behrmann, Catedrático Emérito de Pré-História da mesma universidade espanhola, que se deslocaram ao MNA para conhecer a obra em curso e analisar possibilidades de trabalho conjunto. No entanto, a visita a Portugal não ficaria completa sem uma breve expedição a dois emblemáticos sítios arqueológicos nacionais. Em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais, João Miguel Henriques (Diretor do Departamento de Arquivos, Bibliotecas e Património Histórico) e Severino Rodrigues (Chefe da Divisão de Arquivos e Património Histórico), deram a conhecer o futuro Centro de Interpretação das Grutas Artificias de Alapraia, no Estoril. Seguiu-se o povoado calcolítico de Vila Nova de São Pedro, na Azambuja, tendo a visita sido conduzida por Mariana Diniz, Diretora da Uniarq e uma das arqueólogas responsáveis pelo projeto de valorização patrimonial “Vila Nova de São Pedro, de novo no 3º milénio – VNSP3000”.
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INVESTIGAÇÃO INÉDITA APRESENTADA NO 15.º CONGRESSO DA BAD
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Carlos Morgado, bibliotecário e arquivista do MNA, participou no 15.º Congresso da BAD - Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas, Profissionais da Informação e Documentação, com a apresentação «A Série PB-VI (Chapas de Vidro) do Museu Nacional de Arqueologia: inventariação, valorização e difusão de um acervo fotográfico histórico». Esta comunicação apresentou ao público um espólio inédito de 1474 chapas de vidro, que se encontra em processo de inventariação e estudo. A contribuição do MNA para este Congresso reveste-se de especial importância. Fomos a única instituição museológica presente, o que demonstra a variedade de suportes documentais, a amplitude das disciplinas abrangidas, e a complexidade das redes de informação que se conseguem estabelecer do Museu para o exterior da sociedade. Leia a nossa comunicação nas Atas N.º 15 (2026): Compromisso com a Democracia: Diálogo, Bem-Estar, Inclusão
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À esquerda, Severino Rodrigues, Chefe da Divisão de Arquivos e Património Histórico da C. M. C.; Carlos Fabião, Uniarq / FLUL; Rodrigo Balbín Behrmann e Primitiva Bueno Ramírez; João Miguel Henriques, Diretor do Departamento de Arquivos, Bibliotecas e Património Histórico da C. M. C., e António Carvalho, Diretor do MNA, nas Grutas Artificiais de Alapraia.
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À esquerda, António Carvalho, Mariana Diniz, Diretora da Uniarq / FLUL, Primitiva Bueno Ramírez e Rodrigo Balbín Behrmann, em Vila Nova de São Pedro.
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(em cima) Fotografia de trabalho no decorrer da inventariação.
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(em baixo) Carlos Morgado, no 15.º Congresso da BAD, dia 19 de junho. Foto: Carine de Souza.
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Taça de vidro / Troia, Grândola / Séc. III – IV d. C. / 983.28.16
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A escolha de Margarida Santos
A relação de Margarida Santos com o Museu Nacional de Arqueologia remonta à década de 80, ainda aluna do secundário e, posteriormente, aluna da Escola Superior de Conservação e Restauro. Dos 32 anos de carreira - inicialmente em outros organismos estatais - manteve uma colaboração constante e próxima. Do percurso de 18 anos na equipa do MNA, destaca a intervenção nesta taça de vidro romana, proveniente das escavações arqueológicas de Troia, como um momento marcante. A sua excecional relevância reside na sua alta complexidade de conservação: apresenta-se extremamente fragmentada (um total de 63 peças) e a superfície possui uma espessura reduzida, semelhante a uma folha de papel – concedendo-lhe uma delicadeza e beleza singulares, e elevando o grau de dificuldade na sua montagem e colagem.
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Foi o arqueólogo Carlos Fabião quem escolheu a cerâmica sigillata que aqui se apresenta, partilhando uma história particular que começa em 1850, quando foi recolhida em Troia, no âmbito das escavações promovidas pela Sociedade Archeologica Lusitana.
Este prato de cerâmica foi depositado inicialmente na Real Academia de Bellas-Artes e Archeologia de Lisboa, em 1882, tendo depois seguido para o Museu Nacional de Bellas-Artes (hoje Museu Nacional de Arte Antiga), de onde se transferiu para o Museu Etnológico, por iniciativa de Leite de Vasconcellos, em 1904, já no Mosteiro dos Jerónimos.
Neste processo, ter-se-á perdido (ou já estaria perdida) a informação sobre a sua origem, pelo que se encontrava inventariado com proveniência desconhecida.
Foi a reparação do prato com “gatos de chumbo, notáveis pela sua monstruosidade: é mister confessar que este trabalho dos antigos é muito imperfeito” e, sobretudo, a sua representação gráfica no Annaes da Sociedade Archeologia Lusitana 3, por Dario Costa, que permitiram completar o percurso deste bem cultural.
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Prato de Sigillata Clara D - ARS (African Red Slip), com decoração cristã de três pombas rodeando cruz latina / Troia, Grândola / Sécs. VI - VII // Desenho: Dario Costa, MNA
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Ânfora piscícola da forma Mañà C2b / Castro de Chibanes, Palmela / Séc. II - I a.C. / 2017.16
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NO LABORATÓRIO: ANTES E DEPOIS
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Este objeto encontrava-se muito fragmentado, tendo sido alvo de um habilidoso restauro. Alguns dos fragmentos mantinham-se na posição original, fixos com “gatos” (uma espécie de agrafos) em ferro, já oxidado, gesso e uma pasta de preenchimento corada. Algumas frações estavam separadas do corpo da ânfora, e outras tiveram de foram afeiçoadas de forma a encaixarem de corretamente. A intervenção do Laboratório de Conservação e Restauro consistiu na desmontagem do conjunto de fragmentos colados; remoção dos “gatos” por processos mecânicos; consolidação pontual dos destacamentos, das fraturas e das fissuras com resina acrílica; limpeza química; dessalinização; montagem. Foi feita ainda colagem com resina acrílica; reintegração estrutural com gesso odontológico branco, pasta à base de gesso, pasta de resina acrílica com microesferas de vidro e reintegração cromática com tintas acrílicas.
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Carine de Souza, doutoranda em Arqueologia e Pré-história (UNIARQ - FLUL), bolseira FCT no Programa de Doutoramento em Ambiente Não Académico.
De que trata a tua investigação? Com o título "O Lugar da Pré-História Recente na Construção do Novo Discurso Museológico do Museu Nacional de Arqueologia no Contexto do Plano Europeu de Recuperação e Resiliência", tem por objetivo examinar as especificidades da comunicação museológica de coleções da Pré-História Recente (Neolítico e Calcolítico). Considerando que os museus são espaços privilegiados para a divulgação do conhecimento arqueológico sobre o nosso passado, e que o Museu Nacional de Arqueologia detém o maior acervo arqueológico do país, esta é uma oportunidade de investigar na prática – durante a reformulação conceptual do MNA no âmbito do PRR – as estratégias e métodos para transformar o discurso científico arqueológico num discurso museológico acessível e interativo para a grande diversidade de públicos que atualmente visitam os museus.
Qual será o maior contributo do teu estudo? O estudo já contribuiu ativamente para a elaboração de um novo Programa Museológico, um documento de gestão estratégica fundamental para orientar a atuação do MNA no presente e no futuro próximo. Em janeiro de 2025, realizou-se a «Escuta Externa ao Programa Museológico», que se revelou essencial para que a comunidade pudesse participar neste processo e apresentar os seus contributos e expectativas para o futuro da instituição, numa abordagem assente nos princípios da Nova Museologia e da democratização da cultura. Atualmente, o projeto desenvolve um exercício conceptual (e, portanto, teórico e experimental que pode, ou não, vir a ser concretizado), de elaboração de uma proposta de narrativa expositiva para as coleções do Neolítico e do Calcolítico do MNA: extensas, de relevância científica e com amplo potencial para uma comunicação interativa com o público.
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(esq.) Carine de Souza em trabalho de investigação no MNA. (dir.) Figurinha zoomórfica / Tojal de Vila Chã, Carenque, Amadora / 1ª metade do 3º milénio / 2002.159.1
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As Jornadas Europeias da Arqueologia foram celebradas com uma programação dedicada a vários públicos. Realizámos uma visita à obra, uma conferência sobre o Programa de Arqueologia Preventiva no MNA, em parceria com a UNIARQ e que teve lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e estreámos o projeto Arqueologia Jovem com uma oficina pedagógica para os alunos do Centro de Educação e Desenvolvimento Dom Nuno Álvares Pereira – Casa Pia de Lisboa.
Esta iniciativa proporcionou o contato com o trabalho da equipa de Conservação e Restauro do Museu, explorando diferentes materiais e as técnicas mais adequadas a cada um. Como se colam as cerâmicas que vemos no Museu? Como se restaura uma moeda romana? As várias atividades práticas deram a conhecer o trabalho do conservador-restaurador, promovendo a educação patrimonial através da sensibilização para a importância de proteger e valorizar a memória cultural.
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O novo pavimento do piso superior está colocado! Depois do reforço estrutural com 76 perfis metálicos (distribuídos por toda a nave), da colocação de chapa colaborante e da malha de ferro, foram necessários 160 m3 de betão armado para preencher os mais de 187 metros da galeria superior.
O projeto de reforço e renovação deste piso pressupôs também a realização, no âmbito do projeto de estabilidade, de um estudo de cargas, de forma a determinar o peso máximo suportável. Esta avaliação divide-se em carga permanente (peso da estrutura edificada e revestimentos) e cargas variáveis (maquinaria indispensável à montagem e manutenção das exposições, bens culturais e futuros visitantes). Após os indispensáveis acabamentos, toda esta galeria, que vai reabrir com nova função expositiva, fica, assim, preparada para receber grande parte da exposição de longa duração.
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Piso Superior, Galeria Poente
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Direção ANTÓNIO CARVALHO
Comunicação ANDRÉ MURRAÇAS, LÚCIA VALDEVINO
Colaboram neste número ANDRÉ MURRAÇAS, ANTÓNIO CARVALHO, CARINE DE SOUZA, CARLOS FABIÃO, CARLOS MORGADO, LÚCIA VALDEVINO, MARGARIDA SANTOS, TERESA COSTA
Design Boletim Digital OPHELIA
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Museu Nacional de Arqueologia
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