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[Histport] A palavra de Souto de Moura

To :   "histport" <histport@uc.pt>
Subject :   [Histport] A palavra de Souto de Moura
From :   José D´Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Thu, 2 Jul 2026 12:07:18 +0100

Title: Santos da casa - 'Tá de Levante|Sul Informação - 2 de Julho de 2026

 

 

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 Elisabete Rodrigues 

 

Santos da casa

 

Olá, bom dia!

 

Eduardo Souto de Moura é, a par de Siza Vieira, o arquiteto português de maior destaque a nível internacional. Ambos receberam já o Pritzker, prémio que consagra a carreira dos maiores arquitetos a nível mundial, sendo uma espécie de “Prémio Nobel” do mundo da Arquitetura.

Esta semana, Souto de Moura esteve em Barcelona, numa cerimónia na basílica da Sagrada Família, para receber mais um prémio de grande prestígio, a Medalha de Ouro da União Internacional de Arquitetos, a máxima distinção da UIA (que Siza também já recebeu).

E foi aí que Souto de Moura disse, alto e bom som, que trocava todos os prémios que já recebeu por «bons projetos de habitação» para responder «a uma realidade em que é preciso trabalhar».

«Fico muito contente com os prémios, mas eu trocava os prémios por saber de bons projetos de habitação que pudesse fazer e em que pudesse ajudar», frisou, acrescentando que tem de se fazer habitação social e que o Estado tem de assumir a missão de construir casas, para responder aos problemas de falta de habitação e de acesso à habitação.

«Existem todas as condições para se fazer casas. Há terreno, temos terreno. Há dinheiro. Há bons arquitetos. Se há coisa que Portugal tem, é futebolistas e arquitetos. E as casas não aparecem. O problema é de organização, de logística, não se percebe. Portanto, é preciso quebrar este enguiço de fazer casas», defendeu.

Num país provinciano como é o nosso, às vezes é preciso que quem faz as coisas bem feitas se destaque no estrangeiro, ou, pelo menos, a nível nacional, para que seja de facto reconhecido no retângulo português. É o velho ditado “Santos da casa não fazem milagres» … Mas se os “santos da casa” forem reconhecidos lá fora, aí o caso já muda de figura.

Por isso, se o Estado, o Governo, a administração central não dá a atenção que devia aos anseios, às reivindicações, aos problemas das pessoas, então, ao menos, que dê atenção às palavras de um dos nossos maiores arquitetos, consagrado a nível internacional.

Porque, não há já qualquer dúvida: a falta de habitação para as famílias mais desfavorecidas ou mesmo da classe média é um dos problemas mais graves a afetar a sociedade portuguesa, na atualidade.

E é uma questão certamente ajuda a explicar o crescimento de um certo partido e de certas ideias populistas.  

As Câmaras Municipais, às vezes sem terem a certeza de que os financiamentos vão chegar, têm estado a avançar na construção de habitação, como é o caso de Castro Marim, segundo a reportagem que o Hugo hoje nos traz.

Publicámos ainda uma notícia a dar conta do início da construção de um prédio de habitação para arrendamento apoiado, investimento da responsabilidade do Município de Portimão, no Bairro do Pontal. Leia mais aqui.

Aliás, muito temos falado, nos últimos meses, de todos os municípios algarvios, porque todos estão a investir fortemente nesta área crucial da habitação.

No entanto, ainda há tanto para fazer

 

 


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