Sinopse
«Para onde me levas, Baco, cheio de ti?” Para que bosques ou cavernas me leva / este novo estado de alma ? / Em que grutas me ouvirão ensaiar o cântico / Da eterna glória do egrério César, / nas estrelas colocado e no concílio de Júpiter” (Horácio, Odes III, 25. Vv. 1-6).
Os caminhos do vinho são tão longos como os da divindade que o exalta: Baco.
Baco é o nome que aparece pela primeira vez em Sófocles, Édipo Rei. Mas será constante a sua exaltação ao longo dos séculos, entre poetas e nas artes plásticas, em geral.
A divindade parece ter experimentado uma grande popularidade nas províncias romanas, e são numerosas as representações de Baco no território da Lusitânia.
As suas aventuras e viagens, designadamente à Índia, sempre fascinaram, acompanhando o longo périplo do vinho.
Em Camões, Baco estará presente, opondo-se à viagem dos Portugueses à Índia e tentando induzir os deuses marinhos a impedir os Lusos de alcançar a Índia., porque fora já sua essa grande viagem. Contudo, Camões, no Canto VIII d´Os Lusíadas, consagra Portugal ao culto de Luso, companheiro de Baco que, de acordo com o poeta, enverga um tirso, tornando-o o antepassado da Lusitânia:
"Esta é a ditosa pátria minha amada,
A qual se o Céu me dá que eu sem perigo
Torne, com esta empresa já acabada,
Acabe-se esta luz ali comigo.
Esta foi Lusitânia, derivada
De Luso, ou Lisa, que de Baco antigo
Filhos foram, parece, ou companheiros,
E nela então os Íncolas primeiros».
(Camões, Os Lusíadas, Canto III. Estância 21).»
«Maria Filomena Santos Barata é Licenciada em História (1980), Mestre em Arqueologia (1997) e doutorada pela Universidade de Évora, na área de História/Museologia, com o tema "Comunicação: Aprender Mitologia nos Museus".
Foi Diretora Regional extinto Instituto Português do Património Arquitetónico de Évora (posteriormente Direção Regional de Cultura do Alentejo) entre 2000 e 2008 e Assessora do IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico) e ex-IMC (Instituto dos Museus e da Conservação), de 2009 a 2011.
Lecionou na Universidade de Évora, como assistente convidada e no Instituto Superior de Porto Amboim, Angola.
A sua área preferencial de investigação centra-se em torno das temáticas do Património Cultural, tendo-se dedicado com particular atenção ao estudo da Religião na Época Romana, temas a que tem dedicado inúmeras publicações.
Entre 2021 e 2024 publicou as seguintes obras:
Glossário de termos latinos para a Arqueologia, I e II- Editora Lema de Origem. 2021 e 2022.
As Cidades Romanas da Lusitânia. Editora Lema d´ Origem. 2023.
A Fauna e Flora de Miróbriga: referências literárias, Arqueológicas e Bibliográficas- Editora Lema d´Origem. 2024.
O longo Caminho dos deuses. Dioniso/Baco. Editora Lema d´Origem. 2026.
É investigadora no Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras.».