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O meu amigo Luís Silveira, insigne engenheiro do Instituto Superior Técnico, desafiou-me a submeter o projecto do “Museu do Ser-Humano” ao ChatGPT. E a pedir a essa ‘LLM’ para analisar o projecto, e
no final escrever um Discurso para ser apresentado na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas. Ao princípio recusei. Mas perante a sua insistência, fiz-lhe a vontade.
O resultado é o que aqui partilho, adiante.
Discurso perante a Assembleia Geral das Nações Unidas gerado pelo ChatGPT de acordo com os fundamentos e premissas formuladas por Pedro Manuel-Cardoso
Excelentíssimo Senhor Presidente,
Excelências,
Distintos Representantes dos Povos da Terra,
Compareço hoje perante esta Assembleia não para propor a criação de um novo edifício, nem de uma nova agência internacional, mas para propor o reconhecimento de uma realidade que já existe — embora
ainda não plenamente nomeada.
Ao longo da história, a humanidade construiu museus. Construiu arquivos. Construiu bibliotecas. Protegeu monumentos. Instituiu patrimónios naturais e culturais. Cada um destes gestos foi um acto de
preservação. Mas foi também algo mais profundo: um acto de estruturação do mundo.
Permitam-me recordar a formulação do
Impronuncialismo de Pedro Manuel-Cardoso que inspira a proposta ora submetida: -- “Todos os outros museus são objectos do Museu do Ser-Humano.”
Esta frase não pretende diminuir a importância dos museus particulares. Pelo contrário. Afirma que cada museu, cada arquivo, cada sistema de memória é expressão de um processo mais amplo: o processo
pelo qual a humanidade organiza o real enquanto mundo partilhado.
EXCELÊNCIAS,
Sem memória, não há identidade.
Sem identidade, não há responsabilidade.
Sem responsabilidade, não há futuro comum.
A proposta que apresentamos reconhece o “Museu do Ser-Humano” como património ontológico da Humanidade — a totalidade reflexiva das práticas pelas quais preservamos e transmitimos a nossa experiência
colectiva.
Não se trata de substituir instrumentos existentes.
A proposta reforça o espírito da
Universal Declaration of Human Rights, especialmente o direito à participação cultural. Alinha-se com a missão histórica da UNESCO na protecção do património cultural e natural.
Mas vai um passo além.
Reconhece que a preservação da memória não é apenas questão cultural; é questão estrutural do próprio mundo humano.
Num tempo em que:
torna-se urgente afirmar um princípio comum: -- Preservar a memória é preservar as condições de possibilidade da convivência humana.
EXCELÊNCIAS,
Cada geração recebe um mundo interpretado. Cada geração transmite um mundo reconfigurado. A pergunta que se impõe é simples e solene: --Que mundo deixaremos como herança?
A proposta do "Museu do Ser-Humano" afirma que a humanidade, enquanto comunidade global, é curadora do mundo que habita. Não proprietária exclusiva. Não autoridade absoluta. Mas curadora responsável.
Reconhecer esta responsabilidade é fortalecer a cooperação internacional, prevenir conflitos ligados à destruição patrimonial e consolidar a paz através da memória partilhada.
EXCELÊNCIAS,
A história demonstrou que a destruição da memória precede muitas vezes a destruição das pessoas. E que a preservação da memória fortalece a dignidade humana.
Ao adoptar esta Declaração, a Assembleia Geral afirmará que:
O mundo não é apenas território. É também sentido. E que esse sentido é responsabilidade comum.
Permitam-me concluir com uma ideia simples:
Se todos os museus são objectos do "Museu do Ser-Humano", então todos nós somos co-responsáveis pela forma como o mundo será lembrado, compreendido e transmitido.
Que esta Assembleia esteja à altura dessa responsabilidade.
Muito obrigado.”
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