| Museu Nacional de Arqueologia |
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Museu Nacional de Arqueologia: As mesmas colecções. Um novo lugar no mundo * A conferência de Isabel Izquierdo Peraile, Diretora do Museu Arqueológico Nacional (MAN), no dia 17 de abril, foi um acontecimento com múltiplos sentidos. Não só cimentou o lugar do Museu Nacional de Arqueologia como um importante museu europeu, como atestou a capacidade de organização e de internacionalização da Museus e Monumentos de Portugal, EPE, cumprindo uma das suas missões que é a projeção além-fronteiras do património e da museologia nacionais. Ouvir Isabel Izquierdo descrever “a obra, o presente e o futuro” do MAN, foi recordar muito do caminho que já fizemos e antever o que desejamos que aconteça com o nosso Museu. Neste momento, o MNA encontra-se a terminar a 1.ª fase da obra, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Este é o momento em que o consenso político, técnico e cívico se deve reafirmar e proporcionar a continuidade necessária à concretização da 2.ª fase da intervenção. No dia da conferência, inserida no programa de celebração dos 120 anos desde a inauguração do MNA no Mosteiro dos Jerónimos, as palavras que nos dirigiu a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, reconhecem a importância central do Museu Nacional de Arqueologia para o país, garantindo de forma clara, e inequívoca, o apoio ao processo de requalificação do Museu.
António Carvalho, Diretor
* Texto adaptado. Publicado originalmente na Newsletter n.º 46 da Museus e Monumentos de Portugal, EPE (21 de Abril de 2026). |
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| Isabel Izquierdo Peraile. Foto: Ana Vale / Museus e Monumentos de Portugal, EPE (2026). |
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UM MUSEU ABERTO PARA OBRAS | VISITA ORIENTADA |
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António Carvalho, diretor do Museu Nacional de Arqueologia, conduz o público numa visita ao interior do edifício e ao Mural Arqueologia na Rua, uma galeria ao ar livre com alguns dos bens culturais mais icónicos e que reflete a diversidade de culturas que coexistem no acervo. |
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ACORDES DE PAZ | CONCERTO |
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O Museu Nacional de Arqueologia associa-se ao Mosteiro dos Jerónimos na realização de um concerto coletivo que se fará ouvir, simultaneamente, nos 37 equipamentos culturais da Museus e Monumentos de Portugal, EPE. “Unir um mundo dividido” também pela música. Concerto com Nova Era Vocal Ensemble, sob direção do Maestro João Barros. |
Mosteiro dos Jerónimos 17 de maio | 16h Entrada livre |
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MEMÓRIAS DE UM MURAL | OFICINA PARA FAMÍLIAS |
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O Museu Nacional de Arqueologia está encerrado para renovação total, mas alguns dos objetos mais emblemáticos da coleção podem ser vistos no mural Arqueologia na Rua. Conduzidas numa visita que cruza Arqueologia, Arte e memória coletiva, as famílias serão desafiadas a construir uma história pessoal inventada. |
Museu Nacional de Arqueologia 23 maio | 10h30
Para famílias com crianças dos 8 aos 12 Atividade gratuita mediante inscrição: mediacao@museuarqueologia.pt Lotação limitada |
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MUSEU NACIONAL DE ARQUEOLOGIA: UMA VIAGEM A 1906 | FILME |
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A entrada do Museu em 1906, atualmente a entrada do Museu de Marinha. Imagem: arquivo MNA. |
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| Já está disponível no YouTube a história de um ano que transformou a vida cultural e científica de Lisboa e do país. Há cem anos, a 22 de abril, o então Museu Etnológico Português abria ao público no Mosteiro dos Jerónimos, a localização pela qual José Leite de Vasconcelos aguardava desde 1893, data da sua fundação. Mas que Museu era esse em 1906? Quem foram os agentes que viabilizaram a transferência para o Mosteiro dos Jerónimos? Será que a entrada é a mesma que hoje conhecemos? Como se distribuíram as coleções pelos vários pisos? Hoje, em 2026, o Museu Nacional de Arqueologia continua a crescer. E é esta capacidade permanente de se transformar e atualizar que também celebramos com este filme. |
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A la sombra de Vulcano. Bronce Romano en Hispania |
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Já começou a preparação para viajarmos até ao Museu Nacional de Arte Romana (MNAR), em Mérida, onde integramos a exposição A la sombra de Vulcano. Bronce Romano en Hispania com 15 bens culturais. Esta mostra celebra a nova sala de exposições temporárias do MNAR, inaugurada no âmbito da ampliação deste Museu.
Em novembro, acontece ainda o XXIII Congresso Internacional sobre Bronzes Antigos (IconAB), onde o MNA participa com várias apresentações. A chamada para comunicações decorre até 30 de maio. |
20 nov 2026 – 31 mar 2027 Museo Nacional de Arte Romano, Mérida |
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| Um dos bens culturais que viajará até Mérida é o balsamário antropomórfico de busto de fauno em bronze. Pinheiro, Tavira / Inv. n.º 17888 / Séc. I - II d. C. |
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Compendio de la salud humana. Tratado de la peste / Ketham, Joahannes; Vasco de Tarante [trad. Esp.] Saragoça: Pablo Hurus, 15 agosto de 1494 [2], III-LXV, [1] f.: il.; 2.º (27 cm) / Inv. 16089 / Cota LA/INC/1. Nota manuscrita: «este livro nom se pode dar fora sob pena d’escomunhão porque foy da raynha dona Leanor» |
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| A escolha de Lívia Cristina Coito Dos 40 anos dedicados ao MNA, nunca hesitou que a sua missão se realizaria na Biblioteca e no Arquivo do Museu. E a sua escolha foi igualmente segura: um raro incunábulo, dos poucos livros que se sabem ter pertencido à rainha Dona Leonor, mulher de D. João II.
Trata-se do Compendio de la salud humana, um dos primeiros livros impressos sobre medicina que inclui, por exemplo, um tratado médico do português Velasco de Taranta. A beleza desta obra, diz-nos Lívia Cristina Coito, está nas xilogravuras, como a dos signos do zodíaco e a sua relação terapêutica com as partes do corpo humano. É uma escolha que realça a variedade e riqueza das coleções do MNA, sublinha. |
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Este vaso cerâmico ecoa um tempo em que a Península Ibérica mudou, com a chegada das primeiras comunidades camponesas e de um novo modo de vida: cultivam a terra, criam animais, produzem cerâmica e dominam técnicas como a pedra polida e o talhe do sílex.
Este conjunto de transformações — o chamado “pacote neolítico” — marca uma profunda mudança na relação entre as pessoas e o mundo que as rodeia. Reflexo de um ritmo mais largo, que só a permanência oferece, surge este recipiente no qual se destaca a decoração “cardial”: marcas impressas na superfície foram feitas com conchas de berbigão, pressionadas sobre a argila ainda fresca. |
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| Vaso de cerâmica / Santarém / VI milénio a.C. / 5101 (BIN/TN) |
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Moringue (forma que deriva dos vasos gregos, Askos) / Séc. XIX - XX d.C. / ETNO 2022.4.126 |
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| NO LABORATÓRIO: ANTES E DEPOIS |
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No decorrer do diagnóstico, encontrámos uma página de um jornal espanhol com a data de fevereiro de 1889, deixada no interior deste recipiente após uma intervenção integral. O contato da impressão tipográfica com a pasta de preenchimento, ainda fresca, deixou o negativo da página de jornal . Poderá ter sido este o ano do restauro? A intervenção antiga tinha ocultado os fragmentos, assim como a superfície. Por esse motivo, a conservação atual consistiu na recolha e planificação do jornal, na realização de sondagens para examinar a suposta superfície original, e posterior limpeza, e ainda, na restituição da integridade estrutural. A passagem do tempo escreve-se nos jornais do dia, mas eterniza-se nas reservas de um Museu. |
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Lúcia Valdevino, doutoranda em História da Arte Medieval (NOVA FCSH – IHA / IN2PAST), bolseira FCT no programa “Ciência no Património Cultural” (2022-2026) De que trata o teu projeto de investigação? O título da tese é Fragmentos de uma História Translúcida: a presença dos alabastros medievais ingleses em Portugal (coleções museológicas), e inclui também o núcleo em colecionadores privados e os objetos in situ. Os alabastros medievais ingleses são uma das formas artísticas mais características da Idade Média, mas, até recentemente, têm ocupado um papel secundário na historiografia. Portugal tem uma das coleções mais expressivas, e numerosas, da Europa e este é um facto desconhecido do circuito internacional. O MNA tem duas destas esculturas: uma placa com um relevo do Calvário, e uma escultura de São João Evangelista. Qual será o maior contributo do teu estudo? O estudo destas duas esculturas contribuirá para a sua documentação e para o seu posicionamento dentro de um conjunto maior a nível nacional e internacional. No âmbito das metodologias de investigação, tem sido feita a conferência de fontes primárias, possibilitando que muito património documental do Museu esteja a ser tratado, pela primeira vez, de forma sistemática e, naturalmente, trata-se de informação que alimenta diretamente o Inventário do MNA e a história da própria instituição. Numa perspetiva museológica e de gestão de coleções, este projeto de investigação reforça a articulação entre a História da Arte e a Arqueologia. Até porque muitas peças sobre as quais a História da Arte se detém foram (re)descobertas em contexto arqueológico, sendo os alabastros medievais ingleses um destes casos. Paralelamente, tem sido possível contribuir com o estudo do núcleo de peças de cronologia medieval. E, decorrente das características do programa “Ciência no Património”, tenho colaborado ativamente em várias áreas do Museu, nomeadamente na gestão estratégica, programação e comunicação. |
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À esquerda, em trabalho de campo na Igreja Matriz de Cernache, onde se encontra o maior painel em alabastro do país (Coimbra, 2023). À direita, os dois alabastros em acervo no MNA: Calvário (N.º Inv. 2015.5.1) e São João Evangelista (N.º Inv. 16874). Fotos: Arquivo de Documentação Fotográfica / Museus e Monumentos de Portugal, EPE.
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É unânime! Desde 5 de maio que o MNA integra a Comissão Social da Freguesia de Belém, juntando-se, deste modo, a cerca de uma centena de instituições públicas e privadas que prestam apoio à comunidade, e potenciam os recursos existentes na freguesia. No âmbito da sua missão social, pertencer a esta comissão significa que o Museu se assume como um recurso disponível à população da freguesia, mesmo encerrado ao público, através da criação de atividades específicas. Acreditamos ter iniciado um percurso relevante a nível local e nacional. |
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A AOF - Conservação e Restauro do Património foi a empresa vencedora do concurso público internacional e já está a trabalhar em pleno na empreitada de limpeza das fachadas do MNA. Depois da calafetagem prévia dos janelões do Piso Térreo, para evitar a entrada de água, teve início a remoção da sujidade superficial com água: os dejetos das aves, cuja acidez corrói as cantarias, e o negro que observamos a olho nu, frequentemente entendido como a patine do passar do tempo. Na verdade, esta manchas podem ser de origem mineral, causadas, em grande parte, pelo contato da poluição com o calcário, e de origem vegetal, consequência da proliferação de fungos, algas e líquenes. Estão igualmente a ser retiradas as plantas infestantes que medram nas juntas intersticiais das fachadas, desagregando e soltando as argamassas de ligação entre os silhares, podendo levar a deslocamentos estruturais e à abertura de caminhos no interior do monumento por onde as águas pluviais se infiltram. |
Marco Vasconcelos Costa / AOF Conservação e Restauro (2026) |
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Direção ANTÓNIO CARVALHO
Comunicação ANDRÉ MURRAÇAS, LÚCIA VALDEVINO
Colaboram neste número ANDRÉ MURRAÇAS, ANTÓNIO CARVALHO, JOÃO PIMENTA, LÚCIA VALDEVINO, LÍVIA COITO, MARGARIDA SANTOS, TERESA COSTA
Design Boletim Digital OPHELIA |
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