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[Museum] Arquitecto Fernando Pinto (1952-2026).

To :   "archport" <archport@ci.uc.pt>, "museum" <museum@ci.uc.pt>, "histport" <histport@uc.pt>
Subject :   [Museum] Arquitecto Fernando Pinto (1952-2026).
From :   José D´Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Thu, 14 May 2026 09:23:08 +0100

Com a devida vénia, transcrevo da sua página do FB esta sentida evocação assinada pelo Doutor Vitor Serrão:

MAIS LUTO E NÉVOA.

 

Partiu ontem o Arquitecto Fernando Pinto (1952-2026). Chegou-me, no fim da tarde, mais esta surpresa amarga: é uma baixa, mais uma, no nosso edifício de referências culturais e afectivas que fizeram do país de Abril uma terra sonhável (parecia ser, sim, e gente como ele contribuiu para esse caudal de esperança).

Abraço a memória deste meu exacto coevo de 1952, que conheci bem, sobretudo na Évora dos anos 80, então uma verdadeira capital do Mundo, como modelo de organização autárquica, e com um centro histórico prestes a ser benzido pela UNESCO como Património da Humanidade num processo que o envolveu.

O Fernando Pinto era oriundo do chamado «bando de Campo de Ourique» (com o Alberto Lopes, o José Cardim, e outros que conheci bem). Depois, foi arquitecto da extinta DGEMN, bom estudioso da «arquitectura da terra» (sobre a qual escreveu textos lúcidos), esteve envolvido nos processos de salvaguarda e reabilitação do Património Edificado (com o saudoso Jorge Brito e Abreu, e muitos mais) e, como arquitecto de ofício, desenhou e traçou as famosas Torres da Universidade Nova (o que se discutiu a esse propósito...) !

Era homem de causas, como se diz para simplificar quando nos referimos a alguém que tinha capacidade de abraçar utopias e sonhar com muitas outras coisas com altitude de espírito.

Esteve muito ligado à candidatura de Évora a Património Mundial, junto ao Engº Abílio Fernandes, a Túlio Espanca, a Artur Goulart, ao António Carlos Silva, e ao gabinete decorrente do sucesso da classificação da cidade pela UNESCO em 1986. Foi activo colaborador dessa feliz gestão autárquica eborense (que fazia lembrar o famoso modelo de governação municipal de Bolonha no pós-guerra, que hoje parecem coisas esquecidas...).

Eram bons, esses anos 80 e 90, cheios de esperança num país livre e com bases sólidas para se afirmar como grande pátria inclusiva. O Fernando fez parte desse filme. Sonhos, dirão alguns, mas com a obra possível feita.

Tanta coisa que desfila neste momento nesta minha Ítaca santarena agora sombria e triste, com tantas memórias em que o Fernando Pinto é pessoa presente !

Cresce o «meu clube de amigos mortos», o que para um historiador de arte tão atreito aos cripto-diálogos surdos não é uma surpresa, mas mais uma riqueza na companhia das sombras e dos livros que se vão buscar à estante: eis agora, bem vivo, «Arquitectura de Terra em Portugal» (Argumentum, 2005), com colaboração do Fernando Pinto.

Tudo passa. Passa ?

 

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