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Caro
Colega, António Nabais, que muito prezo, Serão sempre “públicos”. Mas nos
últimos 36 anos continuaram, tal como dantes, a serem públicos, e em
todas as mudanças de Governo, lá vieram sempre os mesmos “planos estratégicos”
que diziam que era “agora” que esses problemas
“públicos” se haveriam de resolver. E nada mudou. Creio,
com toda a incerteza que vale uma opinião, que o que mudou e está a mudar no
seio dos Museus e da Museologia não nos deve passar ao lado. Se «os que se identificam com o trabalho museal e
patrimonial» não souberem, de dentro, criar um conjunto de novas ferramentas
técnicas que dêem uma nova consistência à sua prática, e ao discurso de
reivindicação do que é essencial nesse seu trabalho, acontecerá o que está a
acontecer. Primeiro, apareceram os curiosos que não tinham
lugar em mais lado nenhum e foram cá postos por isso, depois vieram os
arquitectos, a seguir os curadores e os media-dores, e actualmente os gestores.
Todos usando e manipulando o Património, dentro e fora dos museus, sem que
ninguém lhes saiba pôr cobro. Até ao dia que a profecia do meu amigo se cumpra:
«de que os museus passaram a ser lugares perigosos para as colecções». Então
aí, já não haverá o tempo que ainda temos ao dispor hoje, para atalharmos
caminho. Digo isto com a mesma certeza que Almada disse.
“ter dúvida é saber exactamente o que estou a dizer”. Pedro Manuel Cardoso |
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