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[Museum] Re José Vale Voltar a definir Museu e Museologia

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Re José Vale Voltar a definir Museu e Museologia
From :   Pedro Manuel Cardoso <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Sun, 8 Aug 2010 18:42:35 +0100

Caro José Vale,

 

Não tenho a solução mágica, nem competência para a ter. Mas sei que, em conjunto, éramos capazes de a ter. Se houvesse um trabalho colectivo que aceitasse, sem melindre, as fortes e duras críticas que inevitavelmente ocorreriam entre nós. Sem que ficássemos reféns delas, ou fossem motivo para pararmos.

A “falta de meios” é uma realidade. Mas temos que «definir bem o que é falta de meios». E o debate serviria também para isso.

Na mensagem n.º 4255 - porque sabia que mais cedo ou mais tarde essa questão tinha que ser colocada - apresentei uma primeira solução. Num patamar mais elevado de decisão política do que os museus ou a museologia. Concretamente a criação de uma «Fundação para a Ciência e Cultura» à semelhança da FCT. Poderá parecer à primeira vista uma sugestão pouco importante. Mas quem conhece como funciona a orgânica de um Governo sabe que essa figura institucional faria, desde logo, uma repartição diferente dos meios.

Isto é, a “falta de meios” não é só a inevitabilidade de fazer o Estado gastar mais. Pode «gastar o mesmo repartindo de outro modo».

Mas, ao mesmo tempo que reivindicamos esse «repartir de outro modo» temos que saber fazer uma proposta para essa repartição nova. E o debate servia para isso.

Depois, na definição da “falta de meios” há que avaliar se dar 10 a 40 mil euros a cada museu é o caminho certo para haver uma mudança na falta do que lhes é essencial. E temos que fazer vários outros trabalhos-de-casa em termos de custo/benefício. Tendo em consideração a escala do tempo (a repercussão do custo a curto, médio e longo prazo).

Por exemplo, não podendo ser preenchidos todos os lugares nos quadros de pessoal dos museus (porque dizem que não há dinheiro), se é mais oneroso ter determinados perfis profissionais do que outros, face ao que essa decisão implica em termos das prestações de serviços externas. Provavelmente não poderá haver uma solução-padrão idêntica para todos os museus. E temos que fazer escolhas diferenciadas.

Também temos que debater a autonomia dos directores dos museus em termos legais. Será que um ‘chefe de divisão’ ou um ‘director-de-serviços’ sem qualquer autonomia, sem qualquer espaço de decisão, sem qualquer espaço para mostrar a sua competência e criatividade, sempre sujeito ao arbítrio da tutela central, é uma solução rentável para a preservação-estudo-documentação-comunicação-divulgação das colecções e do Património? Como podem esses directores assumir compromissos sérios e estáveis com a comunidade que os envolve? Quem lhes vai dar crédito sabendo-os assim espartilhados?

Ora estas e outras questões ainda não foram debatidas em Portugal com a necessária ponderação e rigor. E estou plenamente convencido que há competência e capacidade para o fazer no seio das pessoas que existem em Portugal e se interessam pelo Património, pela Museologia, pelos Museus e pela preservação da nossa Memória.

Na minha opinião continua a não haver vontade nem interesse em nos convocarem para esse debate.

Mas tenho o direito à minha revolta.

            Abraço

 

Pedro Manuel Cardoso

 


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