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Caro José Vale, Não tenho a solução
mágica, nem competência para a ter. Mas sei que, em conjunto, éramos capazes de
a ter. Se houvesse um trabalho colectivo que aceitasse, sem melindre, as fortes
e duras críticas que inevitavelmente ocorreriam entre nós. Sem que ficássemos
reféns delas, ou fossem motivo para pararmos. A “falta de
meios” é uma realidade. Mas temos que «definir bem o que é falta de
meios». E o debate serviria também para isso. Na mensagem n.º 4255 - porque sabia que mais cedo ou mais tarde
essa questão tinha que ser colocada -
apresentei uma primeira solução. Num patamar mais elevado de decisão política
do que os museus ou a museologia. Concretamente a criação de uma «Fundação para
a Ciência e Cultura» à semelhança da FCT. Poderá parecer à primeira vista uma
sugestão pouco importante. Mas quem conhece como funciona a orgânica de um
Governo sabe que essa figura institucional faria, desde logo, uma repartição
diferente dos meios. Isto é, a “falta de
meios” não é só a inevitabilidade de fazer o Estado gastar mais. Pode
«gastar o mesmo repartindo de outro modo». Mas, ao mesmo tempo que
reivindicamos esse «repartir de outro modo» temos que saber fazer uma proposta
para essa repartição nova. E o debate servia para isso. Depois, na definição da
“falta de meios” há que avaliar se dar 10 a 40 mil euros a cada
museu é o caminho certo para haver uma mudança na falta do que lhes é
essencial. E temos que fazer vários outros trabalhos-de-casa em termos de
custo/benefício. Tendo em consideração a escala do tempo (a repercussão do
custo a curto, médio e longo prazo). Por exemplo, não podendo
ser preenchidos todos os lugares nos quadros de pessoal dos museus (porque dizem
que não há dinheiro), se é mais oneroso ter determinados perfis profissionais
do que outros, face ao que essa decisão implica em termos das prestações de
serviços externas. Provavelmente não poderá haver uma solução-padrão idêntica
para todos os museus. E temos que fazer escolhas diferenciadas. Também temos que debater a
autonomia dos directores dos museus em termos legais. Será que um ‘chefe
de divisão’ ou um ‘director-de-serviços’ sem qualquer
autonomia, sem qualquer espaço de decisão, sem qualquer espaço para mostrar a
sua competência e criatividade, sempre sujeito ao arbítrio da tutela central, é
uma solução rentável para a
preservação-estudo-documentação-comunicação-divulgação das colecções e do
Património? Como podem esses directores assumir compromissos sérios e estáveis
com a comunidade que os envolve? Quem lhes vai dar crédito sabendo-os assim
espartilhados? Ora estas e outras
questões ainda não foram debatidas em Portugal com a necessária ponderação e
rigor. E estou plenamente convencido que há competência e capacidade para o
fazer no seio das pessoas que existem em Portugal e se interessam pelo
Património, pela Museologia, pelos Museus e pela preservação da nossa Memória. Na minha opinião continua
a não haver vontade nem interesse em nos convocarem para esse debate. Mas tenho o direito à
minha revolta. Abraço Pedro Manuel Cardoso |
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