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Re: [Museum] Re Voltar a definir Museu e Museologia?

To :   <ajcmn@sapo.pt>
Subject :   Re: [Museum] Re Voltar a definir Museu e Museologia?
From :   Pedro Manuel Cardoso <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Mon, 9 Aug 2010 17:27:39 +0100

Caro Colega, António Nabais,

 

Sobre a Museologia/Patrimologia, por exemplo, não vemos na maior parte desses cursos (quase na sua totalidade) uma disciplina forte e sistemática que se chame “Museologia Portuguesa”. Não há ECTS para ela. É curioso.

Com todo o erro que possa ter esta minha opinião, todos esses cursos e pós-graduações deviam ter obrigatoriamente essa ‘disciplina’.

Não uma «história» pseudo-abstracta, fruto de uma re-re-interpretação dos factos, feita à medida de interesses particulares ou de cada idiossincrasia individual. Mas um texto com os 12 a 20 casos mais significativos que ocorreram no percurso museal/patrimonial em Portugal. Casos esses, não para enaltecer ou escarnecer do que foi feito em termos práticos (museográficos). Porque dessa lana caprina já há cá quanto basta. Mas para serem ligados ao «quadro de referência teórico da museologia actual». Isto é, para mostrarem ‘em quê’, e ‘em que data’, isso que foi feito acompanhava o que era feito no mundo nesse momento. E dessa análise, retirar as ilações sobre como influenciaram outras práticas a seguir a eles. Para se perceber qual o avanço, o atraso, a influência ou o retrocesso que ocorreu em Portugal. Ora, não vejo este conteúdo formativo nas universidades e faculdades que dão esses cursos.

É pena. Pois é a partir dessa análise comparativa com o concreto que poderíamos compreender qual foi o avanço teórico e metodológico em museologia/património. Era assim que, de modo objectivo, se poderia ver com clareza «o lugar e a ligação de todas essas ‘especialidades’» que se vão sucedendo sem regra no seio dos museus.

            Peço perdão para citar um desses casos em que o António Nabais teve um contributo crucial: o Ecomuseu do Seixal. Esse caso é importante para a Museologia por causa da influência que teve na mudança das «práticas» que se lhe seguiram. O mesmo acontece com o trabalho de Luís Raposo no Museu de Arqueologia. O mesmo aconteceu com Luís Efren Casanovas, que andou a semear Garry Thomson e Stefen Michalski por tudo quanto era museu e monumento em Portugal. Ou com Mértola de Cláudio Torres; ou com Leite de Vasconcelos, ou Vandeli, etc. Estes «casos paradigmáticos» são a História Concreta da Museologia Portuguesa. Outra coisa é o modo como querem fazer a ligação desses «factos» (podem fazê-la até como Popper sugeriu, seja pela historiografia, pela antropologia, pela sociologia, pela estética, pelo poder, seja de que modo quiserem). Hoje conseguíamos relacioná-la com as datas e os autores que no mundo foram fazendo as regras, as metodologias e as orientações teóricas que estão acima da museografia.

            Faço este comentário mais para aqueles que julgam que isto da Museologia não tem nada a ver com o prático e é só teoria.

            A construção deste conteúdo e desta substância, salvo melhor opinião, é que poderá defender o Património de intrusões nefastas e usos perniciosos.

            Abraço

 

Pedro Manuel Cardoso

 

 

 

De: ajcmn@sapo.pt [mailto:ajcmn@sapo.pt]
Enviada: segunda-feira, 9 de Agosto de 2010 13:10
Para: mty
Cc: museum@ci.uc.pt
Assunto: Re: [Museum] Re Voltar a definir Museu e Museologia?

 


Bom doa, caro Colega.
Subscrevo o que diz. De facto, vão inventando especialiazações (agora gestores) para continuar na rotina do nada fazer na museologia portuguesa. Os profissionais de museologia que tiram cursos (mestrados e pós-graduações) também aprendem gestão ou então esses cursos falham....
Estou muito triste com o que se passa em Portugal no que respeita aos museus e ao património cultural, em geral.

Um abraço
António Nabais

Citando Pedro Manuel Cardoso <mty@mail.tmn.pt>:

Caro Colega, António Nabais, que muito prezo,

Serão sempre "públicos". Mas nos últimos 36 anos continuaram, tal como dantes, a serem públicos, e em todas as mudanças de Governo, lá vieram sempre os mesmos "planos estratégicos" que diziam que era "agora" que esses problemas "públicos" se haveriam de resolver. E nada mudou.

            Creio, com toda a incerteza que vale uma opinião, que o que mudou e está a mudar no seio dos Museus e da Museologia não nos deve passar ao lado.

Se «os que se identificam com o trabalho museal e patrimonial» não souberem, de dentro, criar um conjunto de novas ferramentas técnicas que dêem uma nova consistência à sua prática, e ao discurso de reivindicação do que é essencial nesse seu trabalho, acontecerá o que está a acontecer.

Primeiro, apareceram os curiosos que não tinham lugar em mais lado nenhum e foram cá postos por isso, depois vieram os arquitectos, a seguir os curadores e os media-dores, e actualmente os gestores. Todos usando e manipulando o Património, dentro e fora dos museus, sem que ninguém lhes saiba pôr cobro. Até ao dia que a profecia do meu amigo se cumpra: «de que os museus passaram a ser lugares perigosos para as colecções». Então aí, já não haverá o tempo que ainda temos ao dispor hoje, para atalharmos caminho.

Digo isto com a mesma certeza que Almada disse. "ter dúvida é saber exactamente o que estou a dizer".

 

Pedro Manuel Cardoso

 


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