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Caro
Colega, António Nabais, Sobre a Museologia/Patrimologia, por exemplo, não
vemos na maior parte desses cursos (quase na sua totalidade) uma disciplina
forte e sistemática que se chame “Museologia Portuguesa”. Não há
ECTS para ela. É curioso. Com todo o erro que possa ter esta minha opinião,
todos esses cursos e pós-graduações deviam ter obrigatoriamente essa
‘disciplina’. Não uma «história» pseudo-abstracta, fruto de uma
re-re-interpretação dos factos, feita à medida de interesses particulares ou de
cada idiossincrasia individual. Mas um texto com os 12 a 20 casos mais
significativos que ocorreram no percurso museal/patrimonial em Portugal. Casos
esses, não para enaltecer ou escarnecer do que foi feito em termos práticos
(museográficos). Porque dessa lana caprina já há cá quanto basta. Mas
para serem ligados ao «quadro de referência teórico da museologia actual». Isto
é, para mostrarem ‘em quê’, e ‘em que data’, isso que
foi feito acompanhava o que era feito no mundo nesse momento. E dessa análise,
retirar as ilações sobre como influenciaram outras práticas a seguir a eles.
Para se perceber qual o avanço, o atraso, a influência ou o retrocesso que
ocorreu em Portugal. Ora, não vejo este conteúdo formativo nas universidades e
faculdades que dão esses cursos. É pena. Pois é a partir dessa análise comparativa
com o concreto que poderíamos compreender qual foi o avanço teórico e
metodológico em museologia/património. Era assim que, de modo objectivo, se
poderia ver com clareza «o lugar e a ligação de todas essas
‘especialidades’» que se vão sucedendo sem regra no seio dos
museus. Peço
perdão para citar um desses casos em que o António Nabais teve um contributo
crucial: o Ecomuseu do Seixal. Esse caso é importante para a Museologia por
causa da influência que teve na mudança das «práticas» que se lhe seguiram. O
mesmo acontece com o trabalho de Luís Raposo no Museu de Arqueologia. O mesmo
aconteceu com Luís Efren Casanovas, que andou a semear Garry Thomson e Stefen
Michalski por tudo quanto era museu e monumento em Portugal. Ou com Mértola de
Cláudio Torres; ou com Leite de Vasconcelos, ou Vandeli, etc. Estes «casos
paradigmáticos» são a História Concreta da Museologia Portuguesa. Outra coisa é
o modo como querem fazer a ligação desses «factos» (podem fazê-la até como
Popper sugeriu, seja pela historiografia, pela antropologia, pela sociologia,
pela estética, pelo poder, seja de que modo quiserem). Hoje conseguíamos
relacioná-la com as datas e os autores que no mundo foram fazendo as regras, as
metodologias e as orientações teóricas que estão acima da museografia. Faço
este comentário mais para aqueles que julgam que isto da Museologia não tem
nada a ver com o prático e é só teoria. A
construção deste conteúdo e desta substância, salvo melhor opinião, é que
poderá defender o Património de intrusões nefastas e usos perniciosos. Abraço Pedro
Manuel Cardoso De: ajcmn@sapo.pt
[mailto:ajcmn@sapo.pt]
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