Tal como o sistema de sucessão está montado pelos atuais “Representantes dos Eleitores” (democracia representativa com base no atual Parlamento e Constituição; com representantes cada vez mais afastados do que dizem representar; dominados pelo poder não-escrutinado, sobretudo o económico e o judicial, ainda por cima transnacional) não há nenhuma Agenda que consiga alterar seja o que for. Porque os familiares e descendentes das atuais figuras do Regime já ocupam atualmente os lugares de decisão; nos quais se manterão nos próximos trinta anos, até se reformarem com a idade dos seus progenitores e amigos. E assim sucessivamente. Em todos os concursos públicos, e em todos os lugares elegíveis ao dispor dos partidos com assento parlamentar, em todos os Media, em todas as mais importantes empresas, na coordenação ou vigilância de todos os laboratórios cujos resultados científicos e tecnológicos sejam decisivos, já ocupam as posições que pertenciam a esses seus ascendentes. É assim em todos os impérios. Basta fazer um simples exercício de verificação empírica para o constatar. A pouco e pouco a uniformização e a normalização (linguística, cultural, tecnológica, política, social, económica, emocional, etc.) tenderão para um ponto-de-saturação; sendo apenas nesse momento que o Sistema inicia o processo de destruturação/fragmentação; seguindo-se novamente o reinício do ciclo. Logo, nenhum resultado eleitoral, nenhum financiamento, ou qualquer Programa/Agenda conseguirá mudar a situação vigente. Mesmo que os resultados eleitorais sejam contrários aos ditames do Regime (como se tem visto na Grécia, na UE, e um pouco por todo o mundo). No sector da Cultura/Património a situação não foge a essa regra. Razão pela qual as manifestações públicas, e os actos mais ou menos heroicos, são acolhidos por esses com sorrisos e desdém. Porque os lugares de decisão já estão todos ocupados. Todos os actores das futuras decisões já foram escolhidos para a próxima legislatura. E os que transgredirem são substituídos. Será que se pode alterar este determinismo? Será que a Maria Vlachou tem razão com a proposta de uma Agenda para o sector da Cultura/Património? Ou não acabaremos todos na fila do multibanco como na Grécia, a chorar, enquanto votamos o contrário do que desejávamos? Resta a Liberdade de se contribuir através da partilha pública. Com reflexões, ideias, propostas, e contributos científicos e técnicos. Dirão que é pouco. Também digo o mesmo. Mas talvez seja essa a Liberdade que ainda sobra para se mudar e melhorar. Por isso é que lugares como a Lista Museum são tão preciosos e raros; apesar de sabermos que rapidamente tenderão a ser banidos por causa de um qualquer pretexto que hão-de inventar. Na parte que me cabe, que obviamente não é nenhuma, vou tentando teimosa e utopicamente com o movimento político que designei União Interdependente das Diversidades; com o Impronuncialismo, a nível da Arte e da Hermenêutica; e com a Museologia, a nível do Património; e com a Antropologia, a nível do processo de transmissibilidade do que é relevante. Sobretudo, prosseguindo com os Amigos. Relativamente à COLEÇÃO SEC, o que seria interessante perguntar neste momento a quem vai concorrer às próximas eleições era qual a decisão que irá tomar no caso de formar governo? Certamente haveria mais nins do que sins ou nãos. Como se não fosse esse mesmo Regime que referi no início a mandar, sejam quais forem os resultados eleitorais. Razão pela qual nas próximas mensagens, se me for permitido, regressarei à substância técnica e científica que permite ir construindo, em diálogo e partilha, o saber museológico e patrimonial. Pedro Manuel-Cardoso |
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