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[Museum] O FIM DOS PORTUGUESES/AS: Reflexões sobre a Identidade e o Património.

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] O FIM DOS PORTUGUESES/AS: Reflexões sobre a Identidade e o Património.
From :   PedroManuelCardoso <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Sat, 18 Jul 2015 20:14:53 +0100

                Ainda sobre «O FIM E O INÍCIO DE UMA SINGULARIDADE: PORTUGUÊS/PORTUGUESA» na continuação da mensagem n.º 13970 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg13970.html), sobretudo para aqueles que apenas acreditam no Empirismo, talvez seja interessante acrescentar o seguinte:

                Na «Nature Communications», em abril2013, foi publicado o resultado de uma investigação que permitiu reconstituir a «história do ADN Europeu» até 7500 anos a.C. Concretamente, através da análise das alterações ocorridas no ADNmitocondrial de células presentes em amostras de ossos e dentes de esqueletos europeus (trabalho realizado no Centro de Estudo do ADN Antigo, na Universidade de Adelaide, na Austrália). Nesse estudo, Wolfgang Haak, escreveu: “é possível seguir toda a história genética ao longo de 4000 anos, desde o aparecimento dos primeiros agricultores na Europa até ao início da Idade do Bronze”. Isto é, nas palavras de Hélder Robalo: “a história de toda a migração de membros da comunidade da Cultura do Vaso Campaniforme, cujos registos de ADN foram considerados semelhantes aos das populações atuais de Portugal e Espanha”.

                O estudo também provou que mais de 40% da população europeia atual pertence a esta linhagem genética, “com frequências mais elevadas no oeste do que no leste”. Paul Brotherton, outro dos autores do estudo, afirma que em 4500 a.C. ocorreu um acontecimento que provocou uma grande migração da cultura da Península Ibérica em direção à Europa central com a consequente miscigenação daí derivada, a qual terá sido uma das causas da “expansão das línguas celtas pela costa do Atlântico até à Europa central”.

                O estudo mostra ainda que a partir de 4000 a.C houve uma “estabilização na diversidade do ADN, concretamente no grupo halp H” (que corresponde ao período designado por Neolítico Médio). E por volta de 2800 a.C a expansão da Cultura do Vaso Campaniforme da Península Ibérica (Portugal e Espanha) chega à atual Alemanha.

                Ora, vista a questão por esta perspetiva empirista e científica, «O FIM DOS PORTUGUESES/AS» ainda parece mais difícil de sustentar. E se pensarmos nas miscigenações ocorridas de há 800 anos para cá, não apenas a nível genético, ou produzidas à força pelos “Achamentos Mútuos” e pelos colonialismos. Mas também as que se produziram com as parcerias entre universidades e Pessoas, e que se exponenciam com as plataformas digitais, como por exemplo esta Lista Museum, ou o Google, o Twitter, o Facebook e outras. “Eu sou um Outro” dizia Brecht.

                Mas poderíamos mudar de escala. E aí a coisa ainda era mais terrível. Se fizéssemos a história do intervalo entre «dez elevado a menos 43» até «dez elevado a mais 43» (isto é, desde o Big Bang, há 13800 milhões de anos, até aos 1350cc do cérebro dos atuais Homo sapiens sapiens) o que encontraríamos? Encontraríamos «uma história ainda mais COMUM», datada do seguinte modo: i) Big Bang (13800 Milhões de Anos/ MA); ii) Fotões? (13800MA menos 380 mil anos); iii) Protões e Neutrões através de quarks e gluões (13800MA menos dez elevado a menos quatro); iv) Fusão de Protões e Neutrões (13800MA menos 0,01 segundos); v) Núcleo dos átomos (13800MA menos 3 minutos); vi) Átomos (13420MA); vii) estrelas (13250MA); vi) galáxias (13100MA); viii) sistema solar e planetas (12900MA); ix) Terra (4600MA); x) moléculasARN (3800MA); xi) células (3400MA); xii) Eucariotes/Eucariontes (1600MA); xiii) Multicelulares (2100MA); xiv) Pluricelulares (600MA); xv) Sociedades, Homo habilis, Lucy (3Milhões de Anos); xvi) Homo sapiens (400 mil a 100 mil anos); xvii) Homo sapiens sapiens (80/60 mil anos)…

                E só depois de tudo isto, há uns dias, é que aparece esta pequena discussão sobre «O FIM DOS PORTUGUESES/AS», que talvez esconda a habitual perpetração humana eugénica de pretender andarem a exterminar-se uns aos outros. Em que, como escrevi, afinal: «o Outro não é senão um heterónimo do Mesmo».

                Assim, o desdobramento matemático que fiz na tal mensagem n.º 13970 talvez adquira outro significado.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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