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MNA
Digital: Boletim n.º 22
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Lusitânia
Romana. Origem de dois povos / Lusitania Romana. Origen de dos
pueblos"
A colonização romana, sobretudo no Ocidente, caracterizou-se por uma
integração total (militar, administrativa, legislativa, judicial e
económica). Os 210 bens culturais, de grande relevo arqueológico,
histórico e artístico, exibidos nesta exposição, são o convite para a
descoberta da romanização da Província da Lusitânia.
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Todas as quintas
feiras, às 11h00 e às 15h00
Workshop "Que os jogos comecem!"
Os visitantes são convidados a jogar jogos romanos (Marellus, Tabula,
Decima Scripta).
Para marcações contacte Mário Antas através do telefone 213
620 000 (ext. 129) ou do e-mail: marioantas@mnarqueologia.dgpc.pt
Para outras atividades no âmbito da exposição "Lusitânia Romana.
Origem de dois povos / Lusitania Romana. Origen de dos pueblos"
consulte a programação.
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9 de abril, às
15h30
O impacto das «Doações de Alexandria» no rumo da
História Política Romana - conferência por José das Candeias
Sales*
Augusto constituiu a província romana da Lusitânia com os territórios
conquistados durante os séculos II e I a.C. no ocidente da Península
Ibérica, no espaço compreendido entre o Guadiana, a costa atlântica,
meridional e ocidental, e o curso do rio Douro a norte.
Enquanto esses territórios eram conquistados pelos exércitos romanos
no extremo oeste da Europa, na outra ponta, na zona do Mediterrâneo
oriental, mais concretamente na cidade de Alexandria, desenvolviam-se
outros importantes acontecimentos que seriam determinantes para o
desenlace político do segundo triunvirato romano e, em consequência,
para a história do Império Romano, tendo por intervenientes, entre
outros Cleópatra VII, Marco António e o próprio Octávio.
Aquilo que propomos nesta sessão, apoiados numa apresentação
preparada para o efeito, é uma reflexão sobre os acontecimentos
desenrolados em Alexandria na parte final do século I a.C., com
particular destaque para o impacto político das chamadas «Doações de
Alexandria». (34 a.C.)
Tratou-se de um acto político, público, intencional e programado, em
que Marco António dividiu a sua parte do mundo romano entre os quatro
filhos de Cleópatra VII, visando, no fundo, um objectivo muito
concreto: fundar simbolicamente uma nova ordem geo-política no
Mediterrâneo oriental ao sabor dos interesses egípcio-romanos, tendo
como centro da civilização greco-egípcio latina a cidade de
Alexandria.
As doações horrorizaram Roma, provocando uma ruptura fatal nas
relações de Marco António com o Senado e estiveram entre as causas da
última guerra civil da República Romana, cuja vitória, em 30 a.C., permitiria
justamente a Octávio a transição para a Era imperial.
* Universidade Aberta, Centro de História da
Universidade de Lisboa
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16, 17 e 19 de
abril
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios
O MNA junta-se à comemoração do Dia Internacional dos
Monumentos e Sítios, celebrado a 18 de abril,
apresentando diversas iniciativas que têm como objetivo
fundamental alertar e sensibilizar para a importância do
conhecimento, da proteção e da valorização do património.
As atividades incluem visitas orientadas bem como ateliês.
Dia 16:
10h30 - Entendendo o passado através dos objetos do Museu *;
11h00 - "Lusitânia Romana. Origem de dois povos" -
Termas, teatros, anfiteatros e circos. Vamos conhecê-los? **;
14h00 - Entendendo o passado através dos objetos do Museu *;
15h30 - Peça do mês comentada - Anéis tardo-medievais e
Tardo-renascentistas na coleção do MNA **;
16h30 - Peixe, se faz favor! *
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Dia 17:
11h30 - Peddy Paper "À Descoberta da Lusitânia" **.
Dia 19:
10h00 - Atrás das portas do Museu: objetos antigos, novas visões *;
14h00 - Atrás das portas do Museu: objetos antigos, novas visões *.
Para mais informações e marcações contacte:
* Mário Antas
telef. 21 362 00 00
marioantas@mnarqueologia.dgpc.pt
** Maria José Albuquerque
telef. 21 362 00 00
malbuquerque@mnarqueologia.dgpc.pt
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16 de abril, às
15h30
Peça do Mês Comentada - Anéis tardo-medievais e
tardo-renascentistas da coleção do MNA, por Nuno Vassallo e Silva
O MNA possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de
milhares, de objetos. Provêm eles de intervenções arqueológicas
programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições,
tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por
depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.
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Todos os
períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de
peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste
caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no
MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras,
igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.
O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior
quantidade de peças classificadas como "tesouros
nacionais".
No entanto, há ainda espaço para receber exposições temporárias com
bens culturais, alguns de cariz único, cedidos por outras
instituições.
Existe, pois, sempre motivo de descoberta no MNA e é esse o sentido
da evocação que fazemos, em cada mês que passa.
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19 a 23 de abril
"Roma não se fez num dia", por ocasião
do dia do Museu Nacional de Arqueologia (22 de abril)
Por ocasião do dia do MNA, celebrado a 22 de abril (data em que o MNA
abriu ao público no Mosteiro dos Jerónimos, em 1906), e no âmbito da
exposição "Lusitânia Romana. Origem de dois povos / Lusitania
Romana. Origen de dos pueblos", aproveite para ficar a conhecer
as técnicas de construção romana e participe nas atividades a
decorrerem.
O programa será divulgado em breve.
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30 de abril, às
16h00
Lançamento do livro História
de Pragança e Montejunto e seus Ricos Patrimónios de Fernando
Pereira Sá
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30 de abril, às
18h30
Inauguração da exposição "Diálogo com a Arte
Rupestre" de Mariola Landowska
«O interesse
pela arqueologia, a mitologia e a etnografia não me abandona desde a
minha viagem artística, em 1994, quando vi a arte rupestre do Brasil,
nomeadamente na Serra da Capivara e Pedra do Ingá. Foi também um
grande privilégio, depois em Portugal, encontrar Foz Côa, com as
gravuras mais lindas e que melhor representam o quotidiano do homem
pré-histórico. (...) A ligação entre homem e animal é algo
milenar, fala-nos sobre fraquezas do homem e ao mesmo tempo de força.
Usar as minhas cores e dar um suporte à minha arte rupestre, é muito
gratificante para mim como artista.»
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6 a 29 de abril
Itinerância da exposição "O Arquivo Leisner
e os Arquivos Históricos da Arqueologia Portuguesa"
No dia 4 de fevereiro teve lugar, no Anfiteatro 1 da Faculdade de
Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), o workshop "O
Arquivo Leisner e os Arquivos Históricos da Arqueologia
Portuguesa", tendo sido inaugurado, na mesma ocasião, uma
exposição documental com o objetivo de apresentar o Arquivo
Leisner em interligação com outros acervos documentais /
instituições, entre os quais se encontra o MNA.
Esta exposição, patente na FLUL até 15 de março, encontra-se agora em
itinerância, apresentando-se, entre 6 e 29 de abril, no Museu
Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz.
Mais informação aqui.
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Biblioteca e
Arquivo Histórico do MNA
Em destaque
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As Cortes em
Portugal – visitar o passado nacional através da documentação
[Cerimonial de Abertura, celebração e Precedências das Cortes Gerais
de Portugal] [Manuscrito] - [S. l., 1750-1830?]. – [1] fl.: papel, 44cm.
– texto em português
BMNARQ – Ms/Pp/Div.
Neste mês de Abril propomos, aos nossos leitores e investigadores,
uma visita ao fundo de manuscritos do Museu Nacional de Arqueologia,
realçando um documento histórico precioso tanto sob o ponto de vista
simbólico como identitário. Trata-se do Cerimonial de Abertura, Celebração e
Precedências das Cortes Gerais de Portugal –
fundamentado nas míticas Cortes de Lamego –
um manuscrito magnificamente trabalhado e elaborado, adquirido em
conjunto com muitos outros, pelo fundador da nossa instituição, José
Leite de Vasconcelos.
Apesar de não estar datado, crê-se, com base no papel e caligrafia,
que o manuscrito que agora se expõe seja da segunda metade do século
XVIII (mais tardar, inícios do XIX).
Num primeiro plano, importa referir que as Cortes eram assembleias
políticas da monarquia portuguesa, detendo um caráter consultivo e
deliberativo. Convocadas pelo soberano (ou em seu nome),
destinavam-se a reunir, sobre um mesmo espaço e sobre a alçada real,
as três ordens (ou estados) que compunham a massa social: Clero,
Nobreza
e Povo.
Em conjunto, este corpo político tratava de deliberar sobre assuntos
destinados a promover o bem e a harmonia
do reino.
Previamente, era feita uma convocatória para que os três grupos sociais
comparecessem em lugar marcado para o efeito (geralmente nas
principais cidades do Reino). Depois, por norma, existia uma sessão
solene onde era proferido um discurso de abertura - a cargo de alguém
nomeado pelo rei - e onde eram mencionados os motivos da convocação
(i.e. impostos, guerra, dotes das princesas, aclamação de reis,
juramento de príncipes etc.). Os trabalhos das cortes desenrolavam-se
em reuniões separadas de cada um dos três Estados, apresentando
depois, cada um por si, ao rei, as suas petições (no caso de algum
pedido dirigido ao soberano) ou conclusões (quando os pedidos eram
feitos pelo monarca aos três Estados). Geralmente estes trabalhos
decorriam por tempo indeterminado mas a sua duração média seria de um
mês.
As cerimónias de abertura – importantes como ritos de confirmação do
compromisso entre governante e governados – estão minuciosamente
descritas no manuscrito. Eram autênticas encenações de poder que
obedeciam a um certo número de condições e preceitos que iam desde as
precedências protocolares dos principais representantes de cada
"Estado" até à decoração faustosa dos assentos onde se
realizavam estas assembleias.
As primeiras Cortes realizadas em Portugal, de que se tem memória,
foram as lendárias Cortes de Lamego. Esta reunião teria
ocorrido entre o ano de 1139 e o de 1143 com o objetivo de aclamar e
jurar D. Afonso Henriques como rei de Portugal ao mesmo tempo que se
criaram leis para regular a sucessão dinástica no reino. Por exemplo,
numa delas, foi estabelecido que as mulheres gozariam de direitos
sucessórios idênticos aos dos varões, em caso de serem as únicas na
linha de sucessão. Porém, para manterem os seus direitos teriam que
casar-se com portugueses e nunca com estrangeiros evitando uma
possível perda da soberania nacional. Talvez por isso se compreenda
porque é que até ao século XIX as ancestrais Cortes de Lamego
fossem historicamente inquestionáveis no imaginário político e
mental. Basta recordar as dificuldades sentidas pela primogénita do
rei D. José I (1750-1777), a princesa da Beira, D. Maria Francisca
Isabel (futura D. Maria I) quando o poderoso ministro josefino, o
marquês de Pombal, a tentou afastar da linha de sucessão em favor do
filho da princesa. Ou ainda, por altura da guerra civil entre D.
Miguel e D. Pedro, quando os absolutistas recusaram a entronização do
Imperador do Brasil, D. Pedro I, como rei de Portugal por este se ter
tornado "estrangeiro" ao tornar a colónia independente em
1822.
Todavia, está mais que provado que as Actas das Cortes de Lamego
é um documento de cariz nacionalista claramente forjado no século
XVII pelos monges de Alcobaça, na pena de Frei António Brandão, com o
intuito de justificar a independência de Portugal face a Castela,
após 1640.
Apesar de forjadas por interesses políticos, a sua importância não
deixa de ser basilar para entender a identidade e o devir histórico
do nosso país ao longo dos últimos séculos!
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Notícias breves
A partir de 7 de abril, serão disponibilizados áudio-guias das
inscrições, presentes na exposição "Lusitânia Romana. Origem de
dois povos / Lusitania Romana. Origen de dos pueblos", em latim.
Encontram-se desde já disponíveis áudio-guias em português, inglês e
castelhano.
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