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[Museum] Museu Nacional de Arqueologia - BOLETIM - ABRIL 2016

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>, "histport" <histport@ml.ci.uc.pt>, "archport" <archport@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Museu Nacional de Arqueologia - BOLETIM - ABRIL 2016
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Fri, 1 Apr 2016 23:13:41 +0100

Title: BOLETIM - ABRIL 2016

 

MNA Digital: Boletim n.º 22

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Lusitânia Romana. Origem de dois povos / Lusitania Romana. Origen de dos pueblos"

A colonização romana, sobretudo no Ocidente, caracterizou-se por uma integração total (militar, administrativa, legislativa, judicial e económica). Os 210 bens culturais, de grande relevo arqueológico, histórico e artístico, exibidos nesta exposição, são o convite para a descoberta da romanização da Província da Lusitânia.

 

 

 

Todas as quintas feiras, às 11h00 e às 15h00
Workshop "Que os jogos comecem!"

Os visitantes são convidados a jogar jogos romanos (Marellus, Tabula, Decima Scripta).

Para marcações contacte Mário Antas através do telefone 213 620 000 (ext. 129) ou do e-mail: marioantas@mnarqueologia.dgpc.pt

Para outras atividades no âmbito da exposição "Lusitânia Romana. Origem de dois povos / Lusitania Romana. Origen de dos pueblos" consulte a programação.

 

 

 

orarium

9 de abril, às 15h30
O impacto das «Doações de Alexandria» no rumo da História Política Romana - conferência por José das Candeias Sales* 

Augusto constituiu a província romana da Lusitânia com os territórios conquistados durante os séculos II e I a.C. no ocidente da Península Ibérica, no espaço compreendido entre o Guadiana, a costa atlântica, meridional e ocidental, e o curso do rio Douro a norte.

Enquanto esses territórios eram conquistados pelos exércitos romanos no extremo oeste da Europa, na outra ponta, na zona do Mediterrâneo oriental, mais concretamente na cidade de Alexandria, desenvolviam-se outros importantes acontecimentos que seriam determinantes para o desenlace político do segundo triunvirato romano e, em consequência, para a história do Império Romano, tendo por intervenientes, entre outros Cleópatra VII, Marco António e o próprio Octávio.

Aquilo que propomos nesta sessão, apoiados numa apresentação preparada para o efeito, é uma reflexão sobre os acontecimentos desenrolados em Alexandria na parte final do século I a.C., com particular destaque para o impacto político das chamadas «Doações de Alexandria». (34 a.C.)

Tratou-se de um acto político, público, intencional e programado, em que Marco António dividiu a sua parte do mundo romano entre os quatro filhos de Cleópatra VII, visando, no fundo, um objectivo muito concreto: fundar simbolicamente uma nova ordem geo-política no Mediterrâneo oriental ao sabor dos interesses egípcio-romanos, tendo como centro da civilização greco-egípcio latina a cidade de Alexandria.

As doações horrorizaram Roma, provocando uma ruptura fatal nas relações de Marco António com o Senado e estiveram entre as causas da última guerra civil da República Romana, cuja vitória, em 30 a.C., permitiria justamente a Octávio a transição para a Era imperial.

* Universidade Aberta, Centro de História da Universidade de Lisboa

 

 

 

16, 17 e 19 de abril
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

O MNA junta-se à comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebrado a 18 de abril, apresentando diversas iniciativas que têm como objetivo fundamental alertar e sensibilizar para a importância do conhecimento, da proteção e da valorização do património.

As atividades incluem visitas orientadas bem como ateliês.

Dia 16:
10h30 - Entendendo o passado através dos objetos do Museu *;
11h00 - "Lusitânia Romana. Origem de dois povos" - Termas, teatros, anfiteatros e circos. Vamos conhecê-los? **;
14h00 - Entendendo o passado através dos objetos do Museu *;
15h30 - Peça do mês comentada - Anéis tardo-medievais e Tardo-renascentistas na coleção do MNA **;
16h30 - Peixe, se faz favor! *

 

992.67.1

Dia 17:
11h30 - Peddy Paper "À Descoberta da Lusitânia" **.

Dia 19:
10h00 - Atrás das portas do Museu: objetos antigos, novas visões *;
14h00 - Atrás das portas do Museu: objetos antigos, novas visões *.

Para mais informações e marcações contacte:

* Mário Antas
telef. 21 362 00 00
marioantas@mnarqueologia.dgpc.pt

** Maria José Albuquerque
telef. 21 362 00 00
malbuquerque@mnarqueologia.dgpc.pt

 

 

 

16 de abril, às 15h30
Peça do Mês Comentada - Anéis tardo-medievais e tardo-renascentistas da coleção do MNA, por Nuno Vassallo e Silva

O MNA possui um acervo de muitos milhares, na verdade centenas de milhares, de objetos. Provêm eles de intervenções arqueológicas programadas ou de achados fortuitos, mas também de aquisições, tendo sido incorporados por iniciativa do próprio Museu ou por depósito ou por doação de investigadores e colecionadores.

 

Todos os períodos cronológicos e culturais, e também todos os tipos de peças, desde a mais remota Pré-História até épocas recentes, neste caso com relevo para as peças etnográficas, estão representados no MNA. Às coleções portuguesas acrescentam-se as estrangeiras, igualmente de períodos e regiões muito diversificadas.

O MNA é ainda o museu português que possui no seu acervo a maior quantidade de peças classificadas como "tesouros nacionais".

No entanto, há ainda espaço para receber exposições temporárias com bens culturais, alguns de cariz único, cedidos por outras instituições.

Existe, pois, sempre motivo de descoberta no MNA e é esse o sentido da evocação que fazemos, em cada mês que passa.

 

 

 

19 a 23 de abril
"Roma não se fez num dia", por ocasião do dia do Museu Nacional de Arqueologia (22 de abril)

Por ocasião do dia do MNA, celebrado a 22 de abril (data em que o MNA abriu ao público no Mosteiro dos Jerónimos, em 1906), e no âmbito da exposição "Lusitânia Romana. Origem de dois povos / Lusitania Romana. Origen de dos pueblos", aproveite para ficar a conhecer as técnicas de construção romana e participe nas atividades a decorrerem.

O programa será divulgado em breve.

 

 

 

30 de abril, às 16h00
Lançamento do livro História de Pragança e Montejunto e seus Ricos Patrimónios de Fernando Pereira Sá

 

 

 

30 de abril, às 18h30
Inauguração da exposição "Diálogo com a Arte Rupestre" de Mariola Landowska

«O interesse pela arqueologia, a mitologia e a etnografia não me abandona desde a minha viagem artística, em 1994, quando vi a arte rupestre do Brasil, nomeadamente na Serra da Capivara e Pedra do Ingá. Foi também um grande privilégio, depois em Portugal, encontrar Foz Côa, com as gravuras mais lindas e que melhor representam o quotidiano do homem pré-histórico. (...) A ligação entre homem e animal é algo milenar, fala-nos sobre fraquezas do homem e ao mesmo tempo de força. Usar as minhas cores e dar um suporte à minha arte rupestre, é muito gratificante para mim como artista.»

 

Extramuros

 

6 a 29 de abril
Itinerância da exposição "O Arquivo Leisner e os Arquivos Históricos da Arqueologia Portuguesa"

No dia 4 de fevereiro teve lugar, no Anfiteatro 1 da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), o workshop "O Arquivo Leisner e os Arquivos Históricos da Arqueologia Portuguesa", tendo sido inaugurado, na mesma ocasião, uma exposição documental com o objetivo de apresentar o Arquivo Leisner em interligação com outros acervos documentais / instituições, entre os quais se encontra o MNA.

Esta exposição, patente na FLUL até 15 de março, encontra-se agora em itinerância, apresentando-se, entre 6 e 29 de abril, no Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz.

Mais informação aqui.

 

 

Biblioteca e Arquivo Histórico do MNA
Em destaque

 

As Cortes em Portugal – visitar o passado nacional através da documentação
 
[Cerimonial de Abertura, celebração e Precedências das Cortes Gerais de Portugal] [Manuscrito] - [S. l., 1750-1830?]. – [1] fl.: papel, 44cm. – texto em português
BMNARQ – Ms/Pp/Div.
 
Neste mês de Abril propomos, aos nossos leitores e investigadores, uma visita ao fundo de manuscritos do Museu Nacional de Arqueologia, realçando um documento histórico precioso tanto sob o ponto de vista simbólico como identitário. Trata-se do Cerimonial de Abertura, Celebração e Precedências das Cortes Gerais de Portugal – fundamentado nas míticas Cortes de Lamego – um manuscrito magnificamente trabalhado e elaborado, adquirido em conjunto com muitos outros, pelo fundador da nossa instituição, José Leite de Vasconcelos.

Apesar de não estar datado, crê-se, com base no papel e caligrafia, que o manuscrito que agora se expõe seja da segunda metade do século XVIII (mais tardar, inícios do XIX).

Num primeiro plano, importa referir que as Cortes eram assembleias políticas da monarquia portuguesa, detendo um caráter consultivo e deliberativo. Convocadas pelo soberano (ou em seu nome), destinavam-se a reunir, sobre um mesmo espaço e sobre a alçada real, as três ordens (ou estados) que compunham a massa social: Clero, Nobreza e Povo. Em conjunto, este corpo político tratava de deliberar sobre assuntos destinados a promover o bem e a harmonia do reino.

Previamente, era feita uma convocatória para que os três grupos sociais comparecessem em lugar marcado para o efeito (geralmente nas principais cidades do Reino). Depois, por norma, existia uma sessão solene onde era proferido um discurso de abertura - a cargo de alguém nomeado pelo rei - e onde eram mencionados os motivos da convocação (i.e. impostos, guerra, dotes das princesas, aclamação de reis, juramento de príncipes etc.). Os trabalhos das cortes desenrolavam-se em reuniões separadas de cada um dos três Estados, apresentando depois, cada um por si, ao rei, as suas petições (no caso de algum pedido dirigido ao soberano) ou conclusões (quando os pedidos eram feitos pelo monarca aos três Estados). Geralmente estes trabalhos decorriam por tempo indeterminado mas a sua duração média seria de um mês.

As cerimónias de abertura – importantes como ritos de confirmação do compromisso entre governante e governados – estão minuciosamente descritas no manuscrito. Eram autênticas encenações de poder que obedeciam a um certo número de condições e preceitos que iam desde as precedências protocolares dos principais representantes de cada "Estado" até à decoração faustosa dos assentos onde se realizavam estas assembleias.

As primeiras Cortes realizadas em Portugal, de que se tem memória, foram as lendárias Cortes de Lamego. Esta reunião teria ocorrido entre o ano de 1139 e o de 1143 com o objetivo de aclamar e jurar D. Afonso Henriques como rei de Portugal ao mesmo tempo que se criaram leis para regular a sucessão dinástica no reino. Por exemplo, numa delas, foi estabelecido que as mulheres gozariam de direitos sucessórios idênticos aos dos varões, em caso de serem as únicas na linha de sucessão. Porém, para manterem os seus direitos teriam que casar-se com portugueses e nunca com estrangeiros evitando uma possível perda da soberania nacional. Talvez por isso se compreenda porque é que até ao século XIX as ancestrais Cortes de Lamego fossem historicamente inquestionáveis no imaginário político e mental. Basta recordar as dificuldades sentidas pela primogénita do rei D. José I (1750-1777), a princesa da Beira, D. Maria Francisca Isabel (futura D. Maria I) quando o poderoso ministro josefino, o marquês de Pombal, a tentou afastar da linha de sucessão em favor do filho da princesa. Ou ainda, por altura da guerra civil entre D. Miguel e D. Pedro, quando os absolutistas recusaram a entronização do Imperador do Brasil, D. Pedro I, como rei de Portugal por este se ter tornado "estrangeiro" ao tornar a colónia independente em 1822.

Todavia, está mais que provado que as Actas das Cortes de Lamego é um documento de cariz nacionalista claramente forjado no século XVII pelos monges de Alcobaça, na pena de Frei António Brandão, com o intuito de justificar a independência de Portugal face a Castela, após 1640.

Apesar de forjadas por interesses políticos, a sua importância não deixa de ser basilar para entender a identidade e o devir histórico do nosso país ao longo dos últimos séculos!

 

 

página da rede de bibliotecas da DGPC e pode contactar o serviço através do endereço de e-mail biblioteca@mnarqueologia.dgpc.pt.

 

 

Notícias breves


A partir de 7 de abril, serão disponibilizados áudio-guias das inscrições, presentes na exposição "Lusitânia Romana. Origem de dois povos / Lusitania Romana. Origen de dos pueblos", em latim.

Encontram-se desde já disponíveis áudio-guias em português, inglês e castelhano.

 

Direção: António Carvalho | Edição: Carla Barroso
Textos: equipa técnica do MNA; Ricardo Pinto; José das Candeias Sales
Imagens: equipa técnica do MNA; Arquivo de Documentação Fotográfica / Direcção-Geral do Património Cultural (ADF/DGPC); José das Candeias Sales; Mariola Landowska; Museu Municipal Santos Rocha / Câmara Municipal da Figueira da Foz; Pedro Oliveira Inácio; Projecto Estela

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