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[Museum] O governos da Cultura e o Lugar da Cultura

To :   museum@ci.uc.pt
Subject :   [Museum] O governos da Cultura e o Lugar da Cultura
Date :   Mon, 10 Oct 2016 10:36:55 +0100


Pedro Manuel Cardoso propõe reflecte sobre Lisboa e sobre a Política publica para a cultura.
A questão que coloca é simples. A cultura tem sido olhada como um objeto.
O que o Pedro propõe é a cultura se transformar num sujeito para pensar a cidade. Em tese, demonstra que essa incapacidade de pensar a cultura como um sujeito da cidade, nos conduz a todos, "lisboetas" e visitantes ao desastre".
E urge recolocar a cultura no centro da  das políticas públicas.
O problema não é apenas existir um Ministério da Cultura ou uma Secretaria da Cultura. É pensar do lugar da cultura na cidade e nas políticas públicas. A cultura não é apenas um objeto a que temos "direito" mas é um instrumento para criar bem-estar e felicidade. Um direito que temos que exercer.

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Tópicos de Hoje:

   1. O Governo da Cultura (PedroManuelCardoso)


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Message: 1
Date: Sun, 9 Oct 2016 18:35:13 +0100
From: "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Subject: [Museum] O Governo da Cultura
To: <museum@ci.uc.pt>
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            O Programa de Governo para a Cultura, e o modo infeliz como nele
a Política Pública de Património foi tratada, são uma ameaça para a
preservação e desenvolvimento dos valores patrimoniais e culturais do País.
Porque menoriza o seu contributo para o emprego qualificado, para a
competitividade, e para a economia.

            Neste momento, os Responsáveis do Estado pela Política Pública
de Património nem sequer conseguem acompanhar o dinamismo e o mérito das
recentes iniciativas que ocorrem a nível Privado. Comportam-se perante elas
como há trinta anos atrás. Como se nada tivesse mudado no País, na Europa, e
no Mundo. O Governo da Cultura e do Património dorme no conforto desse
Paradigma antigo (organização, orgânica dos serviços, planos de atividades,
orçamentos, fontes de financiamento). Sucedem-se os actos avulsos e
dispersos de compra e de construção sem consistência nem enquadramento num
Projeto Patrimonial. Usam o mediatismo para disfarçar o problema. Como se o
problema se resolvesse com Mirós, CCB´s, Eixos Santa Apolónia/Belém, rotas,
inaugurações, anúncios, e outros disfarces.

            Há desnorte, descoordenação, e falta de rumo. A redação do
Programa de Governo para a Cultura e as escolhas políticas para a sua
execução foram um fracasso, que os acontecimentos posteriores vieram
confirmar. Infelizmente, como tínhamos antecipado numa mensagem enviada
antes das últimas eleições.

            O Governo da Cultura não tem um Projeto Patrimonial para Lisboa
e para o País. O silêncio de quem Governa começa a ser ensurdecedor, perante
os casos e os problemas que necessitam de ser resolvidos.

            Em Lisboa a pressão urbanística e o turismo massificado atraem a
construção desenfreada e o lucro rápido, cujo ímpeto tudo destrói à sua
frente. São lojas tradicionais, são os munícipes que nela nasceram há
décadas, são vozes que cada dia se levantam com mais desespero e impotência.
O episódio do MAAT é apenas um pequeno indício do que está para vir. Uma
gota que fez transbordar a consciência do problema. Mostrou como Lisboa está
dominada por um Plano Urbanístico curvado perante os interesses da
arquitetura e da construção civil, mas ausente de Projeto Patrimonial.

            A ausência de um Projeto Patrimonial para Lisboa e para o País
apanhou os Responsáveis do Estado pela Política Pública de Património
desprevenidos. Não acautelaram nem anteciparam o problema no Programa do
Governo, como tínhamos alertado na devida altura. Agora não têm meios para
reagir, e não lhes são dados exatamente para não poderem reagir. Acrescido
do facto de a Corporação dominar os lugares de decisão e chefia.

            Assim sendo, urge uma solução.

            Permitam uma pequena sugestão.

            Declare-se o «estuário do Tejo» (e «Lisboa no seu conjunto»)
como Paisagem Cultural Protegida. Definindo um determinado «Perímetro
Patrimonial» com uma hierarquia legal acima dos atuais Planos Urbanísticos e
respetivas Zonas Patrimoniais. Ou seja, protegida patrimonialmente no seu
Conjunto como Paisagem e não como Coisa Imobiliária (não dividida em
bairros, eixos, ou pólos). Dentro desse «perímetro definam-se sub-áreas de
paisagem. O «estuário do Tejo» seria uma delas (em vez do famigerado «eixo
Santa Apolónia ? Belém/Algés»).

O Regulamento desse perímetro, para além de normas orientadoras da
construção, obrigava todas as grandes empresas (por exemplo, a EDP) que nele
quisessem construir a uma Taxa de Financiamento do Projeto Patrimonial
designado ?Lisboa, Património da Humanidade?.

O Estado deste modo encontrava os recursos financeiros que não dispõe para
investir num projeto Patrimonial faseado e gradual que tornaria Lisboa um
caso único. Todos os museus, coleções, monumentos, sítios, documentos que
pertencessem a ?Lisboa, Património da Humanidade? beneficiavam dessa Taxa, e
eram coordenados pela orientação e planeamento desse Projeto. Em vez de ser
apenas o lóbi da construção civil e da arquitetura/design, passava a ser a
Cultura e o Património a decidirem. Em vez de ser apenas o critério de «ser
um bom ou mau projeto arquitetónico», passava a ser o critério de, além
disso, ter que contribuir para a preservação e desenvolvimento de Lisboa
enquanto Paisagem Cultural candidata a Património Mundial da Humanidade por
contar a história do povoamento humano desde o Paleolítico Superior na
Europa Ocidental e Atlântica.

A Política Pública do Património não quer este Projeto Patrimonial nem este
Perímetro de Proteção porque quer continuar a construir de acordo com a
vontade dos interesses urbanísticos e arquitetónicos de uma minoria.
Qualquer dia as margens do Tejo ficam com os mesmos arranha-céus de dezenas
de cidades feias e tristes que proliferam pelo mundo, ditas ?modernas e
contemporâneas?. E as Colinas são apartamentos de luxo de torres
imobiliárias, a centenas de euros o metro quadrado. A Paisagem vê-se dos
terraços dessas torres, cujo acesso por elevador custa ao comum do Povo 5
euros. Tal como vai ser no Miradouro Privado chamado MAAT. O Direito Público
à Paisagem é apropriado por um pequeno grupo à revelia de uma Cultura
verdadeiramente Democrática.

Que forças políticas, e que responsáveis no Estado, são coniventes e
permitem esta situação? Talvez um dia a História conte melhor do que eu esta
história.

Pedro Manuel-Cardoso




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