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Caro Pedro Cardoso , boa noite.
As questões aqui colocadas relativamente à situação actual da RPM merecem uma ampla discussão.
Está em causa uma política pública para os museus e património que ficou amputada e a falência da última e única Rede Publica da Cultura que foi literalmente desmantelada com o despedimento da equipa formada por cinco técnicos
qualificados que ao longo de uma década ( os mais antigos) asseguraram no Estado , ininterruptamente, funções nas áreas da Museologia , Gestão e administração, assegurando os eixos que a Lei-quadro define.
Na base deste procedimento esteve uma clara decisão política de remeter a RPM a um departamento da DGPC onde a credenciacao assume um papel central.
Penso que esta fórmula fragiliza completamente RPM e subverte o espirito para o qual foi criada para além de ser profundamente injusta, administrativamente reprovável e legalmente discutível a forma como as pessoas da estrutura
da RPM foi (des)tratada pela tutela.
Estou completamente em desacordo com o procedimento abusivo que conduziu a esta situação e com o facto da RPM que teve na base um trabalho pioneiro, uma acção exemplar e uma Lei -quadro que serviu de modelo para outras Redes Públicas
da Cultura em Portugal e no estrangeiro , nomeadamente o Brasil, contribuindo para a qualificação dos Museus e dos seus profissionais e para o inequívoca reforço do sei papel, esteja hoje palidamente projectada numa página de facebook.
Programas de
apoio aos museus , nomeadamente o Pro-museus , lamentavelmente acabaram.
A RPM ao final de mais de uma década de um trabalho persistente está amputada nas suas funções por falta de investimento e por falta de visão . O trabalho notável da Clara Camacho e da equipa que lançou a RPM ( que tive o orgulho
de conhecer e com quem aprendi e trabalhei nos últimos anos ) foi desmantelado de forma abrupta e irresponsável.
Um erro político e uma grave falha administrativa , en meu entender conduziram a esta situação sem retorno.
Saudações
Isabel Victor
Museóloga
A Rede Portuguesa de Museus foi criada em 2000. Culminando um trabalho excepcional, que marcou definitivamente a história da Patrimologia (ou «museologia») em Portugal. Um trabalho feito por Pessoas concretas,
das quais se destacam os nomes de Clara Frayão Camacho, Joana Sousa Monteiro, e poucos mais.
Hoje debate-se muito o futuro dos Museus (e do Património). Porque o Estado e os Profissionais e Responsáveis sentem que é necessário e urgente fazer uma Reforma. Porque, tal como venho mostrando, aquilo
que eram os Objectos, as Coleções, os Documentos, os Critérios da Relevância (logo, da Classificação), mudaram. Arrastando consigo os anteriores fundamentos da gestão patrimonial (ver “Léxico de Patrimologia”; “Equação
e Avaliação do Trabalho de Gestão do Património”; “Conceito Heptadimensional de Objeto”, e outras ferramentas).
De facto a inércia e a incapacidade dos Serviços da Administração Pública para realizarem essa Reforma é, infelizmente, evidente.
Paradoxalmente foi no seio do Estado, no final dos anos-1990 e início de 2000, que essas soluções foram possíveis de gizar. Com a RPM (em 2000) foram construídos os alicerces que permitem fazer a Reforma que hoje
se exige.
Assim sendo, as perguntas que se devem fazer talvez sejam as seguintes:
Em vez de se procurarem soluções para o futuro na estratosfera,
talvez devessem olhar para o que está ao redor, nos baús que estão na sala onde estão sentados hoje, aí mesmo, em frente dos olhos.
Pedro Manuel-Cardoso
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