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[Museum] PATRIMÓNIO INDIZIVEL: Aquele que é mesmo Indizível.

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] PATRIMÓNIO INDIZIVEL: Aquele que é mesmo Indizível.
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Mon, 9 Oct 2017 17:11:12 +0100

 

Recentemente as instituições internacionais elegeram o Património Indizível para tema.

Pretendia-se trazer-à-luz o Património que fora silenciado, ou estava preso nos baús dos preconceitos culturais e das discriminações sociais e políticas.

Porém a esse Indizível faltou uma das questões mais difíceis e complexas da atualidade.

Porque terá faltado tamanha evidência?

Faltou mostrar como pulsam e se estão a reconfigurar as Identidades neste Mundo globalizado onde as interações, as conexões, e as fronteiras físicas sucumbem ao poder da Comunicação. E como, por toda a parte, as Culturas marginalizadas e descriminadas (por imposição do poder político, económico, e social dos Tempos Modernos e do Pós-2.ª Guerra) estão a lutar por … «Serem Ouvidas».

O número dessas Culturas Indizíveis atinge muitas dezenas. Os casos mais mediáticos e próximos de Nós ocorrem na Escócia, na Irlanda, no Norte de França, no Norte de Itália, no País Basco, na Catalunha, e noutros lugares. E agora também na Andaluzia (passo a citar):

 

 

O PAÍS ANDALUZ

 

Data da apresentação pública da Proposta: 4 Dezembro 2017.

 

Objetivo: Proclamar a Independência. "Os Andaluzes querem proclamar a sua independência, e conseguir uma República co-federal de povos ibéricos" (Assembleia Nacional da Andaluzia, 4out2017).

Capital: Sevilha.

Forma de Governo: República Federal.

Idiomas Oficiais: Andaluz, Português, Murciano, Valenciano.

População: 13.269.067 habitantes.

Território: 124.544 Km2 .

Regiões do Pais Andaluz: Alentejo, Algarve, Baixo Guadalquivir, Alto Guadalquivir, Granada, Múrcia).

 

 

Talvez fosse útil, como tenho várias vezes insistido, relembrar a discussão entre Dan Sperber e Philippe Descola a propósito do que fica e do que se esvanece enquanto Património. Sobre «aquilo que nunca desaparece» e é transmitido de forma algorítmica e codificada, como mostrei em 2010 com a descoberta da “Estrutura da Relevância” (ou “Estrutura do Valor Patrimonial”).

A questão é tão quente e crucial para o Nosso presente e futuro que … nem coube nesse Indizível que escolheram. Não a ousaram incluir.

O que querem os Seres-Humanos Hoje que seja transmitido às futuras gerações? Que Património é esse que os Responsáveis e as Instituições não ousam sequer Dizer?

Não seria nesse Indizível das Identidades desfeitas e refeitas (e nas que ficaram em semente que agora brotam) que se veriam verdadeiramente quem eram as valentes e sábias instituições museológicas e patrimoniais? Sobretudo aquelas que se deixaram dominar pelo Relativismo Cultural, pelo Interpretativismo, pela Miscigenação, pelo Multiculturalismo, pelo Transnacionalismo, e por outras fantasias semelhantes?

Pelo menos, não teria sido uma óptima oportunidade para dar um lugar central ao Património … no Debate sobre a Cultura Hoje?

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 





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