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Dia 23 de Maio – Casa da Escrita/20h00 Gula, glutões e luxúria no barroco luso-brasileiro: Frei
Lucas de Santa Catarina, Gregório de Matos e outros mais Paulo Silva Pereira/Professor
Auxiliar do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de
Letras da Universidade de Coimbra “O Barroco luso-brasileiro é um tempo cultural
especialmente propício à exploração do imaginário alimentar e à consolidação de
práticas de sociabilidade que se organizam em torno do consumo de alimentos.
Ler hoje, sob esta perspetiva, a obra de Gregório de Matos, Frei Lucas de Santa
Catarina, Francisco Manuel de Melo ou Manuel Botelho de Oliveira, entre tantos
outros, torna-se aliciante, por permitir revisitar o regime de convivialidade
das elites sociais, a cartografia dos afetos e relações de amizade dos séculos
XVII e XVIII (sobretudo através da moda de felicitação e de retribuição de
favores que aliava poesia e iguarias), perceber melhor como certos produtos e
hábitos alimentares eram aproveitados para construir um discurso literário
agudo e engenhoso ou tomar noção do alcance fortemente satírico e burlesco,
capaz de gerar efeito cómico, mas ao mesmo tempo de denunciar abusos e vícios
da sociedade. Comer, beber, festejar são momentos de afirmação da alegria de
viver com especial vigor nesta época, mas se o prazer resultante do consumo
moderado de alimentos é bem acolhido, já a concupiscência alimentar ou o comer
com avidez, porque excessivos, são objeto de crítica, como se pode ver pelas
descrições burlescas de banquetes no Anatómico
Jocoso. Relevante é também a forma como se tira partido em numerosos
textos (alguns deles produzidos no território brasileiro, em especial pela mão
de Gregório de Matos) da associação entre gula e luxúria. É longa e densa a
discussão entre teólogos e moralistas do Ocidente sobre a gula e o seu lugar no
sistema dos pecados capitais, e nomeadamente a sua estreita proximidade com a
luxúria. Ambas, ao contrário do que sucede com outro tipo de vícios do foro
espiritual, estão muito ligadas à dimensão da corporeidade e a primeira foi vista,
durante séculos, como abertura potencial a comportamentos desviantes. Nos
tratados de civilidade e de cortesania, a preocupação em estabelecer um código
de boas maneiras à mesa espelha também essa vontade de refrear o prazer em nome
da moral”. Antepasto Pão Folar Fumados de paio e linguiça Chouriço cozido Presunto e fiambres “Queijos de ouro” Guisado de galinha da Baía “Azeitona sapateira” “Venerável Vinho” Pasto Caldo para pregadores Assado de peru “Venerável arroz” Couves de azeite “Vinho da Pipa” Sobrepasto Fios de ovos Bolo de laranja regado com
chocolate Ovos queimados Laranjas Licores Jantar confecionado e servido pelos SASUC, sob
coordenação geral de Mauro Rodrigues e coordenação do serviço de cozinha do Chef Artur Oliveira Colaboração teatral: Viv’Arte Valor:15€/por pessoa Inscrições: Casa Municipal da Cultura 239702630 |
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