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A Exposição «Olhares sobre a Livraria do Convento da Arrábida», inaugurada recentemente no Museu da Fundação Oriente, corroborou, mais uma vez, como tenho vindo
a propor, a necessidade de uma nova cartografia do Real, do Património, da Arte e do Ser-humano. E, do benefício que o Método
Impronuncialismo poderia trazer.
A juntar a este recente acontecimento, recebi, de um prestigiado «Investigador», uma mensagem importante, onde perguntava se no final de tudo não seria (passo a citar)
«deus, a ser um candidato a si mesmo».
Respondi que, de certo modo, estava de acordo.
É essa fronteira que o «nosso» Raciocínio (imaginação, intuição, inconsciente, sentimento, subjetividade, etc.) não consegue ultrapassar, senão «forjando uma premissa
exterior a si próprio». Ora, para isso seria necessário deixarmos de ser totalmente o que somos (ou o que imaginamos que somos; ou o que inconscientemente julgamos existir). Mas isso levaria à condição paradoxal de, simultaneamente, termos que «ser e não ser».
A única possibilidade é demorarmos a Continuidade desse «candidato a si mesmo» (de nós próprios) até que seja capaz de resolver o problema/paradoxo. Ter paciência para esperar por muitos mais anos de esforço e de trabalho (trabalharmos para que não morra).
Neste processo de auto-Conhecimento e de auto-Discernimento estamos habituados a usar a «palavra» (ícone, índice, símbolo, número, etc.) mas essa «codificação» é já, em si própria, a prisão a uma determinada Lógica (é por isso que discordo de Peirce, Wittgenstein,
Jung, Lacan, Lévi-Strauss, Ingold, Descola, Latour, e de todos os que propõem a «palavra/linguagem» para
Método). Daí, ter proposto o Impronuncialismo, enquanto um território de reflexão e de acção anterior à Linguagem e à Palavra. Como o território estaminal e seminal anterior a qualquer «codificação» (logo, a qualquer «fazer» ou «dizer»).
Regressar e explorar esse Sítio. Encontrarmos as ferramentas adequadas a esse novo caminho.
Perante este desafio, e perante o que a atual
Exposição «Olhares sobre a Livraria do Convento da Arrábida» do Museu da Fundação Oriente nos permitiu «ver», talvez
a Antropo-logia (tal como a arqueologia, biologia, física, matemática, religião, e outros ramos do Conhecimento e da Ciência) beneficiassem com o
Impronuncialismo. Por exemplo, num Encontro no Convento da Arrábida, sob os auspícios da Fundação Oriente.
Talvez fosse uma boa ideia…
Pedro Manuel-Cardoso |
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