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[Museum] O OBJECTO EM PATRIMÓNIO

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] O OBJECTO EM PATRIMÓNIO
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 22 Dec 2019 23:15:25 +0000

 

Várias vezes, aqui, na Lista Museum, tenho chamado a atenção para a mudança que está a ocorrer no conceito de “OBJECTO”. E, como ela, interfere no conceito de “Objecto Patrimonial” (Património).

A primeira vez, julgo, foi há 8 ou 9 anos, quando formulei o “conceito heptadimensional de Objecto”, mostrando as sete fases do processo de passagem da “materialidade” para a “imaterialidade” (e vice-versa). As duas últimas vezes, foram as mensagens enviadas: em 10abril2019 (“O Objecto Patrimonial para além da Linguagem, da Representação, e dos sistemas Simbólicos”) e, em 16jun2019 (“O Objecto em Património: os limites da Evidência humana”).

Um novo acontecimento científico (20dez2019) veio corroborar a pertinência desta questão.

Em Harvard, Kang-Kuen Ni, conseguiu reduzir a velocidade de reação entre duas moléculas, através de uma temperatura próxima dos 500 nanokelvin (alguns milhões de graus abaixo do zero absoluto). Essas reações, até ao momento, eram impossíveis de “ver”, pois ocorriam na escala dos “picosegundos” (milhares de biliões de segundo). Agora, foram vistas na escala dos “microssegundos” (milhões de segundos).

Este extraordinário acontecimento científico (provavelmente candidato a prémio Nobel em 2020) vem revolucionar o actual conceito de Objeto. Permite, finalmente, descrevê-lo e calculá-lo. Permite visualizarmos como dos átomos se formam moléculas (como daquilo a que chamamos “física” se passou para aquilo a que chamamos “biologia”).

“Kang-Kuen Ni and her team to investigate the phase when bonds break and form — in essence, how one molecule turns into another” (The Havard Gazette, 20dec2019)

 

Estes acontecimentos dão pertinência ao debate sobre “o Objecto em Património” que propusemos (ver mensagem Lista Museum de 16jun2019).

A Gestão do Património (“ciências do Património”, Museologia, ou a Patrimologia, como prefiro dizer) baseiam o seu discurso naquilo que designam por OBJETO (peça, coleção, documento, imagem, facto, história, ideia, bem cultural, testemunho, etc.). Mas o que é afinal, e no concreto, esse dito OBJETO?

A consciência daquilo que é a Evidência tem no OBJETO o seu melhor retrato. O OBJETO oferece a consciência dos atuais limites da Evidência humana. O exercício da descrição empírica do que é efetivamente um OBJETO talvez seja útil discutir e partilhar.

Tente-se descrever objetivamente o Ciclo da Vida e da Singularidade de um OBJETO.

Essa tentativa conduz inevitavelmente a uma Equação com quatro variáveis:

1.[OBJETO ® USO ® VALOR]

2.[COISA/NOME ® HISTÓRIA/NARRATIVA ® CONTEXTO/AMBIENTE]

3.[CONSTRUÇÃO ® CORRUPÇÃO ® ANIQUILAMENTO]

4.[MEMÓRIA ® CODIFICAÇÃO ® RE-OBJETO/RE-INÍCIO].

Pedro Manuel-Cardoso

 





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