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[Museum] O erro de Darwin no Centro Champalimaud em 2018: Ainda as repercussões da Conferência da SPAE em 3 dez 2016.

Subject :   [Museum] O erro de Darwin no Centro Champalimaud em 2018: Ainda as repercussões da Conferência da SPAE em 3 dez 2016.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sat, 1 Sep 2018 13:26:56 +0000

 

O assunto da «Evolução» (as hipóteses e teorias que a tentam explicar e compreender) é crucial para o Património. Um episódio recente merece notícia e discussão.

Na Conferência da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), realizada no dia 3 de dezembro de 2016, no Porto, na Fundação Engenheiro António de Almeida, foi demonstrado o «erro de Darwin» (do atual neo-darwinismo e das teorias Ecologistas/Ambientalistas baseadas na hipótese da Adaptação, por exemplo as epigenéticas ou «gene-cultura»). Refiro-me ao erro de terem escolhido a «Adaptação» para argumento/hipótese explicativa da Evolução da Vida (dos “sistemas químicos autónomos gerados por auto-catálise e auto-organização”, para citar a atual definição científica proposta na revista Nature em 2016). Foram muitos anos deste totalitarismo científico, apesar das provas desse erro se terem acumulado de forma inequívoca.

Recentemente ocorreu mais um desses episódios. Que demonstra a inércia e a repulsa em não se aceitar o fim desse status quo Darwiniano. Os malabarismos de linguagem para fugirem à constatação desse erro quase transformam os cientistas … em escritores de ficção. Refiro-me ao designado «paradoxo do plâncton», que a equipa de Gonzalo de Polavieja (Centro Champalimaud, Lisboa) mais uma vez constatou, e publicou na revista «Proceedings of the Royal Society».

Esse «paradoxo» há muito que desafia a teoria darwiniana, e todas as que se baseiam na «Adaptação» para explicar a Vida e a Ecologia. Trata-se da verificação científica de que a multiplicidade das espécies não mantem uma correlação (nem estatística nem factual) com a quantidade de recursos existentes no seu Ambiente. Enquanto a teoria darwiniana e as teorias adaptativistas afirmam (prevêem) que (passo a citar): «o número de espécies tinha que ser igual ao número de tipos de recursos disponíveis no meio ambiente»; a realidade concreta dos factos mostra (passo a citar): «o contraste entre a teoria e a observação experimental é tão flagrante que é até parece paradoxal».

Ora o «paradoxo» vem da recusa quase irracional de aceitar o «erro da Adaptação» para mecanismo-base da explicação e compreensão da Vida Biológica. Os referidos cientistas da Fundação Champalimaud, em comunidado (!), são obrigados a escrever: «Os modelos clássicos de competição [isto é, a Adaptação], de que cada recurso irá sustentar a espécie que os consuma com mais eficiência, conduzindo, portanto, as espécies concorrentes à extinção, não têm correspondência na natureza».

Nessa Conferência de 3 de dezembro de 2016 na SPAE propus que se acrescentasse às três Variáveis do «modelo darwinista» uma quarta (a «Transformação», em termos bioquímicos e não-metafísicos), e se passasse a explicar a «Evolução» (que prefiro designar por «Continuidade») por «Níveis e Graus de Complexidade, impulsionados pela codificação profunda ocorrida e alojada nos núcleos das células, ARN/ADN». O que está muito mais de acordo com os fenómenos bioquímicos da «autonomia», «auto-catálise», e «auto-organização» presentes na atual definição de Vida de 2016.

Essa visão competitiva incutida pelo «Adaptivismo/Ecologismo/Ambientalismo de cariz darwinista», de que cada espécie tinha que manter com as outras uma eterna disputa territorial e hierárquica pela posse e controlo dos recursos, é uma falácia. O que a observação experimental da Natureza nos mostra é … uma profunda Transformação de umas espécies nas outras, num «processo de Interdependência» fortíssimo em que as Identidades/Independências anteriores são transformadas em funções no «organismo/espécie» que sucede.

As repercussões são várias, e referi-as nessa Conferência da SPAE. E que, passados dois anos, mais uma vez, se voltam a confirmar. Apenas menciono aqui uma, porque se repercute na Arqueologia, concretamente no «Difusionismo» (por exemplo proposto por João Zilhão, e outros) para explicar a passagem do Paleolítico Superior para o Neolítico. Essa hipótese difusionista passa a ser um exagero radical, que não explica a formação e o desenvolvimento das Sociedades e Culturas. Porque é um modelo que sobrevaloriza em demasia os «contactos e empréstimos/miscigenações», mas despreza em demasia as «capacidades transformativas autónomas das populações autóctones». A «coisa nova» quase sempre é transformada e usada de modo diferente, inclusive no seio de uma função distinta do sítio de onde veio. Ou seja: o «Objeto» não equivale ao «Uso», e o «Uso» não equivale ao «Valor/Significado» (tal como descrevi num modelo apresentado aqui na Lista Museum acerca do Léxico de Patrimologia).

Tempos novos … que elucidam velhas questões.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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