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É um equívoco considerar que
o objecto (seja de que tipo e época forem) não foi sempre tão digital quanto material.
O
objeto sempre foi tão digital quanto material. Sempre foi heptadimensional. Sempre foi um
processo de sete fases (metamorfoses). Um continuum entre It-Bit constituído por
sete formas. Todas elas, desde o aparecimento do primeiro museu, constituindo realidades concretas que exigiram ser geridas pelos responsáveis pelo Património.
A realidade do
objeto nos museus e património é heptadimensional. Sempre foi. A única diferença é, agora, algumas dessas
sete fases da sua heptadimensionalidade poderem ser exteriorizadas através de máquinas (computação, impressoras 3D, robôs). Por exemplo como fazem hoje os robôs “Lucinda” e “Verónica” da Fundação Factum em Espanha, prestando serviços a museus de todo
o mundo, desde o Prado á National Gallery (Washington) ou ao Louvre.
Em 9 de julho de 2019, Carly Straughan, num artigo intitulado “Is Instagram culture a positive influence for museums?”, escreveu:
Para se entender a
mudança que está a ocorrer é necessário sustentar a análise nos resultados científicos sobre a memória e sobre a percepção humana. Que, desde o início do séc.21, conferiram prémios Nobel a Eric Kandel, Jonh O’Keefe, Edvard Moser e May-Britt Moser. É
necessário compreender o modo como um objeto é percepcionado na cognição, e como o fazer humano (logo, o dos
Visitantes) é despoletado. Sem essa compreensão --- quer do ciclo de um objeto na cognição, quer do modelo antropológico do comportamento humano --- o
Estudo e Gestão do Património e Museus fica amputado da necessária fundamentação técnica e científica.
Já não chega ser reduzido à história, ao interpretativismo criativo de cada qual, ou a outras meta-narrativas.
Hoje, o tempo e o modo são outros.
Pedro Manuel-Cardoso
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