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[Museum] O EQUÍVOCO DIGITAL. O objeto nos museus e no património sempre foi tão digital quanto material. Sempre foi heptadimensional.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] O EQUÍVOCO DIGITAL. O objeto nos museus e no património sempre foi tão digital quanto material. Sempre foi heptadimensional.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Tue, 21 Apr 2020 15:03:50 +0000

 

É um equívoco considerar que o objecto (seja de que tipo e época forem) não foi sempre tão digital quanto material. O objeto sempre foi tão digital quanto material. Sempre foi heptadimensional. Sempre foi um processo de sete fases (metamorfoses). Um continuum entre It-Bit constituído por sete formas. Todas elas, desde o aparecimento do primeiro museu, constituindo realidades concretas que exigiram ser geridas pelos responsáveis pelo Património.

A realidade do objeto nos museus e património é heptadimensional. Sempre foi. A única diferença é, agora, algumas dessas sete fases da sua heptadimensionalidade poderem ser exteriorizadas através de máquinas (computação, impressoras 3D, robôs). Por exemplo como fazem hoje os robôs “Lucinda” e “Verónica” da Fundação Factum em Espanha, prestando serviços a museus de todo o mundo, desde o Prado á National Gallery (Washington) ou ao Louvre.

Em 9 de julho de 2019, Carly Straughan, num artigo intitulado “Is Instagram culture a positive influence for museums?”, escreveu:

“Com 95 milhões de fotografias enviadas diariamente para o Instagram, a tendência não mostra sinais de abrandamento. E seria negligente os museus ignorarem a atração que essa realidade provoca no Instagram para os potenciais visitantes. Se se está a negar aos visitantes a oportunidade de tirarem fotos e partilhá-las nas redes sociais, então, também se está a limitar o alcance do marketing do museu. Pequenas alterações na política de captação de imagens, trabalhando com um parceiro pop-up para levar o seu museu para locais menos tradicionais, e trabalhando para divulgar eventos que atraem multidões, poderá ter um enorme impacto na forma como o Instagram apoia os objetivos dos museus.” (Carly Straughan, 2019, “Is Instagram culture a positive influence for museums?”)

 

Para se entender a mudança que está a ocorrer é necessário sustentar a análise nos resultados científicos sobre a memória e sobre a percepção humana. Que, desde o início do séc.21, conferiram prémios Nobel a Eric Kandel, Jonh O’Keefe, Edvard Moser e May-Britt Moser. É necessário compreender o modo como um objeto é percepcionado na cognição, e como o fazer humano (logo, o dos Visitantes) é despoletado. Sem essa compreensão --- quer do ciclo de um objeto na cognição, quer do modelo antropológico do comportamento humano --- o Estudo e Gestão do Património e Museus fica amputado da necessária fundamentação técnica e científica.

Já não chega ser reduzido à história, ao interpretativismo criativo de cada qual, ou a outras meta-narrativas.

Hoje, o tempo e o modo são outros.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 





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