As pinturas rupestres das grutas de Sangkulirang-Mangkalihat, em Kalimantan, na ilha do Bornéu, foram datadas com mais de 40 mil anos (40 a 52 mil anos). Mais antigas até do que as da Europa Ocidental.
Adam Brumm, arqueólogo da Universidade
de Griffith, em Queensland, na Austrália, co-autor do estudo escreveu:
"O que agora se percebe é que estas manifestações de arte surgiram paralelamente, e mais ou menos na mesma altura, nos dois pontos extremos da Eurásia do Paleolítico, ou seja na zona da Europa Ocidental
e nesta região da Indonésia".
Na Conferência de 03dezembro2016, na
Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), demonstrei que, mais tarde ou mais cedo, os dados viriam a corroborar essa minha tese.
No rescaldo dessa Conferência recebi muitas críticas por estar a afirmar algo que ia contra-corrente.
Ora os factos aí estão. Agora, até publicados numa revista (Nature) com uma reputação científica inquestionável a nível mundial.
Nessa Conferência afirmei:
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“As repercussões desta Conferência são várias.
Na ARQUEOLOGIA altera o modelo vigente sobre a explicação da passagem do Paleolítico Superior para o Neolítico, mostrando uma adequação muito melhor aos factos e aos vestígios materiais recolhidos (ver as discrepâncias
entre o modelo vigente e os vestígios arqueológicos, apresentadas por Sérgio Monteiro Rodrigues em 3dez2016 na mesma Conferência da SPAE sobre “O processo de neolitização do Norte de Portugal: o contributo do sítio arqueológico do Prazo na Vila Nova de
Foz Côa”).
O difusionismo e as explicações baseadas nos contactos e empréstimos/miscigenações culturais (como defende João Zilhão, e outros) perdem algum folego face às
capacidades transformativas autónomas das populações autóctones. O que resolve as imensas discrepâncias que se verificam atualmente entre os vestígios materiais e as camadas estratigráficas. Porque a
Transformação realizada pelas populações e grupos humanos na Ecologia/Ambiente/Contexto (a tal 4.ª Variável) processa-se através de «Níveis e Graus de Complexidade» que são comuns ao fenómeno que se designa por «Ser-Humano». Logo, independentemente
da Adaptação (darwinisrta e neo-darwinista), da descontinuidade geográfica, ou dos contactos/empréstimos/miscigenações.”
(Pedro Manuel-Cardoso, “O Corpo em Mutação”,
Trabalhos de Antropologia e Etnologia, SPAE, 2017, volume 57, p.47)
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O Debate na arqueologia e na antropologia está novamente aberto.
Tal como escrevi no resumo/abstract:
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“O Ser-Humano tem sido explicado pela Ciência ora como um ser “químico
e biológico”, ora como um ser “social e cultural”. Esse dualismo conduziu ao impasse criado pelas dicotomias
Natureza/Cultura e Indivíduo/Sociedade, hoje, novamente repetidas por D. Sperber, P. Descola, T. Ingold, B. Latour e outros. Porém, os avanços no conhecimento vieram questionar essa dualidade que a Antropologia não soube resolver. E desafiam a
pergunta de Kant fundadora da Antropologia: “o que é o Ser-Humano?”. Esta Conferência procura responder à pergunta: «A atual mutação do Corpo-Humano por efeito da Ciência muda o conceito de Ser-Humano?». A resposta interfere com a atual Teoria
da Evolução Humana, e questiona a Adaptação darwinista enquanto argumento explicativo.” (Pedro Manuel-Cardoso, 2016,
O Corpo em Mutação| Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), Fundação Engenheiro António de Almeida, 3Dez2016 14h30, Porto)
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Pedro Manuel-Cardoso
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