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[Museum] Pinturas Rupestres em Bornéu: mais uma comprovação da tese defendida na Conferência da SPAE em 3dez2016.

Subject :   [Museum] Pinturas Rupestres em Bornéu: mais uma comprovação da tese defendida na Conferência da SPAE em 3dez2016.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Wed, 7 Nov 2018 23:44:07 +0000

 

As pinturas rupestres das grutas de Sangkulirang-Mangkalihat, em Kalimantan, na ilha do Bornéu, foram datadas com mais de 40 mil anos (40 a 52 mil anos). Mais antigas até do que as da Europa Ocidental.

Adam Brumm, arqueólogo da Universidade de Griffith, em Queensland, na Austrália, co-autor do estudo escreveu: "O que agora se percebe é que estas manifestações de arte surgiram paralelamente, e mais ou menos na mesma altura, nos dois pontos extremos da Eurásia do Paleolítico, ou seja na zona da Europa Ocidental e nesta região da Indonésia".

Na Conferência de 03dezembro2016, na Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), demonstrei que, mais tarde ou mais cedo, os dados viriam a corroborar essa minha tese.

No rescaldo dessa Conferência recebi muitas críticas por estar a afirmar algo que ia contra-corrente. Ora os factos aí estão. Agora, até publicados numa revista (Nature) com uma reputação científica inquestionável a nível mundial.

Nessa Conferência afirmei:

 

“As repercussões desta Conferência são várias.

Na ARQUEOLOGIA altera o modelo vigente sobre a explicação da passagem do Paleolítico Superior para o Neolítico, mostrando uma adequação muito melhor aos factos e aos vestígios materiais recolhidos (ver as discrepâncias entre o modelo vigente e os vestígios arqueológicos, apresentadas por Sérgio Monteiro Rodrigues em 3dez2016 na mesma Conferência da SPAE sobre “O processo de neolitização do Norte de Portugal: o contributo do sítio arqueológico do Prazo na Vila Nova de Foz Côa”).

O difusionismo e as explicações baseadas nos contactos e empréstimos/miscigenações culturais (como defende João Zilhão, e outros) perdem algum folego face às capacidades transformativas autónomas das populações autóctones. O que resolve as imensas discrepâncias que se verificam atualmente entre os vestígios materiais e as camadas estratigráficas. Porque a Transformação realizada pelas populações e grupos humanos na Ecologia/Ambiente/Contexto (a tal 4.ª Variável) processa-se através de «Níveis e Graus de Complexidade» que são comuns ao fenómeno que se designa por «Ser-Humano». Logo, independentemente da Adaptação (darwinisrta e neo-darwinista), da descontinuidade geográfica, ou dos contactos/empréstimos/miscigenações.”

(Pedro Manuel-Cardoso, “O Corpo em Mutação”, Trabalhos de Antropologia e Etnologia, SPAE, 2017, volume 57, p.47)

 

O Debate na arqueologia e na antropologia está novamente aberto.

Tal como escrevi no resumo/abstract:

 

“O Ser-Humano tem sido explicado pela Ciência ora como um ser “químico e biológico”, ora como um ser “social e cultural”. Esse dualismo conduziu ao impasse criado pelas dicotomias Natureza/Cultura e Indivíduo/Sociedade, hoje, novamente repetidas por D. Sperber, P. Descola, T. Ingold, B. Latour e outros. Porém, os avanços no conhecimento vieram questionar essa dualidade que a Antropologia não soube resolver. E desafiam a pergunta de Kant fundadora da Antropologia: “o que é o Ser-Humano?”. Esta Conferência procura responder à pergunta: «A atual mutação do Corpo-Humano por efeito da Ciência muda o conceito de Ser-Humano?». A resposta interfere com a atual Teoria da Evolução Humana, e questiona a Adaptação darwinista enquanto argumento explicativo.” (Pedro Manuel-Cardoso, 2016, O Corpo em Mutação| Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), Fundação Engenheiro António de Almeida, 3Dez2016 14h30, Porto)

 

Pedro Manuel-Cardoso

 





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