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O Património é também o Dever de Inventário. Para ajudar a tornar possível a Continuidade (isto é, a aquisição da «propriedade físico-química
SAP2i», como refere o Impronuncialismo de um modo menos filosófico, e mais objetivo e concreto na tarefa de a fazer).
Esse Inventário que o Património tem construído ao longo da história mostra, cada vez mais, que do que se trata é muito mais de
Transformação do que de Adaptação (darwinista e neodarwinista). O êxito da Continuidade não depende da
adaptação a um estado ou uma conjuntura dada a priori ou pré-existente. Para que a
adaptação ocorra é necessária uma transformação prévia que sintonize o Ambiente com a lógica intrínseca do sistema (ser, indivíduo) que deseja adaptar-se. O que está em causa é uma
transformação do Ambiente para ser possível a Continuidade do indivíduo humano de acordo com a sua natureza intrínseca, a qual mantém uma intrincação (entanglement) evidente entre as escalas (substâncias) física, química, biológica, social e cultural.
Escalas essas apenas tornadas “categorias de entendimento” (conceitos tidos erradamente por equivalentes às
coisas/objetos) por causa dos limites e limiares perceptivos-cognitivos do atual corpo humano.
Isto vem a propósito da recente deteção do hidreto de hélio (também designado por "molécula fundadora") na
nebulosa NGC7027, a 3 mil anos de luz da Terra, pelo SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy), graças a ajustes no receptor de ondas Terahertz que permitiram sintonizar a frequência da molécula e confirmá-la.
O que o aconteceu no hidreto de hélio é um fenómeno extremamente relevante para a compreensão desse processo de intrincação que une essas escalas que julgamos diferentes e separadas, quer na sua essência quer na
sua substância (física, química, biologia, social e cultural). O fenómeno que ocorre no hidreto de hélio pode resumir-se às seguintes palavras:
consertar explosões --- arrefecer conflitos --- criar miscigenações.
A filogenia destes processos de miscigenação e de integração das "diferenças" (físicas, químicas, biológicas, sociais, culturais) abre caminho a uma inevitável acção de transformação do Ambiente (universo,
natureza e sociedade). É o dever de inventário que o Património nos oferece que permite a compreensão desse processo intrincativo. A experiência expográfica daquelas centenas de vitrinas alinhadas lado a lado em salas imensas com milhares de espécies animais
nos museus de história natural dos países mais ricos do mundo é disso a maior evidência.
E vem confirmar o erro parcial de Darwin/Wallace (de que a base do processo de Continuidade não é a Adaptação,
mas sim a Transformação de que os sistemas
são capazes ou não), logo, a necessidade de acrescentar essa quarta variável ao modelo neodarwinista de explicação da Vida.
Pedro Manuel-Cardoso |
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