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[Museum] Re Memória dum Mundo Perdido IV – os cafés da Europa. O Manifesto Cultural de Pedro Pereira Leite: a dimensão social e política.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Re Memória dum Mundo Perdido IV – os cafés da Europa. O Manifesto Cultural de Pedro Pereira Leite: a dimensão social e política.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 12 Apr 2020 16:48:06 +0000

 

No Manifesto Cultural de Pedro Pereira Leite (“Memória dum Mundo Perdido IV – os cafés da Europa”, in Museum Lista, mensagem n.º 21103, 12abril2020, 12h08) trata-se não apenas da dimensão filosófica do Património. Trata-se de uma questão política e social.

 

1. Abrir os cafés, agora?

A resposta a essa pergunta, a repulsa até, em fazê-la, neste momento, em tempo de COVID-19, mostra com clareza os dois lados da barricada da Vida que a política e a sociedade colocaram as Pessoas.

Separar a Saúde da Economia talvez tenha sido o pior erro cometido. O erro de dizerem: «primeiro esta», «depois aquela». Deviam ter elegido os "heróis" destas duas partes da vida em paridade. É não ter consciência do que é a Vida e a Realidade. É desprezarem os que estão no lado desprotegido da Vida, e na barricada da precariedade e do desemprego. Esses, doravante, aceitarão que os que estão no outro lado lhes voltem a dizer: a vossa vida será pagarem o resto das vossas vidas a Dívida que acumulámos durante os últimos 45 anos? Aceitarão, doravante, esse destino sem esperança, e esse futuro destruído?

 

2. O luxo das emoções e da moral em tempo de Covid-19.

É interessante constatar como o "sofrimento", a "angústia", a "moral", a "ética", a "responsabilidade", a "disciplina", o "cumprimento de normas", a "justiça" e outros luxos, diferem consoante as Pessoas possuem rendimentos fixos e assegurados, recebidos todos os meses, sempre certo; e as Pessoas que, se alimentam a si às suas famílias, com rendimentos precários, que desapareceram há um mês, e cujas empresas faliram.

Esses dois grupos de Pessoas mostram bem a assimetria das actuais Sociedades. Que, afinal, a Justiça é um constructo abstracto, não-cego, que serve os interesses de quem tem poder e está bem instalado na vida.

Ontem já foram assaltadas duas filas de pessoas, enquanto esperavam, a 1 metro de distância umas das outras, para entrar em duas farmácias na Amadora e em Setúbal. E notícias de pessoas com sacos de compras assaltadas no centro de Lisboa.

Daqui a 1 mês o que acontecerá? A moral e a ética, até a "distância social", ou o acesso ao teletrabalho, não são luxos para quem passa fome ou não tem uma assoalhada?

Para os bem-instalados na vida, os que estão no lado confortável da barricada, esta "emergência sanitária" até é uma "nova experiência de vida". Sobre a qual filosofam, cantam nas varandas, e fazem festins na Internet. Até têm casas com varandas para viver.

Para os que estão do outro lado da barricada, a coisa não tem tanta piada. Não têm tempo para os laudos e para os sentimentos emocionais.

Esses dois grupos de Pessoas, que são a Sociedade que fizemos, não continuarão a ser o mesmo depois disto passar? Não sabemos todos, desde já, que será assim?

OS DOIS LADOS DA BARRICADA DA VIDA EM TEMPO DE COVID-19.

“Lisboa 11abril2020: Numa cidade onde ainda há pessoas a viver sem casa de banho, o balneário público da Serafina é cada vez mais procurado.

O balneário público do bairro da Serafina, em Lisboa, tem registado um aumento de "cerca de 50% de procura", funcionando com horário alargado durante a pandemia da Covid-19, depois de se verificar o encerramento de outros equipamentos na cidade.

“Este é um equipamento extremamente importante, porque ao contrário, se calhar, do que a maioria das pessoas pensa, ainda existem casas numa freguesia do centro de Lisboa, como Campolide, que não têm saneamento básico”, disse o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto, indicando que, apesar de já não ser a maioria, ainda há munícipes de Lisboa a viver sem casa de banho.

Localizado junto ao parque florestal de Monsanto e ao Aqueduto das Águas Livres, numa zona de pequenas moradias, o balneário público do bairro da Serafina foi inaugurado em 1949, para melhorar as condições de higiene das populações, objetivo que se mantém nos dias de hoje.

No âmbito do plano de contingência para combate à covid-19, a Junta de Freguesia de Campolide decidiu alargar o horário de funcionamento do balneário – desde 23 de março está aberto quase todos os dias, exceto ao domingo. Além de permitir tomar banho, por 0,20 euros, o equipamento disponibiliza lavagem e secagem da roupa, por 1,50 euros.”

 

OS DOIS LADOS DA BARRICADA DA VIDA EM TEMPO DE COVID-19.

"Mais uma vez seremos os patinhos feios. Não vejo outra solução, até porque a receita fiscal de Portugal e dos Estados não vai ser suficiente para este enorme aumento de despesa. Só até segunda-feira (6abril2020), já estavam mais de 800 mil pessoas com ajudas do Estado. Há 700 mil em lay-off em 33 mil empresas, 115 mil em assistência à família pelo fecho das escolas, 12 mil em isolamento profilático, enfim... Se compararmos a dimensão das medidas expressas em função do PIB, vemos que França atuou com medidas correspondentes a 23% do PIB, a Alemanha 51%, Itália 21%, Espanha 11 %, o Reino Unido quase 18%, a Hungria 8,7%, enquanto nós estamos em torno dos 6%”.

 

"As empresas estão a definhar, não vão poder ficar mais um mês sem trabalhar, sob pena de o desemprego disparar e passar a haver fome nas ruas. O poder político tem de agir rápido, sob pena de estarem a criar um gravíssimo problema social e económico. Temos de pôr as fábricas a funcionar o mais depressa possível. A Áustria e Noruega já o fizeram e são países ricos, não são pobres como nós. É vital para o país. Se as pessoas não tiverem dinheiro para viver, vão começar a sair à rua e revoltar-se. Se ficarmos fechados para além de maio, será trágico. Primeiro vão assaltar, depois vão revoltar-se. Temos de ter coragem para decidir arriscar voltar a trabalhar".

 

 

Abrir os cafés, agora?

Já, porque se faz tarde.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 





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