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[Museum] PATRIMÓNIO. Erectus Neandertais Sapiens. O erro de interpretação dos dados arqueológicos e etnográficos.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] PATRIMÓNIO. Erectus Neandertais Sapiens. O erro de interpretação dos dados arqueológicos e etnográficos.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 19 Apr 2020 13:26:48 +0000

 

Não são Outros que cá chegaram vindos de uma migração, são os Mesmos que já cá estavam desde o início.

… A pragmática da Verdade:

“No início, uma nova teoria é atacada porque é absurda; depois, admite-se que é verdadeira, mas óbvia e insignificante; finalmente, é considerada tão importante que os seus adversários reclamam que foram eles próprios que a descobriram.” (William James, 1907, “A Pragmática da Verdade”).

 

Nas mensagens Museum n.º16297/12dez2016 e n.º16397/8jan2017 tínhamos referido o erro de interpretação dos dados arqueológicos e etnográficos sobre a explicação que davam para a evolução humana. Concretamente, o modo como explicavam a passagem de erectus, a neanderthalensis e a sapiens (para abreviar os outros estádios intermédios desde homo).

A primeira vez que formulámos e demonstrámos publicamente essa evidência ocorreu em 3dezembro2016 na Conferência a convite da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE). Tínhamo-lo feito anteriormente por duas vezes, em 2011, no rescaldo do curso de doutoramento em antropologia, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (UNova) no “Manifesto Contra a Antropologia Silenciada”; e na apresentação da “Teoria do Fazer” na Faculdade de Letras (ULisboa) no pós-doutoramento que intitulámos “A Cultura perante o Património”.

Ainda hoje a arqueologia e a antropologia continuam a insistir nesse erro, apesar dos dados recentes o estarem a negar com maior evidência. Por exemplo, continuamos a ver João Zilhão sem saber interpretar a evidência dos importantes dados que encontrou no terreno. Continuam a procurar a explicação para a evolução humana numa pretensa migração, num suposto empréstimo, numa utópica aculturação, num qualquer difusionismo. Por mais modelos matemáticos que usem, por mais análises ao ADN que ponham os computadores a decifrar, o impasse (e a consciência dele) não os sossegam. As tentativas do socio-darwinismo, da etnobiologia ou da epigenética são tentativas que não acrescentam nada ao evitamento do erro.

Essa negação da evidência dos factos talvez seja mais ideológica do que cientifica.

Ou seja, continuam a procurar, a priori, nos vestígios arqueológicos e etnográficos a corroboração de uma ideia (teoria) equivocada.

É o próprio Darwin que aceita essa fragilidade, afirmando no final da vida que é apenas um “argumento”, não uma certeza ou verdade comprovada:

“Alguns dos meus críticos, dizem: «É um bom observador, mas não consegue raciocinar». Duvido, na medida em que a «Origem das Espécies» não é senão uma longa argumentação do princípio ao fim, e conseguiu convencer mais do que uma pessoa competente.” (Charles Darwin, 1887, Autobiographie).

Em 3dez2016, reafirmei:

“(….) As repercussões são várias.

Na ARQUEOLOGIA altera o modelo vigente sobre a explicação da passagem do Paleolítico Superior para o Neolítico, mostrando uma adequação muito melhor aos factos e aos vestígios materiais recolhidos (ver as discrepâncias entre o modelo vigente e os vestígios arqueológicos, apresentadas por Sérgio Monteiro Rodrigues em 3dez2016 na mesma Conferência da SPAE sobre "O processo de neolitização do Norte de Portugal: o contributo do sítio arqueológico do Prazo na Vila Nova de Foz Côa"). O difusionismo e as explicações baseadas nos contactos e empréstimos/miscigenações culturais perdem algum folego face às capacidades transformativas autónomas das populações autóctones. O que resolve as imensas discrepâncias que se verificam atualmente entre os vestígios materiais e as camadas estratigráficas. Porque a Transformação realizada pelas populações e grupos humanos na Ecologia/Ambiente/Contexto (a tal 4.ª variável) processa-se através de «Níveis e Graus de Complexidade» que são comuns ao fenómeno que se designa por «Ser-Humano», logo, independentemente da Adaptação, da descontinuidade geográfica, ou dos contactos/empréstimos/miscigenações.

Na PALEONTOLOGIA, as passagens e cruzamentos entre as diferentes espécies (corpos) de homo (habilis, erectus, neandertal, sapiens) ficam melhor explicadas. A «genética das populações» e o «pool genético» não chega para explicar as transformações e as adaptações. Por causa da mesma razão derivada do efeito do processamento provocado pela 4.ª variável (Transformação).”

(Pedro Manuel-Cardoso, 3dez2016, “O Corpo em Mutação”, Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia / SPAE, Fundação eng. António de Almeida, Porto)

 

Razão pela qual se está novamente a acender o conflito entre ideia (religião) e prática (vida).

De um lado dizem:

“A manipulação genética é pecado” (Santa Sé, Vaticano, 2008)…

Do outro, dizem:

“Agora, para o melhor ou o pior, vivemos todos no mundo CRISPR*” (Science, 2015)

[* CRISPR-Cas9 é o acrónimo de Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats / Repetições Palindrómicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas), uma ferramenta molecular criada em 2012 que permite cortar e colar partes do genoma (ADN) de qualquer célula. Em 2015 foi considerada pela revista Science a principal descoberta científica do ano. Em 14 de setembro de 2016 foi tornada mais eficaz com a variante iCas]

 

O QUE É QUE OS DADOS MOSTRAM?

  • Mostram que não vieram de fora, transformaram-se de dentro do mesmo.
  • Não são outros que cá chegaram vindos de uma migração, são os mesmos que já cá estavam desde o início.
  • O sapiens não veio até ao neandertal, ou o neandertal até ao erectus. Foi de dentro do Mesmo que nasceram os Outros.
  • Não veio ninguém de fora, numa canoa mística, numa viagem migratória, ou numa sucessiva adaptação e competição.
  • Transformaram-se de dentro. Germinaram de cá de dentro da casa/corpo.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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