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Qual é a nova Relevância que doravante justifica o Património e o trabalho humano em museus?
O que guia o ser-humano, hoje?
A relevância não é sempre a mesma. Muda consoante o ser-humano se transforma e evolui.
Logo, será um erro considerar que o Património é aquilo que se considerava que era num determinado momento histórico.
Esta é uma das premissas fundamentais da ética e da deontologia dos responsáveis pelo património. E do saber museológico (Patrimologia) e afim.
Os objetos/coisas, classificados atualmente por «património», não vão sempre sê-lo.
Qualquer definição tem de considerar esta interdependência dinâmica entre
Relevância, Património e Museus (e afins). E conectá-la com um tempo-espaço anterior e posterior ao
atual ser-humano.
Um exemplo dessa mudança talvez clarifique melhor…
SUPER-KAMIOKANDE
“Neutrinos could shed light on why the Universe has
so much more matter than antimatter”
Nature
580, 305 (2020); doi: 10.1038/d41586-020-01022-3
Inside the Super-Kamiokande neutrino detector during work on the detectors.
Credit: Kamioka Observatory, ICRR, Univ. Tokyo … 50mil toneladas de água pura rodeada de 11200 tubos fotomultiplicadores, a 1km de profundidade, na
mina de Mozumi (Japão).
O que guia o ser-humano hoje?
Qual é o Património que as próximas gerações humanas irão escolher, e os museus que irão gerir
Ninguém ainda sabe. Mas este exemplo já elucida qual é o impulso (“drive”).
Saberão quantos humanos estão envolvidos, hoje, neste exemplo? E quanto gastam em euros? Talvez, para os que escolhem o dinheiro como indicador da relevância, seja útil saberem.
Em suma, os objetos patrimoniais e os edifícios a que agora chamam “museus” são meros exemplos da relevância que o ser-humano quer sinalizar em cada momento histórico. Não são sempre as mesmas pedras nem
as mesmas ideias.
É para isso que serve o saber patrimonial.
Pedro Manuel-Cardoso
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